13 de março de 2007

A Trajetória de Vida da Mulher na Índia - Parte IV


Nâmaskar

Aqui profissão de homem é passar e costurar roupa enquanto mulher tem que trabalhar na construção civil carregando, pedra, areia, cimento, concreto e tijolo o dia inteiro na cabeça. Só recentemente, nos últimos cinco anos, com a entrada de empresas estrangeiras no país é que as mulheres estão tendo oportunidade de emprego. Viva a globalização e as multinacionais! Graças a estas empresas o mercado de trabalho vem se abrindo para as mulheres jovens e elas tem aproveitado estas oportunidades de braços abertos.

Algumas estão até se aventurando a aprender a dirigir! Sonham em ter um carro algum dia... quem sabe... ainda é raríssimo, mas já se vê pelo menos uns dois ou três carros por dia sendo dirigido por jovem mulheres. Este fato me faz sentir de volta aos anos 70 aí no Brasil.

A verdade é que com a entrada de empresas estrangeiras no país e com a globalização, os indianos estão sendo obrigados a trabalhar, negociar e conviver no âmbito profissional com as mulheres quer queiram eles, quer não.

Ainda é muito difícil para os indianos ter que engolir ordens de uma mulher e eles ainda não aprenderam a respeita-las, mas elas não desistem e vieram para ficar. Mais cedo ou mais tarde eles terão de se acostumar. Não é fácil pois desde de criança estudam em escolas separadas e não aprenderam a conviver com as meninas, mas também não é impossível.

Finalmente a Índia está descobrindo que a mulher não é somente uma fábrica de fazer filhos e que pode ser uma boa consumidora. Sendo assim, começamos a encontrar no mercado indiano produtos de beleza até recentemente inexistentes por aqui. E pasme, já tem até absorvente interno, coisa que não tinha em 1999 quando vim pra cá!

Entretanto, durante o inverno, em Delhi quando a temperatura chega a cair para zero graus, há somente três abrigos noturnos para mulheres moradoras de rua com capacidade total para atender 90 mulheres, enquanto há 8 mil mulheres sem teto na capital. Sim, tem muito mais abrigos para homens. Na Índia tem tudo muito mais para homens do que para mulheres e pelo visto esta situação permanecerá assim por muitas dezenas de anos.

Só homem merece destaque e atenção da mídia, mulher só está na mídia pelos motivos errados, ou que fazem parecer errado; veja por exemplo o caso da Sania Mirza, uma jovem tenista indiana tem sido perseguida por usar dentro das quadras uniforme que segundo seus críticos é muito curto e indecente. Ao invés de lhe darem apoio por ser uma desportista que trás medalhas e glória para o país, ficam se preocupando com o tamanho do uniforme que ela usa. Mirza é muçulmana e se dependesse de certas pessoas, todos homens claro, ela teria de jogar usando burqa!!

Aqui mulher não usa shorts, bermuda, maiô, biquíni, regata, decote, saia, transparência e nem blusas sem mangas. Cabelo tem que ser preso o tempo todo e haja energia para se enrolar em 6 metros de tecido a que os indianos chamam de sari, uma “roupa” sem costura, botões, zíper, velcro, fecho, nada, só um longo pedaço de pano; extremamente inconfortável, sem praticidade alguma tendo a seu favor somente as cores fortes e vibrantes.
É com o sari enrolado ao corpo que as mulheres tem pegar ônibus e trens lotados, carregar água na cabeça pois aqui na Índia a escassez deste precioso líquido é gritante principalmente durante o verão. Juntamente com a falta de água sofremos muito aqui também com a crescente falta de energia elétrica, com o aumento dos casos de HIV, com a desnutrição feminina e com as doenças tropicais e lepra que estão a espreita por toda parte inclusive nas cidades.

Não, não é fácil ser mulher, mas na Índia é ainda pior!

Om Shanti

Incredible India! (slogan do governo indiano)


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