23 de agosto de 2007

Ramakrishna - Parte II


Namaskar

Continuação da biografia de Ramakrishna:

Uma viuva rica de Calcutá, estava indo para a cidade sagrada de Veranasi, quando teve um sonho onde a deusa Kali lhe pediu que construísse um templo para ela e que fosse adorada diariamente. Isso aconteceu na altura de Dakneswar, e assim sendo ela construiu um templo para a deusa Kali, que foi inaugurado dia 31 de maio de 1855. O irmão mais velho de Ramakrishna foi quem realizou a cerimonia oficial de dedicação do Kali Temple.

Vendo a devoção de Ramakrishna, então com 20 anos de idade, a viuva o empregou para que todos os dias ele vestisse a imagem de Kali.

Em Dakneswar, alem do templo de Kali, ha também um templo para Govinda-Radha e 12 pequeninos templos para Shiva, na verdade eh um complexo com 14 templos de pequeno porte.

Certa vez o sacerdote hindu do templo Govinda-Radha estava carregando a imagem de Govinda, quando tropeçou e caiu. Ao cair, uma perna da imagem de Govinda quebrou. Todos os sacerdotes resolveram que a solução era jogar a imagem no rio Ganges e fazer uma nova; quando Ramakrishna foi consultado a respeito ele respondeu: “Se um familiar seu cai e quebra a perna você o joga fora ou chama o medico para consertar?” Todos entenderam a mensagem e assim a imagem foi consertada pelo próprio Ramakrishna.

Ramakrishna fixou sua idéia em poder ver a mãe Kali em pessoa. Ele meditava profundamente, chorava constantemente e quase não comia ou dormia, obcecado com a idéia de poder ver Kali pessoalmente. 3 anos se passaram assim, ate que em seu desespero ele resolveu tirar a própria vida, ele pegou a espada que havia pendurada na parede e quando ia se matar, a mãe Kali apareceu finalmente para ele. Logo em seguida ele sofreu mais um desmaio. A partir de então, Ramakrishana passou a ver Kali constantemente.

Os anciãos não gostavam do modo estranho como Ramakrishna se comportava em relação a deusa Kali. Para eles, Ramakrishna não passava de uma pessoa psicótica, com alucinações e desmaios histéricos; porem a viuva, dona do templo permitia que Ramakrisna fizesse o que bem entendesse. Assim, ele continuou com suas visões de diferentes deusas e deuses do panteão hindu.

Todos os irmãos e irmãs de Ramakrishna já haviam casado, só restava ele solteiro. Sua mãe, Chandra Devi recebeu a noticia de que Ramakrishna havia perdido o equilíbrio mental, continuava a ter alucinações e já não trabalhava mais como sacerdote do templo, passando o dia todo chamando pela mãe Kali ou por Raghubira. Ele esfregava o rosto no chão e rolava chorando a beira do rio Ganges. Ao ouvir que Ramakrishna herdara a psicose da família (o pai de Ramakrishna e inclusive Chandra Devi diziam ver deuses hindus), Chandra resolveu que já era hora de casa-lo e assim torna-lo uma pessoa mais responsável e mais centrada.

Chandra ordenou que Ramakrishna deixasse Calcutá e viesse para seu vilarejo em Kamarpukur. Como em seu vilarejo todos sabiam de seu problema mental, ninguém queria casar com ele, assim ele casou-se com uma menina de 5 anos de idade chamada Saradamani de Jayrambati, um outro vilarejo. Ramakrishna tinha então 23 anos de idade.

O casamento infantil ainda eh pratica regular em certas regiões da Índia, assim como o casamento de crianças com adultos. No seculo passado isso era absolutamente normal. Atualmente esta pratica restringe-se a populacao rural e de cidade pequenas.

Após o casamento, Ramakrishna ficou morando em Kamarpukur por 1 ano e 7 meses e depois voltou para Calcutá.

Continua amanha....