1 de fevereiro de 2008

Golpe do roubo de rins choca a Índia


Namaskar

Nos últimos nove anos cerca de 500 casos foram constatados.
Trabalhadores pobres e agricultores são as principais vítimas.

Quando passou o efeito do anestésico, Naseem Mohammed sentiu uma dor aguda na parte de baixo de seu abdômen. Lutando contra a tontura, ele passou a mão sob o camisolão verde de hospital e sentiu um curativo preso com esparadrapo cirúrgico. Um guarda armado na porta disse a ele que seu rim havia sido removido.

Mohammed era o último dos 500 indianos cujo rim havia sido extraído por uma equipe de médicos que comandava uma operação ilegal de transplante, abastecendo rins para indianos ricos e estrangeiros, segundo declararam oficiais da polícia.

Algumas horas depois de sua operação em 24 de janeiro, a polícia invadiu a clínica e o levou a um hospital do governo. Muitos doadores eram trabalhadores por jornada, como Mohammed, recrutados nas ruas com ofertas de trabalho, levados para uma bem equipada clínica particular e enganados ou forçados sob a mira de uma arma a se submeterem às operações. Outros eram ciclistas e fazendeiros empobrecidos que foram convencidos a vender seus órgãos, o que é ilegal na Índia. Apesar de diversos golpes envolvendo transplantes de rim terem sido revelados no país nos últimos anos, a polícia afirmou que a escala desse foi algo sem precedentes.

Quatro médicos, cinco enfermeiras, 20 paramédicos, três hospitais particulares, 10 clínicas de patologia e cinco centros de diagnósticos estavam envolvidos, segundo declarou Mohinder Lal, oficial de polícia encarregado da investigação. “Suspeitamos que cerca de 400 ou 500 transplantes de rim foram feitos por esses doadores nos últimos nove anos”, afirmou Lal, comissário de polícia de Gurgaon. O caso atraiu os jornais da Índia.

Olha, eu ja havia falado sobre isso no blog ha uns 2 anos atras. Faz tempo que isso acontece por aqui e faz tempo que as autoridades sabem sobre isso. Outra coisa que ninguem esta investigando eh a "doacao" de orgaos infantis para os filhos dos ricos e poderosos assim como estrangeiros. Esse assunto ainda nao foi parar nas manchetes de jornais, mas espero que um dia va. Como sempre, eh o Indiagestao um passo a frente!

Editorialistas ficaram particularmente enfurecidos com a falha da polícia em capturar o médico principal, que tem muitos nomes, mas que recentemente ficou conhecido como Amit Kumar. Ele foi preso em 1994 sob suspeita de liderar uma quadrilha de transplante de rins em Mumbai, mas não apareceu no tribunal para responder às acusações, mudou de nome e começou a trabalhar de novo para diversas clínicas escondidas em apartamentos residenciais de Gurgaon, uma cidade próspera nos arredores de Deli.


A polícia invadiu uma de suas clínicas em 2000, mas ele teve permissão para continuar trabalhando. As autoridades se negaram a investigar mais a fundo mesmo depois de pelo menos uma investigação televisiva ter exposto seu trabalho. Na última terça-feira, o Times da Índia pediu ao governo que investigasse “a ligação entre doadores de órgãos e a polícia”. Os investigadores foram alertados sobre a existência da quadrilha em 24 de janeiro por um doador que afirmou que a operação havia arruinado sua saúde.


Kumar aparentemente foi avisado sobre a batida policial com antecedência a escapou à prisão. Apenas um dos quatro principais médicos implicados no caso foi detido. As autoridades suspeitam que vários hospitais particulares em Deli e nos seus subúrbios foram cúmplices do trabalho de Kumar em segredo e trataram pacientes que se recuperavam de transplantes de rim. “Devido à escala da operação, acreditamos que mais membros da comunidade médica de Deli sabiam o que estava acontecendo”, declarou Lal aos repórteres na última segunda-feira.

Ele declarou que um grupo de criminosos que ele chamou de caçadores de rins normalmente percorria os mercados de trabalho em Deli e as cidades de Uttar Pradesh, o estado mais pobre da índia, procurando por doadores em potencial. Alguns dos possíveis doadores foram diretamente questionados sobre a venda de um rim e receberam ofertas de US$1 a US$2,5 mil. Um carro equipado com equipamento de teste estava freqüentemente à mão para que potenciais doadores pudessem ser checados imediatamente para ver se seus rins eram compatíveis com as necessidades dos pacientes que aguardavam.


Cartas e e-mails de 48 estrangeiros perguntando sobre os transplantes foram descobertos no escritório em Kumar, afirmou Lal. Cinco estrangeiros – três gregos e dois cidadãos americanos nascidos na Índia – foram encontrados numa das clínicas durante uma das batidas. A polícia suspeita que eles estavam prestes a receber transplantes de rins, afirmou Lal, mas mais tarde eles receberam permissão para voltar para casa porque não havia provas suficientes para detê-los.


Mohammed, de 25 anos, afirmou na segunda-feira que não tinha idéia que era possível vender um rim. Ele tem arrumado empregos temporários em Deli nos últimos dois anos e enviado dinheiro a sua família em Gujarat, segundo declarou. Há duas semanas, ele declarou que foi abordado por um homem de barba enquanto esperava no mercado de trabalho da madrugada próximo à velha estação de trem de Deli. Um homem fez a ele uma oferta que era muito mais generosa do que a comum: trabalho durante um mês e meio como pintor, por pouco menos de US$4 por dia, com alimentação gratuita e alojamento. Mohammed afirmou que dirigiu quatro ou cinco horas até um bangalô isolado onde foi colocado num quarto com quatro outros homens jovens sob a vigilância de dois guardas armados.


“Quando perguntei o porquê de ter sido trancado lá dentro, os guardas me bateram e disseram que atirariam em mim se eu fizesse mais perguntas”, declarou Mohammed, deitado em sua cama de hospital, envolvido num cobertor laranja, os dentes cerrados e fechando os olhos de dor. Ele afirmou que os homens receberam comida para cozinhar e que enfermeiras tiravam amostras de sangue periodicamente. Uma a um, declarou ele, eles foram levados para a operação. “Eles nos disseram para não falar uns com os outros ou pagaríamos com nossas vidas”, afirmou ele.
“Eu fui o último a ser levado”.


A duas camas dali, na ala de isolamento do Hospital Cívico de Gurgaon, Shakeel Ahmed, de 28 anos, um trabalhador de Uttar Pradesh, afirmou que a ele também havia sido prometido trabalho bem remunerado. Depois de vários dias de confinamento com Mohammed, declarou ele, uma amostra de sangue foi retirada e algumas horas depois, contra a sua vontade, ele recebeu uma injeção que fez com que perdesse a consciência.


“Eu não tinha idéia sobre os transplantes de rim, mas quando me fizeram deitar na maca, fiquei aterrorizado”, declarou ele. “Eu sabia que essas pessoas iriam ser más comigo. Quando acordei o médico disse que meu rim havia sido removido. Ele disse que eu levaria um tiro se contasse a alguém o que havia acontecido”. Os homens disseram que não houve nenhuma verificação pós-operatória e nenhuma conversa sobre dinheiro ou uma compensação pelo que havia sido feito. Três policiais agora guardam a ala médica. “Essas são as principais testemunhas do crime”, afirmou Badlu Ram, inspetor de polícia.


“A operação foi tão bem organizada que acreditamos que haja uma ameaça às vidas das vítimas”. O pai de Ahmed, Abdullah Ahmed, sentou à beira da cama de seu filho, chorando. Ele disse que o dano à saúde de seu filho o impediria de trabalhar, deixando a família sem recursos para subsistência. “Não sabemos o que vamos fazer”, afirmou ele, “os homens que fizeram isso deveriam ser enforcados.” O enforcamento eh como os presos com pena de morte decratada sao mortos aqui na India.

Tradução: Luiz Marcondes

Incredible India! (slogan do governo indiano)

Om Shanti