28 de março de 2008

A Música Clássica Indiana - Parte 1


Namaskar

Voce gosta de musica? Eu tambem :)

Vamos aprender juntos sobre a musica classica indiana!

A Música Clássica Indiana

por Diego Hauptman

Introdução

A tradição musical indiana está em contínuo desenvolvimento há milênios e, seu sistema, na forma como é conhecido hoje, é fruto herdado de uma tradição inquebrantável baseada no guru shishya parampara, relação guru (mestre) – discípulo.

A primeira referência literária precisa sobre a música na Índia foi feita por Panini (500 A.C) e a primeira referência à teoria musical é encontrada no Rikpratisakhya (400 A.C), mas a organização da música indiana deve sua origem ao Samaveda, uma das quatro partes dos Vedas. Outra obra muito importante é o Natya Shastra (Dramaturgia em sânscrito), atribuída a Bharata e escrita no período Gupta (séc. IV D.C), considerada a era de ouro no desenvolvimento da ciência musical na Índia.

O aspecto devocional deve ser compreendido como um ponto fundamental na compreensão da música indiana, na medida em que se desenvolveu a partir do canto ritualístico e conserva até os dias de hoje as qualidades espirituais e ritualísticas como elementos nucleares da sua constituição original.

Após um longo período de desenvolvimento, a música indiana, associando seu aspecto devocional original à música folclórica e outras expressões musicais da Índia e culturas vizinhas como a da Pérsia, desenvolveu-se como uma arte muito peculiar e própria, dando origem às duas grandes tradições de música, a hindustani sangita (Música Indiana do Norte) e a karnataka sangita (Carnática - Música Indiana do Sul). As raízes de ambas as tradições estão no Bharata Natya Shastra (séc. IV D.C), e as divergências surgem somente por volta do séc. XIV D.C.

As duas principais grandes tradições musicais, tanto a Hindustani quanto a Carnática apresentam a característica monofônica da música indiana, isto é, as melodias são executadas sempre em um só tom, o que produz um efeito mântrico e profundo, próprio da música indiana. Uma das diferenças consiste em que na música Hindustani do norte, dá-se mais ênfase a improvisação do que na música Carnática, que se baseia em padrões mais rígidos. A música Carnática, que nunca absorveu influência estrangeira, é sempre orientada por versos devocionais e o estilo vocal é predominante, enquanto que a música Hindustani foi muito influenciada pelo povo persa e seu estilo dá mais abertura à música instrumental, embora, a música indiana em sua totalidade seja orientada pela música vocal, que tem precedência sobre a música instrumental.

Raga e Tala

Os conceitos de Raga (lit. Cor em sânscrito) e Tala também constituem pontos fundamentais na ciência musical indiana. É sob o conceito de Raga que se desenvolve toda estrutura melódica, e sob o de Tala se desenvolve toda a estrutura rítmica.

O Tala, (literalmente, bater das palmas, em sânscrito) é uma estrutura rítmica baseada em um número predeterminado de batidas, e sua natureza é cíclica. Existem inúmeros Talas na música indiana de diferentes batidas e tempos. A literatura sânscrita descreve 120 Talas, Bharata (Natyashastra) teria isolado 32 espécies de Tala no canto de uma cotovia.

Acredita-se que existam aproximadamente 300 ragas, embora somente cerca de 40 ou 50 sejam executados com regularidade. Um Raga não deve conter somente os elementos melódicos precisos que caracterizam o Raga como também deve expressar o movimento e sentimento estético apropriado. Cada Raga tem uma linguagem própria para se expressar utilizando-se das notas certas, ornamentos apropriados, motivos melódicos e a intenção estética que caracteriza determinado Raga. A interpretação de um Raga vai muito além de um simples sentar-se diante de uma partitura a fim de executar mecanicamente o que está ali escrito. Um músico indiano nunca irá servir-se da música escrita durante uma apresentação, pois o Raga deve estar já incorporado pelo músico, que terá plena liberdade de improvisação dentro das estruturas pré-estabelecidas da peça a ser executada, dando, em cada execução uma nova vestimenta ao corpo nu do Raga.

São muitos anos de intensa prática musical que possibilitam o músico indiano executar com precisão um Raga. A tradição musical na Índia ainda é predominantemente hereditária. O conhecimento é passado de pai para filho e o filho de um músico provavelmente também será um músico e assim sucessivamente, embora os mestres de música consintam em transmitir seus conhecimentos a todos àqueles que tenha aceitado como discípulos, este, tornando-se assim, quase um membro da família do seu mestre. Os estudos e prática musical geralmente tem início já aos quatro anos de idade e a vida do estudante é marcada por muitas horas diárias de prática.

Gharana e Bani – As Escolas

Na música Hindustani do norte, existem inúmeras escolas (gharana, do sânscrito graha, lar, casa, família) de tradições musicais na Índia e cada uma delas é batizada normalmente pelo nome da família ou pelo nome da região onde o fundador habita ou habitou alguma vez, como a Imdadkhani Gharana, escola fundada por Imdad Khan ou Maihar Gharana, escola que se originou em Maihar ao norte da Índia.

As escolas Carnáticas do sul da Índia chamam-se Bani, palavra originada de Vani (voz), e não tem um papel pedagógico como as Gharanas do norte da Índia, que ditam como devem ser executados os ragas. Bani é um estilo de expressão musical mais individual, aperfeiçoada por um músico.

Sangita – Música e Dança

Dança, teatro e música vocal e instrumental constituem uma unidade dentro da representação artística na Índia englobada pelo termo sangita. As artes na Índia, particularmente a música, não têm uma função meramente de entretecimento, mas são uma forma de autoconhecimento e tidas até como um caminho espiritual. Os antigos rishis (sábios) da Índia já há muito tempo conheciam as qualidades profundas e terapêuticas da música. A voz humana, segundo considerada pelos Hindus da antiguidade, indica não só o caráter do homem, mas também expressa o que há de mais íntimo em seu espírito, sendo assim, o canto a arte primeira seguido da execução de instrumentos e em terceiro lugar a dança: as três artes performáticas que constituem o sangita, segundo os três mais antigos e principais tratados que versam sobre música e dança, o Natyashastra, o Abhinayadarpana e o Sangitaratnakara.

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Incredible Indian Music!

Om Shanti