23 de novembro de 2009

Comercio Brasil-India





Namaskar



SÃO PAULO - A Índia quer produzir etanol a partir da tecnologia desenvolvida pelo Proálcool. A Índia é um dos sete mercados prioritários para promoção comercial definidos pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior no fim do ano passado.



O ministro do Desenvolvimento, Sérgio Amaral, e o ministro indiano do Petróleo, Ram Naik, assinaram memorando de entendimento para que o Brasil forneça a tecnologia à Índia e abre perspectivas para a venda de bens de capital para a construção de destilarias.



Segundo Oswaldo Biato, chefe da Divisão de Ásia e Oceania do Itamaraty, firmado o acordo, o andamento do projeto fica agora por conta do setor privado. No ano passado, a Índia anunciou que vai permitir a adição de 5% de álcool anidro no combustível, percentual que crescerá para 10% nos próximos anos.



O memorando resulta da visita que o ministro indiano fez ao Brasil, no ano passado, para conhecer o programa de utilização do etanol combustível. Durante o seminário "Brasil-Índia: Uma parceria estratégica", Biato afirmou que a Índia, ainda carente de infra-estrutura de transporte, vai incentivar a construção de estradas e a renovação de toda a sua frota de ônibus. Isso abre oportunidades tanto para empresas da área de serviços de engenharia quanto para fabricantes de ônibus, veículos de carga, tratores, máquinas de terraplanagem, carros e autopeças.



Ainda na área de transportes, a Embraer participa de duas concorrências promovidas pelo Ministério da Defesa Indiano para fornecimento de jatos de treinamento avançado (AMX-T) e para o transporte de autoridades, com o Legacy, que concorre com o Falcon, da Dassault, e com o Global Express, da Bombardier.



Genéricos

Segundo o diplomata, muitos estados também têm interesse em atrair investimentos de empresas farmacêuticas indianas especializadas na produção de genéricos. No Brasil, já estão instaladas 11 indústrias farmacêuticas indianas, algumas subsidiárias e outras na forma de parceria, todas para produção de genéricos.



No entanto, pelas regras da Organização Mundial do Comércio (OMC), dentro de alguns anos as exportações de genéricos serão proibidas. Portanto, se o programa nacional de genéricos continuar a crescer, o Brasil terá de produzir estes medicamentos internamente. Por isso mesmo, procura atrair mais indústrias indianas, conhecidas pela alta qualidade de seus genéricos.



Agronegócio é um setor promissor

Do ponto de vista dos exportadores brasileiros, o setor de agronegócio é um dos mais promissores em vendas para a Índia, sobretudo nos segmentos de soja, açúcar e carne, com destaque para o frango. Em 1997, o Brasil vendeu apenas US$ 23 milhões de óleo de soja para os indianos. No ano passado, foram US$ 401 milhões, o que demonstra que ainda há muito espaço para crescimento.



O Brasil ainda vê boas oportunidades para vender frutas, cafés especiais, cosméticos, cerâmicas e roupas para os indianos nos próximos anos. O comércio bilateral entre Brasil e Índia teve forte incremento no ano passado. Em meados dos anos 90 até o ano 2000 a média comercializada entre os dois países era de US$ 400 milhões, em 2001 o intercâmbio saltou para US$ 828 milhões.



O Brasil é tradicionalmente deficitário em relação à Índia e, só no ano passado, registrou déficit de US$ 257,5 milhões, o maior da década. O Brasil compra da Índia principalmente óleo diesel, produtos químicos orgânicos e farmacêuticos, e exporta óleo de soja, algodão e automóveis/autopeças.



Pouca propaganda

O cônsul da Índia em São Paulo, Deepak Bhojwani, afirmou que o comércio entre as duas partes está muito aquém do potencial. E culpou a falta de promoção dos produtos brasileiros na Índia por essa situação negativa para o País. A Índia, ao contrário, traz diversas missões comerciais anualmente ao Brasil e, no ano passado, realizou uma exposição de produtos que atraiu 16 mil pessoas em São Paulo.






Om Shanti