22 de maio de 2007

Cinema Indiano - Parte Final


Namastê

O cinema como religião – Parte Final

Os mistérios da relação passional dos indianos com seu cinema, que atrai diariamente cerca de 15 milhões de pessoas, e fez com que nenhum outro país tenha exacerbado tanto a extrema porosidade entre a vida real e o cinema

Peregrinação cinemtográfica

Os indianos não vão ao cinema para viver uma relação com a realidade; eles vão como se cumprissem um ritual, para se comunicar de maneira eficaz com o divino

Como observa Bhaskar Ghose em um texto intitulado "Imaginário e Ícones ", "alguns filmes abordaram temas como a pureza, a injustiça ou até a discriminação por casta e tiveram grande sucesso. Mas esse sucesso não parece se dever à análise das condições sociais ou das relações humanas, mas à utilização dessas condições sociais com o intuito de despertar o interesse do público. Achhut Kanya ("O Intocável", de Franz Osten, 1936) não questiona o sistema de castas, mas vale-se do apelo emocional que ele representa. Do Bigha Zameen ("Dois hectares de terra", de Bimal Roy, 1953) recorre à pobreza e à injustiça de maneira idêntica (…). Esses filmes não suscitam nem introspecção nem resposta a perguntas constrangedoras – apenas exigem do espectador que participe do drama e do patético que eles apresentam".
Poderíamos levar o raciocínio ainda mais longe e afirmar que a suposta neutralidade dos filmes indianos (valer-se do "apelo emocional" da pobreza, da fome e de outras chagas sociais) não passa de uma fachada e que eles constituem, pelo contrário, o vetor mais eficaz do status quo social.
A heroína de Mother Índia (de Mehboob Khan, 1957) é martirizada durante toda a vida pelo mesmo agiota, sem esboçar o mínimo gesto de revolta contra o homem que fez com que ela perdesse suas terras, suas jóias e seu marido. Em uma das últimas cenas, ela mata o próprio filho, que tentara assassinar o facínora – pois a honra da família deve ser salva a qualquer preço. "No Ocidente, o cinema popular é puro divertimento, enquanto que, na Índia, é impossível dissociá-lo da religião", ressalta Olivier Bossé, Professor do Institut National des Langues et Civilisations Orientales (Inalco), de Paris: "Os indianos não vão ao cinema para viver uma relação com a realidade; eles vão como se cumprissem um ritual, para se comunicar de maneira eficaz com o divino. É como uma peregrinação. A eficácia suprema do filme consiste em reafirmar a ordem do mundo. O que importa, por conseguinte, não é a luta do Bem contra o Mal, mas que cada um faça o seu dever". Reflexão endossada pelo pesquisador Emmanuel Grimaud : "No filme Prem Granth (O Livro do Amor, de Rajiv H. Kapoor, 1996), a heroína é estuprada ao cabo de 20 minutos. Este evento, que ocorre antes de ela encontrar o herói (o único legitimamente autorizado a tocá-la) foi rejeitado pelo público, que se retirou do cinema".

Roteiros para o dia-a-dia

A eficácia suprema do filme consiste em reafirmar a ordem do mundo. O que importa, por conseguinte, não é a luta do Bem contra o Mal, mas que cada um faça o seu dever

Assim, ao assistir a um filme, o espectador efetua os seus próprios cortes, compondo uma montagem pessoal que lhe permite encontrar respostas a seus problemas, dilemas e conflitos. Desta forma, cria para si uma reserva de roteiros nos quais busca inspiração para enfrentar as situações do dia-a-dia. Este contágio entre vida pessoal e cinema não se limita aos roteiros, mas abrange igualmente figurinos, cenários e, naturalmente, os próprios atores. A título de ilustração, Emmanuel Grimaud conta a história de Lakhan, pequeno vendedor de chá, admirador fanático do ator indiano Salman: "O fato de Salman ter sido preso por estar caçando ilegalmente em uma reserva suscitou uma reação por parte de Lakhan, que decidiu privar-se de cinema. Foi a maneira que encontrou de passar por uma provação com elementos cinematográficos e, assim, estabelecer uma correspondência com o que Salman estava vivendo". De forma mais prosaica, não é raro ouvir um grupo de estudantes falar do herói de um filme com a familiaridade que se costuma usar para falar de um colega de escola.
Nenhum outro país exacerbou tanto quanto a Índia esta extrema porosidade entre a vida real e o cinema. Comprovação: no Estado de Tamil Nadu, onde vida política e show business se confundem, o grande astro M. G. Ramachandran tornou-se Primeiro Ministro. Depois de sua morte, em 1987, sua viúva tentou suceder-lhe, mas foi derrotada pela jovem amante do finado, a atriz Jayalalitha que, desde então, reina em Tamil Nadu.
FOTO: Salman Khan
AVISO:
Amanhã, quarta-feira, começa o resumo detalhado da autobiografia escrita por Gandhi enquanto estava na cadeia.
464 página resumidas em somente 24 porém com riqueza de detalhes e citações em inglês retiradas diretamente do livro.
Um projeto ao qual estou dedicando bastante tempo, atenção e carinho.
Entre no blog Indiagestão amanhã, quarta-feira dia 23 e comece a acompanhar a autobiografia de Gandhi passo a passo. www.indiagestao.blogspot.in
Divulgue a seus familiares e amigos pois esta é uma oportunidade nunca vista antes em blog algum!!!!
Prestigie e divulgue.
Conto com vc e sua amizade.
Incredible India! (slogan do governo indiano)
Om Shanti