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29 agosto 2008

Os Bachchans

Namaskar

Apresento hoje para voce a familia de atores e atrizes - Bachchan


Amitabh Bachchan (o patriarca)

Ele casou-se com a atriz Jaya Bachchan

Jaya Bachchan


O casal teve um filho,
e deu-lhe o nome de Abhishek


Abhishek Bachchan

Abhishek casou-se com a atriz Ashwarya Rai

Ashwarya Rai

Ashwarya Rai agora chama-se

Ashwarya Bachchan


Esta eh a familia de atores e atrizes mais famosa de Bollywood.

Incredible Bachchans!

Om Shanti





Hari Puttar



Namaskar

Warner processa produtora indiana por filme de 'Hari Puttar'

Os estúdios Warner Bros, que produzem os filmes da série Harry Potter, estão processando a empresa produtora de cinema indiana Mirchi Movies pelo filme intitulado Hari Puttar - A Comedy of Terrors.

Segundo a revista The Hollywood Reporter, a Warner Bros afirma que o nome do filme indiano é muito parecido com os da série do bruxinho.

"Nós iniciamos recentemente os procedimentos contra as partes envolvidas na produção e na distribuição de um filme intitulado Hari Puttar", disse à The Hollywood Reporter a porta-voz da Warner Bros, Deborah Lincoln.

"A Warner Bros valoriza e protege os direitos de propriedade intelectual", afirmou. "No entanto, é nossa política não discutir publicamente os detalhes de qualquer processo litigioso em andamento."

Há informações de que o caso irá a julgamento em Mumbai, onde fica a sede da Mirchi Movies.


Microchip secreto

Hari Puttar tem estréia prevista para 12 de setembro na Índia.
O filme, dirigido por Rajesh Bajaj e Lucky Kohli, conta a história de um menino de 10 anos de idade que se muda para a Inglaterra com seus pais e acaba se envolvendo em uma batalha por um microchip secreto.

Hari é um nome comum na Índia, e Puttar significa filho em Punjabi.
"Nós registramos o título Hari Puttar em 2005 e é uma pena que a Warner tenha decidido iniciar um processo tão perto da estréia do filme", disse à The Hollywood Reporter o representante da Mirchi Movies, Munish Purii.

"Eu não acho que nosso título tenha qualquer semelhança ou relação com Harry Potter", completou.
Há duas semanas a Warner Bros anunciou que a estréia do novo filme da série, Harry Potter e o Enigma do Príncipe, foi adiada em oito meses, para julho de 2009.

Incredible India!

Om Shanti

06 maio 2008

Peixaria na India



Incredible India! (slogan do governo indiano)

Om Shanti e Ahimsa


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19 dezembro 2007

Provoked (filme)


Namaste

O filme está nas locadoras brasileiras. Abaixo segue a sinopse:

Provoked, produção inglesa com pé na Índia, é uma história que infelizmente acontece diariamente em todo o mundo. Não é de se espantar que seja baseado numa história real. Kiranjit (a bela Aishwarya Raí) saiu da Índia para se casar com Deepak (Naveen Andrews), não demora muito para que os primeiros atritos aconteçam: é a roupa ocidental, uma dança com o amigo... Foram 10 anos numa rotina de agressões, traições, submissão e estupros. Desesperada, Kiranjit ateia fogo no marido, que acaba morrendo no hospital.

O filme começa exatamente com Deepak pegando fogo e a prisão de uma desorientada e confusa Kiranjit. As agressões vêm em flashbacks, mas não é preciso fazer esforço pra saber o que ela sofreu. Durante toda a primeira metade do filme, Kiranjit quase não tem voz, conseqüência da violência que sofreu e o trauma de ser separada dos dois filhos. Tudo piora com um injusto julgamento que a condena para o resto da vida. Paralelamente, um grupo de Defesa da Mulher acompanha o caso e decide intervir e apelar por um novo julgamento.

Ironicamente, é na prisão que Kiranjit encontra a liberdade. Ao lado da companheira de cela Verônica (Miranda Richardson), ela aprende a se impor e deixar a vergonha para trás. Em momento algum o filme absolve Kiranjit de ter matado seu marido, apenas abraça as inúmeras mulheres que sofrem com a violência de homens que juraram amor eterno. Já no final, Kiranjit diz que são as mães quem criam seus filhos, então cabe a elas ensinar o respeito às mulheres. A mãe de Deepak testemunhou os ataques do filho, mas em julgamento, desmentiu as acusações da nora.

Apesar da história forte, Provoked é um filme mediano. Assemelha-se muito aos filmes feitos para a televisão. Alguns diálogos são artificiais, há redundância em certas cenas e sempre foca os grandes olhos verdes de Aishwarya (o que não é tão ruim assim), contudo vale assistir. Seja por ser um relato inspirador, seja para nos lembrar que alguém próximo pode estar sofrendo as mesmas coisas.

Provoked: A True Story.

Direção: Jag Mundhra.

Ano: 2006.

Trailer: http://www.youtube.com/watch?v=GnnzZ02nuAM

Colaborou: Alexandre Anan

Incredible India!

Om Shanti

04 julho 2007

Comendo com os mortos









Namaskar

Esta é do G1

Restaurante indiano tem caixões entre as mesas e cadeiras

São 22 tumbas muçulmanas espalhadas pelo local. Por dia, o restaurante recebe 300 clientes.

Freqüentadores de um restaurante na cidade indiana de Ahmedabad, no oeste do país, têm companhias nada convencionais na hora de comer e beber: mortos.

Entre as mesas do local, existem 22 caixões muçulmanos. Trezentos por dia, os clientes do restaurante parecem não se importar com a "decoração" e se comportam como se nada de anormal estivesse perto da mesa onde se alimentam.

FOTOS:
Um cliente espera a comida chegar, perto de algumas das 22 tumbas do restaurante. (Reuters)

Os caixões em nada atrapalham o movimento: são 300 clientes por dia. (Reuters)

Clientes comem ao lado de tumbas. (Reuters)

Colaboraram: Valmir, Júlio e Bhava

***
Se você estiver desempregado por ai, venha para a Ásia e torne-se um pedinte.
Veja quanto os pedintes ganham por DIA aqui:

Tailândia..........700 Rupias
Índia...........800 Rupias
China.............2.100 Rupias
Paquistão......2.500 Rupias

***

Dicas de livros e filmes da Carol Parisi:

Ando me preparando para a viagem e alem do Indiagestao, li 3 livros ótimos sobre a Índia:

"Expresso para a Índia" de Airton Ortiz,como se fosse um guia, bem realista, conta a viagem que ele fez de trem pela Índia, muito bacana.

"Paixão Índia" de Javier Moro,conta a historia do marajá e da princesa de Kapurthala.... lindo, um conto de fadas real.

"A distancia entre nós" de Thrity Umrigar, conta a estória de duas mulheres indianas, uma hindu pobre e uma parsi rica.
Este livro é MUITO bom, eu (Sandra) li o original em inglês e recomendo, pois mostra bem claro a realidade feminina indiana.

Agora tem 2 filmes passando aqui no Brasil sobre a Índia: Nome de Família e Depois do Casamento.

Incredible Índia!

Om Shanti

03 julho 2007

Respostas

Nâmaskar

Hoje é dia de Respostas.

Vou começar primeiramente mandando beijos e muito carinho para os seguintes leitores:
Bat biscate, Fada Fabiola, Lu, Barbara, Kaká, Débora, Pedro, Carol Parisi, Liliana, Paola, Daniel Tonet, Elci Camargo, Paulita portuguesa, Luís, Thonia, Angel, Gladys, Lana, Cris, Renato, Bhavazen, Rose, Anabelle, Bulma e Mamys, Claudia, Gleice, Camila, Lakshimi, Valmir, Adriana, Elaine Predis, Marlene, Japão, e a TODAS as 61 pessoas que participaram da votação a respeito do layout do Indiagestão. Beijocas com sabor de massala para todos vocês e MUITO obrigada pela participação!!

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Pedro: Tenho gostado muito de suas dicas sobre livros e filmes.

A vida de vaca (animal) não é fácil aqui não. Elas se alimentam só de lixo e tem as pernas todas machucadas dos carros baterem nelas.

Aguarde a postagem sobre ANIMAIS NO HINDUISMO para saber mais sobre os bovinos indianos.

Pedro, aquele links sobre a mulher apanhando do marido que eu coloquei no blog foi retirado do ar, mas tem estes aqui que explicam a lei do alcorao que permite bater na mulher e as regras de como bater nela.

http://youtube.com/watch?v=cKYjCeXmz6w

http://youtube.com/watch?v=wh7qiO3Ygnk&mode=related&search=

http://youtube.com/watch?v=iWGA8i6scYY&mode=related&search=

http://youtube.com/watch?v=Wp3Eam5FX58&mode=related&search=

Liliana: A boa filha a casa torna. Fico feliz que você esteja de volta, pois você sempre faz falta com suas colaborações e comentários inteligentes. Seja bem-vinda novamente!!!! Eu estou bem.

Daniel Tonet: No norte e nordeste do Brasil as plantações de Nim indiano vão de vento em popa. Há fornecedores de mudas de Nim SIM, aí no Brasil e grandes lucros estão sendo obtidos com esta plantação pois até as folhas secas que caem ao solo são vendidas por 4 Reais o quilo. Por favor leia a postagem do dia 26 de março deste ano.

Agradeço MUITO por você estar divulgando o Indiagestão, fico feliz que você esteja gostando do blog. Veja as postagens sobre Ioga, sei que você vai gostar, são todas do mestre Ram Dev, para o qual eu fiz um trabalho que não vem ao caso agora. Muitas curas tem sido obtidas ao longo dos anos com estas antigas técnicas iogues.

Marlene: Infelizmente a corrupção na Índia é uma das piores aqui na Ásia, a religião em seu verdadeiro sentido, está sendo esquecida rapidamente nos últimos 30 anos, segundo os próprios indianos. Quando eu aqui cheguei em 1999, a coisa já estava degringolada; vim esperando uma coisa e descobri outra completamente diferente :(

Não creio que os filmes da Deepa Mehta tenham sido traduzidos ou legendados para o português. Você precisa de legenda Marlene, pois os filmes são bem feitos e da bem para entender só de ver as imagens, além do que há meu comentário sobre eles no blog.
O filme Water ainda da para encontrar ai no Brasil pois concorreu ao Oscar, mas os outros não creio que você encontre.

Om Shanti


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03 junho 2007

Mahatma Gandhi - Parte Dos

Filme sobre Gandhi com legenda em espanhol.

27 maio 2007

Gandhi (part 1)

Assista a introdução do filme Gandhi, vencedor de 9 Oscars.

23 maio 2007

Autobiografia de Gandhi - Parte 1


























Namaskar


Eu sempre gostei de ir direto a fonte ou pelo menos o mais próximo desta possível, assim sendo, resolvi que já era chegada a hora de ler a autobiografia escrita por Mohondas K. Gandhi, ou Mahatma Gandhi como era mais conhecido. Nada melhor do que conhecer a pessoa segundo suas próprias palavras.

Te convido para “ler” junto comigo e me acompanhar nesta descoberta sobre a vida deste homem tão importante para a história da independência da Índia. Antes porém, te peço um favor, vá a uma locadora e alugue o DVD GANDHI. Assista ao filme prestando muita atenção em tudo, com certeza este filme irá te ajudar a entender melhor esta figura humana tão peculiar que foi Mohondas Karamchand Gandhi.

Eu confesso que já gostava de Gandhi, e após ler sua autobiografia, passei a admirá-lo ainda mais. Ele, como eu, acredita na verdade e isso fica muito claro em sua autobiografia do princípio ao fim. Omitir, SIM, mentir, NÃO.

Gandhi escreveu sua autobiografia em sua língua nativa, Gujarati. Sua autobiografia foi publicada em 2 volumes, o primeiro em 1927 e o segundo em 1929. Nós vamos ler a tradução em inglês feita diretamente do original em 1940 pelo senhor Mahadev Desai.
O livro chama-se UMA AUTOBIOGRAFIA OU A ESTÓRIA DE MINHAS EXPERIÊNCIAS COM A VERDADE.



Foi devido a pedidos de amigos que Gandhi concordou em escrever sua autobiografia. Ele na verdade não considerou a obra como uma autobiografia mas sim como a estória de seus inúmeros experimentos com a verdade. Uma coisa é certa, embora Gandhi tenha omitido algumas coisas, ele não mentiu em nada do que escreveu e o livro é totalmente honesto, sincero e VERDADEIRO. Ele inclusive não se poupou e fez pertinentes autocríticas.

***


Gandhi menciona já na primeira página da Introdução, seu hábito de observar 1 dia de silêncio. Gandhi praticava o silêncio durante 1 dia por semana. Neste dia, ele não falava com ninguém e se comunicava somente através da escrita por meio de bilhetes. Era um dia de interiorização, um dia para se auto analisar e para comungar com Deus. “...silence is part of the spiritual discipline of a votary of truth.” O silêncio é parte da disciplina espiritual de um devoto da verdade.


Na segunda página ele deixa claro que não gostava nem um pouco do título de Mahatma (Grande alma) que haviam lhe dado e que na verdade este título lhe doía “... the title has deeply pained me...”


O grande objetivo de sua vida era encontrar com Deus face a face e alcançar a auto-realização. What I want to chive is self-realization, to attain Moksha.


Moksha significa o fim do ciclo de morte e reencarnação, ou seja, ele buscava a Salvação em linguagem cristã.


Gandhi acreditava fervorosamente que Deus é Verdade, verdade absoluta. “I worship God as Truth only…Absolute Truth”.


E Gandhi termina a Introdução do livro dizendo que não vai esconder as feias verdades que precisam ser ditas. Portanto se você não gostar de alguma parte da autobiografia de Gandhi, não fique bravo comigo, reclame para Gandhi, pois foi ele quem escreveu o livro!!

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No capítulo, NASCIMENTO E PAIS, ele explica ser da casta Bania que originalmente eram vendedores de alimentos mas que nas 3 últimas gerações eles se tornaram Primeiro Ministros de estados.

Seu pai era conhecido como Kaba Gandhi e foi primeiro Ministro de Porbandar, Rajkot e Vankaner (antigos estados feudais). Kaba Gandhi casou-se 4 vezes e sua última esposa, cujo nome era Putlibai teve 4 filhos, 1 menina e 3 meninos, sendo que o caçula era Mohondas K. Gandhi (o “nosso” Gandhi).

Gandhi nasceu em Porbandar no estado de Gujarat no dia 2 de outubro de 1869.Durante a infância Gandhi diz ter sido muito tímido e evitava a companhia das pessoas. Seus livros, e as lições de casa da escola eram suas únicas companhias.

Certa vez assistiu a uma peca de teatro chamada Harishchandra que o influenciou muito em suas crenças e convicções e a qual jamais esqueceu.

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No capítulo CASAMENTO INFANTIL Gandhi deixa claro seu horror e a raiva que sentia por seu pai te-lo obrigado a casar-se com apenas 13 anos de idade enquanto ainda estava estudando.

Kaba Gandhi, resolveu fazer um casamento “em massa” para os filhos, ou seja, casou Gandhi de 13 anos de idade, um primo de 14 anos e o segundo irmão de Gandhi de 15 anos de idade (o irmão mais velho já havia casado antes), todos de uma só vez para economizar. (E isso que os Gandhis não eram pobres).

O que realmente magoou Gandhi foi o fato de não ter sido informado sobre seu próprio casamento. Ninguém lhe avisou que iria se casar. Seu pai, Kaba Gandhi, tomou a decisão e pronto! Foi só quando começaram os preparativos para o casamento que Gandhi descobriu que ele iria se casar. “... I should severely criticize my father for having married me as a child.” Gandhi criticou seu pai por seu casamento infantil, assim como criticou toda a sociedade indiana por esta prática tradicional. O casamento infantil faz parte da cultura indiana e sobre o qual já escrevi repetidas vezes neste blog.


FOTOS: Capa da autobiografia e Gandhi quando criança

Continua amanhã....

www.indiagestao.blogspot.com 


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22 maio 2007

Cinema Indiano - Parte Final


Namastê

O cinema como religião – Parte Final

Os mistérios da relação passional dos indianos com seu cinema, que atrai diariamente cerca de 15 milhões de pessoas, e fez com que nenhum outro país tenha exacerbado tanto a extrema porosidade entre a vida real e o cinema

Peregrinação cinemtográfica

Os indianos não vão ao cinema para viver uma relação com a realidade; eles vão como se cumprissem um ritual, para se comunicar de maneira eficaz com o divino

Como observa Bhaskar Ghose em um texto intitulado "Imaginário e Ícones ", "alguns filmes abordaram temas como a pureza, a injustiça ou até a discriminação por casta e tiveram grande sucesso. Mas esse sucesso não parece se dever à análise das condições sociais ou das relações humanas, mas à utilização dessas condições sociais com o intuito de despertar o interesse do público. Achhut Kanya ("O Intocável", de Franz Osten, 1936) não questiona o sistema de castas, mas vale-se do apelo emocional que ele representa. Do Bigha Zameen ("Dois hectares de terra", de Bimal Roy, 1953) recorre à pobreza e à injustiça de maneira idêntica (…). Esses filmes não suscitam nem introspecção nem resposta a perguntas constrangedoras – apenas exigem do espectador que participe do drama e do patético que eles apresentam".
Poderíamos levar o raciocínio ainda mais longe e afirmar que a suposta neutralidade dos filmes indianos (valer-se do "apelo emocional" da pobreza, da fome e de outras chagas sociais) não passa de uma fachada e que eles constituem, pelo contrário, o vetor mais eficaz do status quo social.
A heroína de Mother Índia (de Mehboob Khan, 1957) é martirizada durante toda a vida pelo mesmo agiota, sem esboçar o mínimo gesto de revolta contra o homem que fez com que ela perdesse suas terras, suas jóias e seu marido. Em uma das últimas cenas, ela mata o próprio filho, que tentara assassinar o facínora – pois a honra da família deve ser salva a qualquer preço. "No Ocidente, o cinema popular é puro divertimento, enquanto que, na Índia, é impossível dissociá-lo da religião", ressalta Olivier Bossé, Professor do Institut National des Langues et Civilisations Orientales (Inalco), de Paris: "Os indianos não vão ao cinema para viver uma relação com a realidade; eles vão como se cumprissem um ritual, para se comunicar de maneira eficaz com o divino. É como uma peregrinação. A eficácia suprema do filme consiste em reafirmar a ordem do mundo. O que importa, por conseguinte, não é a luta do Bem contra o Mal, mas que cada um faça o seu dever". Reflexão endossada pelo pesquisador Emmanuel Grimaud : "No filme Prem Granth (O Livro do Amor, de Rajiv H. Kapoor, 1996), a heroína é estuprada ao cabo de 20 minutos. Este evento, que ocorre antes de ela encontrar o herói (o único legitimamente autorizado a tocá-la) foi rejeitado pelo público, que se retirou do cinema".

Roteiros para o dia-a-dia

A eficácia suprema do filme consiste em reafirmar a ordem do mundo. O que importa, por conseguinte, não é a luta do Bem contra o Mal, mas que cada um faça o seu dever

Assim, ao assistir a um filme, o espectador efetua os seus próprios cortes, compondo uma montagem pessoal que lhe permite encontrar respostas a seus problemas, dilemas e conflitos. Desta forma, cria para si uma reserva de roteiros nos quais busca inspiração para enfrentar as situações do dia-a-dia. Este contágio entre vida pessoal e cinema não se limita aos roteiros, mas abrange igualmente figurinos, cenários e, naturalmente, os próprios atores. A título de ilustração, Emmanuel Grimaud conta a história de Lakhan, pequeno vendedor de chá, admirador fanático do ator indiano Salman: "O fato de Salman ter sido preso por estar caçando ilegalmente em uma reserva suscitou uma reação por parte de Lakhan, que decidiu privar-se de cinema. Foi a maneira que encontrou de passar por uma provação com elementos cinematográficos e, assim, estabelecer uma correspondência com o que Salman estava vivendo". De forma mais prosaica, não é raro ouvir um grupo de estudantes falar do herói de um filme com a familiaridade que se costuma usar para falar de um colega de escola.
Nenhum outro país exacerbou tanto quanto a Índia esta extrema porosidade entre a vida real e o cinema. Comprovação: no Estado de Tamil Nadu, onde vida política e show business se confundem, o grande astro M. G. Ramachandran tornou-se Primeiro Ministro. Depois de sua morte, em 1987, sua viúva tentou suceder-lhe, mas foi derrotada pela jovem amante do finado, a atriz Jayalalitha que, desde então, reina em Tamil Nadu.
FOTO: Salman Khan
AVISO:
Amanhã, quarta-feira, começa o resumo detalhado da autobiografia escrita por Gandhi enquanto estava na cadeia.
464 página resumidas em somente 24 porém com riqueza de detalhes e citações em inglês retiradas diretamente do livro.
Um projeto ao qual estou dedicando bastante tempo, atenção e carinho.
Entre no blog Indiagestão amanhã, quarta-feira dia 23 e comece a acompanhar a autobiografia de Gandhi passo a passo. www.indiagestao.blogspot.in
Divulgue a seus familiares e amigos pois esta é uma oportunidade nunca vista antes em blog algum!!!!
Prestigie e divulgue.
Conto com vc e sua amizade.
Incredible India! (slogan do governo indiano)
Om Shanti

12 maio 2007

Cinema Indiano - Parte II


Namastê

O cinema como religião – Parte II

Os mistérios da relação passional dos indianos com seu cinema, que atrai diariamente cerca de 15 milhões de pessoas, e fez com que nenhum outro país tenha exacerbado tanto a extrema porosidade entre a vida real e o cinema

Texto de: Elisabeth Lequeret

Fusão do tradicional com o “moderno”

Os filmes recorrem constantemente a elementos da cultura tradicional que, por sua vez, se nutrem amplamente dos filmes

A originalidade, principal virtude de um roteiro ocidental, na verdade faria afugentar os indianos. Escrito em 1917 pelo romancista bengalês Saratchandra Chatterjee, Devdas relata o amor trágico do filho de um zamindar (proprietário de terras) e de uma jovem de casta baixa. Este magnífico melodrama, que se tornou um clássico da literatura, inspirou "apenas" 17 adaptações cinematográficas (entre as quais, em 1955, a sublime Devdas, de Bimal Roy, bem como a realizada em 2002 por Sanjay Leela Bhansali, com Aishwarya Rai, Miss Mundo 1994, no papel principal), mas seu enredo foi o ponto de partida para a trama de um número incalculável de obras de ficção.

Na Índia, os filmes recorrem constantemente a elementos da cultura tradicional que, por sua vez, se nutrem amplamente dos filmes. Neste tonel em que se fundem continuamente culturas regionais tradicionais e temas ocidentais "modernos", o psicanalista Sudir Kakar3 vê, inclusive, "a principal fôrma de uma cultura pan-indiana nascente. (…) O cinema abrange um público tão variado, que acaba transcendendo as categorias sociais e geográficas. Como alcançam, diariamente, cerca de 15 milhões de pessoas, a linguagem e os valores cinematográficos ultrapassaram, há muito tempo, as fronteiras da civilização urbana e impregnaram a cultura popular rural (…). Quando uma dança popular regional ou uma figura musical particular, como o bhajan ou canto sagrado tradicional, transpõem as portas de um estúdio de Madras, são transformados em dança de filme ou em bhajan de filme, através do acréscimo de elementos musicais e coreográficos de outras regiões, ou até de países ocidentais. Exibido, em seguida, em tecnicolor e som estereofônico, o original transforma-se em algo totalmente diferente. Da mesma forma, as situações, os diálogos e os cenários cinematográficos começaram a colonizar o teatro popular indiano. Até a iconografia tradicional de estátuas e imagens cultuais presta homenagem a representações dos "deuses" e das "deusas" do cinema".

Relação passional

Cada indiano se identifica com as personagens a ponto de esquecer, durante o tempo que dura uma sessão, seus problemas e infortúnios pessoais

Esses incessantes intercâmbios, sinais de uma verdadeira forma artística popular, não bastam para explicar a relação passional do público com o seu cinema. Ópio do povo? O fato de que cada indiano se identifica com as personagens a ponto de esquecer, durante o tempo que dura uma sessão, seus problemas e infortúnios pessoais constitui uma evidência. Da mesma forma, há certamente uma parte de verdade nas teorias que associam o fenômeno da projeção de um filme ao conceito de darsan – visão "mútua e benéfica", segundo a qual é possível tirar benefícios do simples fato de ver a imagem santa de uma divindade ou personalidade importante e, simultaneamente, ser "visto" por ela. Embora justifiquem o imenso sucesso do cinema, essas hipóteses não conseguem, contudo, explicar a relação passional dos indianos para com os seus filmes. (Tente dizer para um indiano que você não gosta dos filmes deles para ver só o que te acontece)!!

O psicanalista Sudir Kakar lembra-se de um "sistema de castas cinematográficas" que, durante sua infância, em Punjab, atribuía a pior classificação aos filmes de aventuras realizados com dublês – versão local dos filmes de kung fu –, enquanto que os filmes mitológicos e históricos ocupavam o mais alto grau da hierarquia cinematográfica. De maneira análoga, as soluções (deus ex machina, peripécias de última hora, etc.) que, em razão da obrigatoriedade do final feliz, selam a vitória final da viúva e do órfão contra o infame subornador, constituem a marca desta implacável cultura que tolera todos os excessos, desde que não perturbem as hierarquias tradicionais. Na verdade, o que caracteriza o cinema indiano não é tanto o fato de ser ou não o "ópio do povo" nem o caráter kitsch ao qual Bollywood geralmente se limita, mas sim a marca de um sistema que designa para cada ser e cada objeto um lugar ao qual eles são obrigados a resignar-se. Tudo o que vier ameaçar esta ordem é considerado como uma transgressão ao realismo.

Leia mais sobre o cinema indiano em uma próxima postagem.

Incredible India! (slogan do governo indiano)

Om Shanti

04 maio 2007

Cinema Indiano


O cinema como religião

Os mistérios da relação passional dos indianos com seu cinema, que atrai diariamente cerca de 15 milhões de pessoas, e fez com que nenhum outro país tenha exacerbado tanto a extrema porosidade entre a vida real e o cinema

Texto de: Elisabeth Lequeret

Um cinema qualquer, num bairro popular de Madras, no sudeste da Índia. Imenso (mais de mil lugares), como a maioria das 20 mil salas de projeção do país. E repleto. Naquela tarde, ninguém quer perder Pennin Manadai Thottu (literalmente: "Toque o coração de uma mulher"), sucesso cinematográfico cuja trilha sonora invadiu, há várias semanas, as ruas da capital do Estado de Tamil Nadu. Um domingo como tantos outros num cinema na Índia…

Para além do aspecto pitoresco, a situação é representativa da relação que os indianos cultivam com o cinema nacional, na qual o mais intenso fervor convive com o que poderia ser interpretado como impertinência por um observador ocidental, habituado ao silêncio religioso e à penumbra das salas de projeção. Na Índia o povo reage e praticamente interage com o filme.

Ruídos, murmúrios, movimento incessante – quem quer que tenha assistido a uma projeção em Bombaim, Madras ou Bangalore (os três pólos cinematográficos do subcontinente) deve lembrar-se da intensa vida das salas de cinema: comunhão geral e murmúrios de aprovação quando o "mocinho" dá uma lição no rival com um chute certeiro; aplausos quando um pai humilhado dá uma magistral bofetada – finalmente – em sua filha indigna; emoção e fervor nas cenas de canto e dança, revividas pela platéia em transe que, sem hesitar, interpela, parabeniza ou repreende os atores.

Feira de imagens

Se o cinema se tornou a diversão preferida dos indianos é igualmente porque incorpora o fantástico da cosmogonia hindu, restituindo-o depois de operar uma reformulação

A razão de o cinema fazer parte da cultura indiana é, sem dúvida, seu caráter impuro. Desde o início, os indianos adotaram – e adoraram – esta arte capaz de unir, em três horas, representação e narração, dança e música, romance íntimo e calor épico.

O cinematógrafo chegou em Bombaim, a cidade mais ocidentalizada do país. Maurice Sestier, representante dos irmãos Lumière, organizava, no dia 7 de julho de 1896, a primeira sessão de projeção no luxuoso hotel Watson e, mais tarde, no teatro Novelty, no centro da cidade. Poltronas de luxo e assentos baratos, uma cortina para resguardar as espectadoras da curiosidade masculina e uma grande orquestra – que, já naquela época, acompanhava o espetáculo – foram os ingredientes de um sucesso imediato. "A indústria cinematográfica está tão intimamente associada à cultura do nosso país que, cem anos depois da invenção dos irmãos Lumière, os indianos não concebem o cinema como algo que tenha vindo do exterior", confirma o produtor Suresh Jindeel 2. Indianos não admitem que nada tenha vindo do exterior, inclusive a pimenta verde tão comumente usada.

Diversão preferida

A originalidade, principal virtude de um roteiro ocidental, na verdade faria afugentar os indianos

Se o cinema se tornou a diversão preferida dos indianos é igualmente porque incorpora o fantástico da cosmogonia hindu, restituindo-o depois de operar uma reformulação. Cada filme é vivido como uma longa viagem (que dura, na maioria das vezes, mais de três horas e, em todos os casos, sempre mais de duas), na qual se embarca com verdadeiro deleite rumo a obras de ficção que surrupiam, sem escrúpulos, o patrimônio mitológico e lendário. Aliás, a indústria cinematográfica de Mumbai deve aos filmes mitológicos seus primeiros grandes sucessos populares, em particular Raja Harishchandra ("O rei Harishchandra", de Dadasaheb H. Phalke, 1912), primeira ficção nacional.

Este gênero praticamente desapareceu, mas um grande número de roteiros continua a inspirar-se livremente nos grandes épicos tradicionais Ramayana e Mahabharata, entre os quais Rudraksha, versão "ficção científica" de Mahabharata lançada em 2004 pelo produtor Nitin Manmohan. Da mesma forma, o casal recorrente (a moça jovem que cultiva uma devoção inabalável a um amante romântico, passivo e pueril) inspira-se tanto em Majnoun e Leila (o casal mais célebre da literatura árabe) como na cultura indo-persa e na poesia viraha (em sânscrito e em tamil).

Leia mais sobre o cinema indiano em uma próxima postagem.

FOTO: ator indiano Hrithik Roshan

Incredible India! (slogan do governo indiano)

Om Shanti

03 maio 2007

Elizabeth Hurley & Roubo de vasilha


Namastê

Elizabeth Hurley e o marido podem ser presos na Índia

Parece que a lua-de-mel acabou para Elizabeth Hurley e seu marido, o indiano Aun Nayar. Como se não bastasse o sogro da atriz criticá-los pela boda suntuosa que ofendeu a sua comunidade, o casal vai sentar no banco dos réus para responder por terem quebrado várias tradições hindus, durante os festejos de seu casamento na Índia.

As leis daquele país poderiam levar o casal à prisão, caso eles sejam considerados culpados de vários agravantes. Um tribunal da Índia vai escutar esta semana testemunhas sobre o casamento de Hurley e Nayar na cidade de Jodpur.
Os residentes do lugar tomarão ações legais por eles terem insultado as tradições, bebendo álcool antes dos ritos religiosos; beijando-se perto do fogo sagrado, sentando-se em um sofá ao invés do chão. E também porque Liz usou sapatos de couro quando na Índia as vacas são sagradas.

Se Elizabeth Hurley e Arun Nayar forem considerados culpados por insultar a religião, poderiam passar até três anos na prisão.


Ainda bem que não me casei nos ritos hindus. Todo estrangeiro que casa aqui se dá mal, esta não é a primeira vez e nem será a última.
Eu já evitei problemas dispensando a cerimônia hindu visto que não sou hindu e que portanto não teria nenhum significado religioso para mim.
Penso que esta perseguição desencabida contra Richard Gere e Elizabeth Hurley demonstra o ódio causado pela inveja que os indianos tem para com os ocidentais.

FOTO: Adorei esta foto!! Observe que o Nayan está frente e a Elizabeth está andando atrás dele. Isso é a regra aqui na India. Os homens vão na frente e as mulheres vao atrás.

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A Solaris Pictures http://www.solarispictures.com/ye.htm acaba de lançar mais um filme com a temática gay.
O filme chama-se “Yours Emotionally”. Para maiores detalhes acesse http://www.yoursemotionally.com/
Este é o segundo filme gay indiano de que tenho notícia; o primeiro foi Gulabi Aaina, cujo tema já foi publicado neste blog em 2006.
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Como você já sabe eu amo gatos.
Apesar de ter meu Tigu lindo, tenho pena dos poucos gatos de rua que ainda restam neste país. Assim sendo, tenho colocado comida para um gatinho de rua.
Deixo a vasilha dele do lado de fora de casa, no quintal da frente, juntamente com uma vasilha com água pois neste verão de 45 graus, creio que ele também sente sede.
Agora imagine minha indignação quando abriram o portão, entraram no quintal e tentaram roubar a vasilha do gato!!!!!!!!!!!!!!
NãO, não foi a comida que tentaram roubar, mas sim a vasilha em si, pois esta é feita de alumínio. Você não sabe, mas aqui na Índia o pessoal não usa louça, usam só alumínio. Pratos, copos, vasilhas, tudo é de alumínio.
Não levaram a vasilha embora pois ouviram o barulho da porta abrindo e jogaram a vasilha no chão. Fui lá peguei a vasilha, lavei e a substitui por um potinho velho de plástico caindo aos pedaços. Será que vão querer roubar também????? Sei lá, afinal aqui é Índia, um lugar onde tudo pode acontecer...
Incredible Índia! (slogan do governo indiano)
Om Shanti

30 abril 2007

Fim de Semana


Namastê

O fim de semana foi violento aqui na Índia.

Em Jaipur, no domingo, após o culto, o pastor Walter Masih foi espancado até quase a morte por 20 rapazes hindus mascarados que utilizaram pedaços de pau, porrete e instrumentos pontiagudos. O pastor está no hospital entre a vida e a morte.

Após o culto o pastor havia ido para casa almoçar com sua esposa e filha de 9 anos quando tocaram a campainha, ele abriu a porta para ver quem era e os rapazes mascarados já foram entrando e sentando porra e paulada no pastor. A esposa e a filha presenciaram tudo e estão em estado de choque.

O ataque deve-se ao fato do pastor na semana passada ter tentado fazer uma reunião de todos os cristãos (revival meeting). Mas os hindus cortaram os fios do microfone e caixas de som.

Ataques a pastores, padres, freiras em fim, cristãos em geral, é algo comum na Índia e pelo menos 1 dezena morre todos os anos por aqui. O governo indiano já proibiu a vinda de missionários mas eles continuam vindo as escondidas assim mesmo. Ser cristão é correr risco de vida por aqui. Eu as vezes saio as ruas com minha pequena cruz pendurada no pescoço, mas só faço isso em alguns lugares de Delhi, ainda quero escrever mais um pouco no Indiagestão ;)

***

4 indianos morreram em explosão no Iraque, que matou 70 pessoas em Baghdad.

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Deepak Behal um vendedor de sapatos de 24 anos de idade empurrou a noiva Mukta Chandolia do 5º andar da casa da moça 1 dia antes do casamento. Mikta morreu.

Deepak e sua mãe haviam ido a casa da noiva levar alguns presentes segundo o que manda a tradição hindu. A família da moça já havia dado 10 mil Rúpias para Deepak mas ele disse que era pouco e queria um dote de pelo menos 500 mil Rúpias. Houve então uma negociação e Deepk abaixou o dote para 300 mil Rúpias. Indignada, a moça subiu para seu quarto dizendo que não queria mais casar, Deepak a seguiu, bateu nela e a empurrou para sua morte.

O dote mata mais moças na Índia do que você possa imaginar. A lei proíbe o dote, mas a prática continua. Centenas de moças são assassinadas e mau tratadas por causa do dote. E é também por causa do dote que os pais de meninas as matam e cometem fetocídio. Ninguém quer ter filha mulher pois sabe que quando a dita cuja crescer terá que arcar com as despesas do casamento e principalmente com o famigerado dote. Matando as meninas ao nascerem, corta-se o mau pela raiz.

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Delhi, a capital do estupro mostra sua face novamente.

Desta vez o estupro aconteceu no famoso PALIKA BAZAR o shopping subterrâneo do CP (coração de Delhi). Todo turista que vem a Delhi vai ao CP e aproveita para fazer compras no Palika Bazar. Eu mesma já estive inúmeras vezes lá e já levei muitas brasileiras lá.

No sábado, ao meio-dia, dois rapazes que trabalham como vendedor na loja n.º 45 do Palika entraram no quarto de provas onde uma moça de 23 anos, mãe de família, estava experimentando uma roupa e a estupraram consecutivamente em rodízio por mais de 1 horas.

Os estupradores, Ashok e Narendra de 22 anos foram presos e vão responder processo por estupro coletivo (gang rape).

***

Inspirado no caso do beijo que Richard Gere deu em Shilpa, o juiz HK Shivastava chamou Aishwaria Rai e Hrithik Roshan para deporem dia 30 de maio em um caso de obscenidade por um beijo que eles deram no filme Dhoom 2 o primeiro filme indiano feito no Brasil (Rio de Janeiro), no ano passado.

Isto me faz lembrar que em 2001 um grupo de pessoas defensora da moral indiana queriam que todos os casamentos feitos nos filmes fossem considerados legais.

Segundo a tradição, aqui ninguém casa no papel, legalmente. São todos simplesmente amasiados pois o que importa para os indianos é o ritual religioso e mais nada. Casando no religioso já é o suficiente. Assim sendo, o grupo de defensores da moral entendem que as cenas dos filmes que mostram o casamento entre dois personagens, deve ser considerado legal e como os atores fizeram no filme todos os rituais de casamento, isso significa que estão legalmente casados!!!

Hehehehehe divertido, porém faz sentido e eu concordo! Sério mesmo. Acho um absurdo os indianos não casarem no civil, terem mais de uma esposa e depois ficarem falando mau dos ocidentais como fazem, dizendo que somos todos depravados etc. Promíscuos são eles que “casam” com crianças, com mais de uma esposa, que dividem ou alugam a esposa etc. Nem para ter a decência de casar no civil. E isto inclui TODOS, não é só hindu não.

Incredible Índia!!!!!

Om Shanti

24 abril 2007

Roteiro para o filme WATER


Nâmaskar

Hoje vou contar o enredo do excelente filme WATER, escrito e dirigido pela fantástica cineasta indiana Deepa Mehta. Esse filme é de 2005 e os atores principais são John Abraham e Lisa Ray, ambos muito bonitos e talentosos.

O filme chama-se WATER, traduzindo - Água. E faz parte da série Fire, Earth, Water (Fogo, Terra, Água). O DVD possui legenda em inglês e francês, pois foi lançado no Canadá.

O filme começa com a seguinte citação:
“Uma viúva deve sofrer prolongadamente até sua morte, auto-contida e casta. Uma esposa virtuosa que se mantém casta quando seu marido morre vai para o céu. Uma mulher que é infiel a seu marido renasce no ventre de um chacal”.
As Leis de Manu
Capítulo 5 versículos 156-161
Dharamshastras (Textos Sagrados Hindus)

A estória é de uma menina que casada com um homem muito mais velho e fica viúva aos 7 anos de idade. O filme se passa em 1938, época em que Mahatma Gandhi tenta introduzir na Índia idéias de liberdade, igualdade, fim do sistema de castas e da discriminação.

ROTEIRO para assistir ao filme:

Já logo na primeira cena você vê o marido moribundo ADULTO, sendo levado em uma carroça para a cidade de Veranasi, onde os hindus ficam esperando morrer, pois segundo a crença hindu, quem morre lá não precisa re-encarnar novamente. A esposa do moribundo, uma menina de 7 anos de idade cujo nome é Chuyia, acompanha o marido na carroça juntamente com seu pai e sua sogra.

O marido falece e passa a cena das fogueiras a céu aberto onde são realizadas as cremações em estilo tradicional.

A sogra retira as pulseiras de casada da menina (como aliança de casamento) e em seguida passa o ritual de cortar o cabelo da viúva e raspar-lhe a cabeça completamente. A partir de agora Chuyia terá que vestir só sari branco. Mesmo se a pessoa antes era não-vegetariana, agora passará a ser vegetariana. Viúvas até hoje, 2007 seguem esta regra a risca, sei disso pois minha sogra faz igual. O motivo? Para não ter desejos sexuais e se manter casta. Os hindus crêem que a carne assim como outros alimentos como cebola e alho dão “quentura” no corpo.

Naturalmente, ao mostrar fatos reais como a condição subumana de vida das viúvas, Deepa Mehta mais uma vez, coloca o dedo na ferida da hipócrita sociedade indiana; e por isso mesmo ela não é mais bem-vinda por aqui.

A Índia não quer ver revelada sua realidade desumana e brutal e tenta de todos os modos mostrar ao ocidente uma imagem de desenvolvimento espiritual que na realidade não existe.

O pai de Chuyia e sua sogra levam-na para um “viuvário” ou seja, casa de viúvas, e a deixam lá. Ela não quer ficar e se rebela mordendo a perna da matriarca da casa.

Todas as atrizes tiveram que raspar os cabelos de verdade, era exigência de Deepa Mehta.

Uma das viúvas passa pasta de curcuma (açafrão da terra) na careca da menina para refrescar. As viúvas são extremamente pobres e nem usam blusa por baixo do sari.

A velhinha cujo nome é Patiraji gostou que Chuyia mordeu a perna da matriarca e lhe pede um doce.

Chuyia sai do viuvário, vai até um templo onde muitas viúvas oram para Krishna e retorna para o viuvário.

A viúva Kalyani, a única com cabelo, mora na parte de cima da casa. Ela chama a menina e mostra-lhe seu cãozinho. Ela explica que cães dão azar e por isso tem que mante-lo escondido. Ela diz para a menina que esta deve rezar 108 vezes para Krishna tirá-la do viuvário. A menina diz que só sabe contar até 10 e Kalyani retira sua mala do pescoço de Rudraksha com 108 contas e entrega a menina.

Todas as viúvas deitam-se no chão sobre esteiras, só a matriarca tem cama.

A velhinha Patiraji conta a menina sobre os doces que comeu no dia do seu casamento. (Indianos AMAM doces).

No dia seguinte Kalyani e a menina estão lavando o cão mas ele foge. A menina sai correndo atrás do animal e acaba encontrando Narayan. Kalyani sai correndo atrás da menina e sem querer topa com uma senhora que lhe dá uma repremenda dizendo “você me poluiu, agora terei que tomar outro banho”. (As viúvas são consideradas pessoas sujas).

Narayan leva a menina até onde Kalyani está e quando a vê se apaixona. É amor a primeira vista.

Narayan está de volta para casa após ter se formado em Direito. Ele volta revolucionário e solidário as idéias de Gandhi.

Um travesti é conhecido da matriarca do viuvário e dá-lhe cachimbos de ópio e maconha e comenta com ela as idéias revolucionárias de Gandhi. É este travesti que lava Kalyani para se prostituir e ganhar dinheiro para o aluguel e despesas do viuvário.

O pai de um amigo de Narayan usa os “serviços” das viúvas. Narayan tenta convencer o amigo a juntar-se a causa de Gandhi pela independência da Índia.

Durante a reza as margens do sagrado rio Ganges, a menina pergunta onde fica o viuvário para homens e as viúvas entram em comoção a amaldiçoando.

Observe a menina comendo com a mão direita sobre uma folha de bananeira. Ainda é assim em muitos lugares da Índia atual.

Narayan apaixonado vai até o viuvário mas não é recebido. (Não é permitido a entrada de homens nos viuvários). No entanto sem querer Kalyani torce um sari na cabeça de Narayan.


O filme é doce, a fotografia é linda e as músicas são belas e suaves, com certeza não justifica a enorme onda de ameaças que Deepa Mehta sofreu.

Durante uma cerimônia de casamento o pastor da uma bronca na viuva que pega água e diz para ela “não deixar cair sua sombra neles”. Até a sombra das viuvas é impura e azarenta.

Com o dinheiro que recebe de esmola a menina compra um doce para a velhinha. Enquanto a velhinha come o doce ela se lembra do dia de seu casamento. Ela tinha 7 anos de idade quando casou com um homem adulto.

O travesti leva novamente Kalyani para se prostituir na casa do amigo de Narayan. Ele (Narayan) vê o travesti e pergunta o motivo. O amigo explica tudo e Narayan fica indignado.

Durante a noite a velhinha que comeu o doce passa mal e morre. Ninguém tem dinheiro para a cremação então Kalyani paga pela cremação.

A menina conversa com uma viúva que lhe diz: “se Deus quiser ela re-encarnará homem”. Nascer mulher na Índia é uma tortura, praticamente um sacrilégio.

Narayan envia um bilhete a Kalyani e pede para se encontrar com ele a noite. No encontro Narayan recita um poema em sânscrito para Kalyani. Eles conversam e ela diz que ficou viuva aos 9 anos de idade.

No dia da cremação da velhinha não é permitido comer ou beber água e a menina reclama de fome.

A matriarca dá um sari novo para Kalyani e diz que ela é a jóia do viuvário, que ela precisar se cuidar e ser feliz para fazer os clientes felizes. Kalyani fica brava e diz que isto não é correto.

Narayan avisa Kalyani que vai tentar um emprego em Calcutá, ela fica triste e ele diz que não vai a lugar algum sem ela.

A mãe de Narayan quer que ele case, ele avisa que já tem uma moça em vista e diz que ela é viuva. A mãe fica muito brava, diz que é pecado casar com viuva e chora.

A menina conta a matriarca que Kalyani vai casar. A matriarca corta-lhe o cabelo e a tranca para que ela não se case pois isso traria desgraça para o viuvário. (Os indianos são EXTREMAMENTE supersticiosos).

A menina em vingança mata o papagaio da matriarca.

Uma viuva pergunta ao pastor por que as viuvas não podem casarem novamente e ele diz que pode. Que há uma lei que permite. Ao voltar para casa e viuva vai até a matriarca e pega a chave para soltar Kalyani.

Narayan se encontra com Kalyani.

Festival de Holi, o festival das cores, propagando por Krishna. Uns passam pó colorido nos outros.

Narayan está levando Kalyani para casa. Ela reconhece a casa e pergunta o nome do pai dele. Ele responde e ela reconhece como sendo um de seus “clientes”. Ela entra em pânico e quer retornar, ela a leva de volta.

Ele conversa com o pai e o pai confessa que transa com viuvas. A esposa sabe, mas nada diz (as mulheres são MUITO submissas na Índia). O pai diz que as viuvas devem considerar uma benção irem pra cama com um brâmane. Narayan fica enfurecido e diz que tem nojo do pai.

Kalyani volta para o viuvário e a matriarca quer que ela vá visitar um cliente. Kalyani vai para o rio Ganges e se suicida.

No dia seguinte, mesmo sabendo que Kalyani já transou com o pai dele, Narayan vai busca-la para se casarem e recebe a notícia de sua morte.

A matriarca já não tem mais Kalyani para explorar (prostituir) e manda a menina. A menina acha que vão leva-la devolta a casa de sua mãe e vai. Chegando na casa do pai de Narayan o travesti diz que ela deve brincar e comer doces ali antes de seguirem viagem. Ela acredita e vai.

Uma viuva se apieda da menina e sai atrás dela mas já é tarde demais. Sem saber ao certo o que fazer ela a menina a estação de trem onde Gandhi fez uma parada de 5 minutos para orar e falar ao público. Ela quer entregar a menina a alguém para que a dêem a Gandhi mas ninguém aceita. Narayan está no trem indo para Calcutá e pega a menina.

Pensei que o filme fosse ser intenso e contundente, mas Deepa Mehta ‘pegou leve’ e nem abordou questões mais sérias como a gravidez de viúvas que transavam com os pastores hindus em troca de um prato de comida.

“Há 34 milhões de viuvas na Índia segundo o Censo de 2001, muitas continuam a viver sob condições subumanas, como prescrito 2000 anos atrás nos textos sagrados de Manu.” Com esta frase, o filme termina.


Fique agora com algumas cenas do filme e veja que maravilha!

http://youtube.com/watch?v=4SzCE1tuZoM

Cena do filme Water de Deepa Mehta indicado para o Oscar de 2006 como melhor filme estrangeiro!!!

http://youtube.com/watch?v=h2K3xwnzxbQ

Mais cenas do filme Water

http://youtube.com/watch?v=riEh7asIHQA

Naina Neer Bahai

http://youtube.com/watch?v=3YU12vbIPCs

Sham Rang Dei

http://youtube.com/watch?v=H6sVnDxn1cs&mode=related&search=

Aayo Re Sakii

http://youtube.com/watch?v=KMYEK_4Io2g

Piya Ho

http://youtube.com/watch?v=OtxJGmWklPo

Vaishnava Jana

OM Shanti

20 abril 2007

Mr. Natwarlal


Namaskar

Eu gostaria de ter escrito mais sobre o notório Mr. Natwarlal, o mais famoso trapaceiro indiano de todos os tempos, mas não foi possível devida a incrível falta de dados sobre este astuto senhor.

Apesar de possuir 50 identidades diferentes, seu nome verdadeiro era Mithilesh Kumar Srivastava.

Este homem tinha a capacidade de ludibriar pessoas de modo tão bem feito e natural que certa vez escapou da delegacia de Kanpur vestido com um uniforme de sub- inspetor de polícia que foi levado a ele de modo escondido por um ajudante.

Ele deu dinheiro ao carcereiro e saiu caminhando tranqüilamente enquanto um carro o aguardava do lado de fora da cadeia. O carro em questão, quebrou após alguns minutos, mas ele não perdeu a calma, simplesmente acenou para um outro carro que ia passando, pediu carona e foi embora.

Natwarlal foi procurado por 100 crimes em 8 estados indianos. Ele foi sentenciado a 113 anos de prisão e escapou 8 vezes; cada vez de uma cadeia diferente.

As trapaças de Mr.. Natwarlal foram mencionadas no livro Such a Long Journey escrito por Rohinton Mistry. Não sei se este livro está traduzido para o português.

Bollywood produziu um filme em 1979 entitulado Mr. Natwarlal cujo ator principal é Amitabh Bachchan. O filme é inspirado na vida do senhor Natwarlal e rendeu também uma mini série para a televisão.

A foto de hoje é propaganda do filme. Infelizmente eu não consegui nenhuma foto do verdadeiro Mr. Natwarlal.

Sua atuação nas décadas de 70 e 80 foi legendária. A polícia tinha muita dificuldade em captura-lo e mais ainda te mante-lo preso.

Aos 84 anos de idade ele consegui escapar da prisão enquanto estava sendo transferido para Delhi.

Há na Internet um estudo psicológico sobre Mr. Natwarlal e que me parece que ele é classificado como psicopata, mas não consegui fazer o download do artigo.

***

Hoje é o dia do casamento tão esperado de Bollywood (a Hollywood indiana). Finalmente após 1 ano aguardando, Abhishek Bachchan e Aishwaria Rai casarão HOJE.

Alguns VIPs não foram convidados; entre eles temos Shah Rukh Khan, Hrithik Roshan, Rani Mukherjee, Sushmita Sen e Sonia Gandhi. Um verdadeiro insulto não convidar os Gandhis, mas o casamento é deles e eles fazem como querem não é mesmo?

Incredible India!

Om Shanti

14 abril 2007

RESPOSTAS

Nâmaskar

Hoje é dia de Respostas.

Vou começar primeiramente mandando beijos e muito carinho para as seguintes pessoas: Verônica, Vera, Susana, Juliana, Valmir, Elci, Danilo, Melissa, Jansen, Paula, Ione, Débora, Karina, Liliana, Marcella, Tayhta, Graça e Eliza Baroni que Segundo ela mesma, é minha fã n.º 1. Beijocas com sabor de curry para todos vocês rssssss

Tony Lopes: Você me pediu dicas para vir morar na Índia. Sugiro que você leia primeiro as postagens Adaptação de 22 e 23 de março de 2006 neste blog. Ao lado direito do blog você encontra os arquivos separados por mês, basta clicar no arquivo de Março de 2006 e ir para os dias 22 e 23 para ler estas postagens.

Priscila Ribeiro: Você quer saber se New Delhi é perigosa para as mulheres. SIM, New Delhi é a cidade indiana mais perigosa para as mulheres, segundo estatística do próprio governo.
Abaixo segue a tradução que vc me pediu, mas lembre-se que este blog é somente para brasileiros e portugueses e não para indianos. Além do que, se seu amigo é indiano, ele já conhece muito bem a realidade do próprio país, a menos que seja analfabeto e não leia jornais e revistas ou não acompanhe o noticiário local. (nossa, peguei pesado rssssss)
Young Indian men are very timid and sexually frustrated. Dating is not allowed in India and the pressure from the parents so the son can be always the best in the studies is something absurd. It’s not only in this institute that there are problems. India is the second country in young people suicide statistics. Hundreds kill themselves every year. And to make matters worse, Indians don’t believe in psychological treatment, at the most they take the child to an astrologer. They use some very tacky rings in the fingers and believe that the problem is solved.

Karina: Não sei se o tal uniforme perfumado funciona mesmo ou não, ainda não sai por aí cheirando e cafungando os policiais rsssssss, mas te garanto que a cueca com material perfumado é uma realidade. Os homens não tomam banho mas pelo menos o bilau cheira bem Rssssssssssss. Só na Índia mesmo!

Paula: Corredor em “brasileiro” significa Passagem, Via, Caminho.

Júlio: Olha, não tem o que comentar sobre a postagem da Dança Indiana, tem que ler e tentar entender, só isso. Qualquer dúvida entre em contato com a Shaide que escreveu o artigo, pois eu sou um zero a esquerda sobre dança indiana.

Júlio: Já anotei a sugestão do filme Namesake, o dia que eu assistir eu escreverei sobre ele, pode deixar. Outra coisa, o blog não vem com glossário rsssssssss Om Shanti será sempre uma incógnita na sua vida rssssssssss.
Om Shanti que eu coloco no fim das matérias é uma forma de oração, um pedido de paz a Deus para o leitor que está lendo o blog. Os cristãos dizem uns para os outros “A Paz do Senhor”, pois é a mesma coisa, só que no hinduismo isso acontece já há 5 mil anos, ou seja, 3 mil anos antes dos cristãos imitarem.

Amanhã, domingo, dia 15 de abril será celebrado o Ano Novo Bengalês. Aqui na Índia temos 4 calendários rsssssss, uma loucura!!! FELIZ ANO para todos vocês meus amados!!!

Luz e Paz no seu caminho....
Om Shanti


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