28 de agosto de 2007

Vera em Puttaparthi - Parte 1



Namaste

Hoje temos o relato da Vera que gentilmente atendeu minha solicitação e esta compartilhando conosco sua experiência aqui na Índia. Ela NAO veio fazer turismo “mochilao” e conhecer 10 cidades diferentes em 15 dias. Seu objetivo foi visitar exclusivamente Puttaparthi, onde fica o ashram de Sai Baba.

Leia seu relato abaixo:

A viagem de avião se deu de maneira tranqüila.

Quando embarcamos em Paris para Bangalore já comecei a sentir um friozinho na barriga, pois nossa próxima parada seria realmente a Índia!

Ao chegarmos, eu achei o aeroporto muito interessante. Na verdade parecia uma rodoviária melhorada. Muitos avisos escritos de maneira meio tosca, em papel e colados na parede.

O velhinho do Raio-X olhando as malas meio que desinteressadamente.

Nossa chegada aconteceu no dia 22/07 às 00:30. Dali fomos para um hotel para seguir viagem para Puttaparthi somente na manhã do dia 22.

O hotel era muito bonito, bem padrão Ocidental. O detalhe que mais chamou atenção foi me deparar com um balde e uma caneca de plástico dentro do box. Indianos tomam banho de balde? A caneca é para limpar a mão após fazer o número 2? (Sim Vera, indianos tomam banho de balde e a caneca eh para usar no banho assim como para lavar o anus apos fazer o numero 2).

Bem, na tarde do dia 22 (pq o motorista só chegou à tarde) fomos a Puttaparthi.

Essa história do táxi marcar de vir pela manhã e só chegar à tarde na verdade merece uma explicação.

Já havíamos deixado reservado o táxi antes de sairmos do Brasil. O motorista ficaria nos esperando no aeroporto com nossos nomes numa plaquinha. Ele nos levaria ao hotel em Bangalore e, na manhã seguinte, nos levaria à Puttaparthi. Tudo isso pela quantia módica de 1400 Rupias.

Bem, ao pegarmos nossas malas no aeroporto em Bangalore, fomos procurar o motorista e nada de encontrá-lo! Não havia ninguém no aeroporto segurando plaquinhas com nossos nomes!

Bem, resolvemos pegar um táxi do aeroporto mesmo e irmos para o hotel, torcendo para que no dia seguinte o motorista se lembrasse de nos pegar e fazer o resto da viagem.

Ao sairmos do aeroporto, já com um táxi arrumado, vimos que na calçada havia várias pessoas segurando plaquinhas com nomes, etc. Ou seja, nosso motorista deveria estar ali, na calçada do aeroporto, do lado de fora, nos esperando! Nesse momento já havíamos até pagado nosso novo táxi e ficamos muito desconcertados, mas resolvemos ir pro hotel mesmo assim. Conclusão, o motorista achou que a gente não tivesse chegado, voltou para Puttaparthi sozinho e nós tivemos que arrumar outro táxi na manhã seguinte.

Este novo táxi nos custou a fortuna de 4300 Rupias! Até argumentamos que estava caro, mas o gerente do hotel disse que os táxis estavam em falta por causa de uma convenção, bla, bla, e só tinha esse mesmo, que nos pegaria só à tarde!

Bem, o motorista chegou, nos ajeitamos no carro e rumamos para Puttaparthi. O motorista se chamava Kumar e era muito simpático. Contou sobre o novo aeroporto de Bangalore que ficará pronto em 6 meses, falou sobre o idioma do local, de como os carros de um estado tem que fazer quando entram em outro estado (tipo pagar um pedágio para usar a estrada do estado, segundo eu entendi). No caminho vimos muitas obras em estradas, pessoas arrancando árvores, e reparei que os trabalhadores não usam nenhuma roupa especial, sapatos, luvas, etc para meter a mão na massa.

Todos vestiam doti ou sári, e calçavam sandálias de dedos. Alguns estavam descalços.

Dava a impressão de ser um trabalho bem toscão e não o reparo de uma estrada, ou a sua duplicação. Como aqui no Brasil estou acostumada a ver o pessoal todo uniformizado, de capacete, estrada sinalizando obras, etc, achei bem diferente essa abordagem indiana.

Até as mulheres trabalhavam com seus sáris, carregando fardos imensos de gravetos.....até crianças estavam trabalhando. Comentei com o Kumar que, apesar de ser domingo, havia muitas pessoas trabalhando. Ele disse que essas pessoas não tinham trabalho regular e que trabalhavam o dia que fosse necessário e que como a remuneração aos domingos era maior que nos dias da semana, elas encaravam o serviço pesado numa boa.

Bem, continuando a viagem, reparamos que todos os carros, ônibus, caminhões, motocicletas, bicicletas, etc, buzinam o tempo todo. A Sandra já havia falado sobre isso, mas é algo muito peculiar....Por quê se buzina tanto? E não buzinam como aqui no Brasil, pra xingar, reclamar (pelo menos eu não vi), buzinam pq gostam. Nosso carro passava do lado de um caminhão e buzinava. Imediatamente o caminhão buzinava de volta. Nós ríamos muito disso e nosso motorista achava graça do nosso espanto e ria também.

Outra coisa muito estranha que aconteceu: Kumar, o motorista, a uma certa altura da viagem, resolve parar para almoçar! Disse que tinha saído muito cedo de casa, sem tomar café, e que até aquela hora, umas 3 da tarde, mais ou menos, ainda não tinha comido nada.

Parou num lugar que parecia uma lanchonete e foi almoçar. Disse que não ia demorar e perguntou se a gente queria comer alguma coisa.

Obviamente que não queríamos comer nada ali, pois o local não inspirava muita higiene.

Tiramos algumas fotos lá de dentro do carro mesmo e depois de uns 15 minutinhos retorna o Kumar e continuamos a viagem. (Eh normal parar para comer. Os motoristas islâmicos também param para rezar em determinados horários).

Nessa breve paradinha eu reparei como existem cachorros abandonados na Índia! Muitos! E o mais engraçado é que existe uma “raça” bem comum, um tipo com pelo meio amarelado, magrelo. Eu vi esse tipo de cachorro aos montes......

Finalmente chegamos em Puttaparthi. Encontramos nosso hotel e nos instalamos.

O hotel era muito modesto, mas para o local o padrão era alto nível.

Realmente o hotel era bem espaçoso. Nosso quarto era enorme! Tinha até uma pseudo-cozinha.

Tinha também ar condicionado, ventilador de teto, frigobar. Pelo que pude perceber, era um luxo.

As pessoas do hotel eram muito simpáticas e nos receberam muito bem. Até demais.

Entraram umas cinco pessoas para nos mostrar o quarto. Cada uma queria mostrar uma coisa, uma senhora ficava alisando a cama, outro mostrava o banheiro, outro o frigobar.

Daniel (meu marido) ficou tão espantando com essa recepção e com o tamanho do quarto que achou que já tinha uma família dormindo ali e que teríamos que dividir o quarto com eles. Ele quase teve um ataque, pois o motivo de ficarmos num hotel e não no ashram de Sai Baba foi justamente por não querer dividir quarto com estranhos. Apelidamos essa galera toda de bell-people.

Nos instalamos no quarto, forramos a cama com nosso próprio lençol, verificamos o banheiro e, mais uma vez, demos de cara com um baldão, um baldinho e uma caneca no banheiro.

Reparamos também que neste banheiro havia algo parecido com uma torneira no local onde abríamos a água do chuveiro. No final das contas essa torneira e esse balde foram úteis. Utilizamos para lavar algumas roupas.

Fotos: Balde no banheiro, que eh usado para tomar banho, mas Vera usou para lavar roupa.

Vista frontal do local onde o motorista Kumar parou para almocar.

Aguarde continuacao...