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09 setembro 2008

Edvan na India


Namaskar

Temos hoje o depoimento do jornalista Edvan Coutinho que acaba de retornar de sua viagem a Incredible India!


“Uma viagem à Índia era um sonho de muitos anos. Pois, durante 3 semanas entre julho e agosto de 2008, conseguimos finalmente realizar a aventura de conhecer esse país tão admirado no mundo por sua cultura milenar. A viagem não foi fácil. Primeiro porque você tem que se acostumar à idéia que a higiene é algo relativo nesse país. Então, mesmo nos restaurantes finos, freqüentados por estrangeiros, ou mesmo pela classe média indiana, os garçons podem estar vestidos com roupa bem suja, os toiletes podem ser nojentos e eles podem colocar na mesa uma garrafa térmica com água para o chá, por exemplo, tão imunda mas com tanta naturalidade que você chega a conclusão que isso "faz parte da cultura".

Quem é turista é tratado como uma pessoa quase sem direito como consumidor. Os indianos tem a mania de dizer you're the boss, mas não adianta que para eles, o turista tem mais é que se conformar com a baixa qualidade de serviços. Por exemplo, num restaurante, a gente pediu 4 pratos diferentes. Depois de meia hora, chegou o prato que minha mulher pediu; 45 minutos depois o prato que nossa amiga pediu; e uma hora depois, o terceiro prato, o do nosso amigo. Foi aí que o garçom explicou que o quarto prato, o meu, já não havia mais. Saí do restaurante e tive que comer um sanduíche no hotel. Nós quatro quase nunca conseguiamos comer ao mesmo tempo e ainda podia acontecer de um de nós não ser atendido.

Quando você saiu à rua, o assédio de supostos "guias", vendedores, condutores de rickshaws, mendigos e toda uma fauna suspeita chega a ser irritante. Para as mulheres, turistas desacompanhadas, o assédio chega a ser agressivo.

Como tinhamos pouco tempo, minha mulher, eu e um casal amigo que viajou conosco, decidimos seguir a sugestão de várias pessoas: alugar um carro com motorista para assim aproveitar ao máximo o tempo para conhecer o Rajastão. O carro era confortável, o motorista dirigia bem (e tem que ser bom no trânsito maluco nas estradas e cidades), mas sofremos para entender o inglês que ele falava.

Depois, tivemos que administrar os interesses comerciais do motorista. Tinhamos um bom livro guia de viagens (o Routard) que indica os hotéis por categoria de preço. Desde o começo dissemos ao mister driver que não iriamos a nenhum hotel estrelado. Bastava ser bem localizado, limpo e com bom preço - para nós, isso representava uma diária de no máximo 10 euros por um quarto de casal. Não adiantou, ele sempre queria nos levar a uns hotéis em havelis caríssimos e que no fundo nem valiam aqueles valores exorbitantes de diária na faixa das 2.500 rúpias - muitos eram bem decadentes, com cheiro de mofo, escuros. Depois, entramos no jogo: deixávamos ele nos levar a esses lugares, olhávamos os quartos, diziámos não, e em seguida íamos para os hotéis indicados pelo nosso livro. O mr. driver se acalmou. Foi quando percebemos que os motoristas têm a obrigação (talvez imposição do patrão, talvez para garantir uns trocados de comissão) de levar os turistas a esses lugares. Se eles ficarem, tudo bem. Se não, tudo bem também, mas pelo menos o motorista tentou. Assim, a gente não ficou em clima de guerra , como ficaram uns italianos que conhecemos e que já nem falavam direito com o motorista ainda na primeira semana de viagem. Segundo os turistas, o motorista dizia que não conhecia a rua do hotel escolhido por eles. Um absurdo.

Uma coisa que nos chamou a atenção (pelo cheiro desagravável) foram os mictórios abertos em Delhi ou em qualquer outra cidade do Rajastão. Mas, num lugar no deserto do Thar, num pequeno hotel de beira de estrada, o mictório era algo surreal (foto) e confesso que nunca tinha usado um com uma vista tão bonita. E melhor: era limpíssimo.

A convivência com os animais é algo especial na Índia: vacas, camelos, elefantes, pavões, pombos e macacos. Estes invadem as cidades e causam medo por serem agressivos, às vezes. Mas, os indianos encaram tudo com uma naturalidade que nos espanta.

Os palácios e fortes nas cidades do Rajastão são bonitos, mas a maioria bem mal-cuidada e os próprios funcionários constrangem os visitantes pedindo dinheiro ou se oferecendo para posar para fotos em troca de rúpias só porque estão de turbantes. Honrosa exceção é o Mehrangah Fort de Jodhpur (www.mehrangah.org), que tem uma exposição super bem montada e preservada, guias de áudio em 11 idiomas e onde os funcionários não importunam os turistas.

Outra lembrança inesquecível foi ver como, na Índia, o cinema causa comoção. Tivemos uma tentativa de assistir um filme em um domingão em Jaipur. Impossível: ficamos mais de uma hora na fila e os ingressos esgotaram. Uma multidão indo quase aos tapas para conseguir entrar. Mas também era um blockbuster, "Singh is King", um filme em que o ator principal, um sihk cortou o cabelo para atuar e isso virou um grande atrativo de público. Ainda bem, que dias antes, em Udaipur, a gente assistiu a outro filme de Bollywood, numa sala moderníssima e como era um dia de semana à tarde, tudo foi tranqüilo, e divertido, mesmo sendo falado em hindi, a gente conseguiu seguir a história e se divertir com os números musicais. Filmado em Mumbai, o filme mostrava ruas limpas e uma Índia que a gente sabe que existe tanto quanto as favelas ou bairros pobres nas novelas da Globo. Não sabemos se pela influência do cinema, ficamos com vontade de voltar para ir ao sul, conhecer Goa e Mumbai. Mas não tão cedo. A gente ainda está digerindo tanta informação, e nossos pobres intestinos ainda se recuperam de algumas (in)diarréias.”

Colaborou: Edvan Coutinho

Foto: Toilet limpo em pleno deserto indiano (Edvan Coutinho)

Incredible India!

Om Shanti

30 julho 2008

Toilet


Namaste

Placa indicativa de bom gosto em toilet indiano :)

Nada melhor do que a figura de um maharaja e uma maharani para indicar o toilet masculino e feminino.


Incredible India!

Om Shanti

20 julho 2008

Vale a Pena Ver de Novo!


Namaskar

Isso mesmo, esta senhora dalit, ou seja, uma intocável, varre bosta humana para sobreviver.

Mesmo nas cidades, aqui na Índia, ainda não temos serviço de esgoto disponível para todos e muitos dos esgotos são a céu aberto.

A função dos intocáveis eh "limpar", varrer estes esgotos com uma vassoura feita de fibra de coco.

Imagine o cheiro destes esgotos sob o calor de 46 graus do verao!!!!!!!!!!!!

Este eh o VERDADEIRO crescimento econômico da Índia, o crescimento da quantidade de bosta eliminada dos intestinos dos indianos ricos..... enquanto a maioria pobre LIMPA!!!!!!!!!!!!!

INCREDIBLE INDIA!

OM SHANTI

16 julho 2008

Praia na India eh "Toilet" Publico






Namaskar

Eh triste mas eh verdade, aqui na Índia as pessoas de baixa renda, que são a maioria, tem por habito fazerem suas necessidades fisiológicas em locais públicos.

As pessoas do interior (parte rural) fazer nos trilhos do trem, visto que não tem mato para ficar pinicando a bunda, as da cidade fazem nos estacionamentos atras de carros, ônibus e outros veículos e as que moram no litoral, fazem na praia.

Inicialmente eh preciso que você saiba que os indianos, não importa de qual casta, são TODOS treinados desde de crianças para fazerem cocô pela manhã. De manhã eh aquela briga para ver quem usa o banheiro primeiro.

Os que não tem toilet, fazem ao ar livre. No geral as mulheres se levantam bem cedo (5 horas), antes dos homens e vão juntas fazer cocô nos trilhos dos trens ou na praia. Por volta das 6 horas eh a vez dos homens levantarem e irem “passar telegrama” como dizia meu finado pai.

Se você ao vir para a Índia, alugar um apartamento de frente para o mar, terá a oportunidade de ver isso tudo que te falei ao vivo e a cores.

Abaixo seguem as fotos de uma praia de Chennai (antiga Madras) que fica no sul da Índia.

Observe o belo amanhecer com os primeiros raios de sol tocando o mar e os indianos fazendo da praia banheiro publico..... afinal, nada mais agradável do que eliminar os resíduos sólidos do intestino olhando para o mar.....

A serie de fotos mostra a chegada dos indianos a praia, agachando, cagando e indo embora.

Aqui na Índia não da para ir caminhar pela manha na praia, ainda mais descalco!! :(

Esta na hora dos indianos evoluírem em termos de higiene e limpeza e do governo dar condições das pessoas terem pelo menos um toilet em casa!

Fotos: Todas as fotos são da Carol Parisi (Chennai)

Incredible India!

Om Shanti

15 julho 2008

Vale a Pena Ver de Novo!







Namaskar

Como Utilizar um Toilet Indiano.


INCREDIBLE INDIA! (slogan do governo indiano)

OM SHANTI

05 julho 2008

Rapaz Indiano Trancado ha 14 anos em Toilet


Namaste

Rapaz doente mental foi trancado por 14 anos no banheiro

Bikash Chandra Mohanty de 34 anos de Kapleshwar em Orissa eh o nome do rapaz que ficou trancado em um toilet de 1.5 metros por 1.2 metros nos fundos da casa por 14 anos!

O pai disse que ate os 20 anos de idade o rapaz era docil mas ha 14 anos atras tornou-se violento, machucava as pessoas e quebrava tudo, assim ele se viu forcado a trancar o filho no pequeno toilet dos fundos.

O rapaz, recebia comida, dormia e vivia no toilet ate recentemente quando um vizinho denunciou o caso a policia.

Incredible India! (slogan do governo indiano)

Om Shanti

01 julho 2008

A qualquer hora em qualquer lugar


A qualquer hora em qualquer lugar, afinal sao 5 mil anos de tradicao!!

Inclui monumentos historicos tambem :(



Incredible India! (slogan do governo indiano)

Om Shanti

26 junho 2008

Toilet em Trem (História)


Nâmaskar

Leia abaixo este interessante fato histórico:

Carta de Okhil Babu ao Departamento Ferroviário da Índia:

“Eu cheguei pelo trem de passageiro na estação Ahmedpur e minha barriga estava muito inchada de comer jaca. Fui então ao toilet. Estava eu defecando quando o guarda soou o apito de partida do trem e eu tive que correr com o “dhoti” na mão e cai expondo minha bunda a homens e mulheres na plataforma. Eu sai da estação Ahmedpur.

Isso é muito mau, se o passageiro vai cagar e o estúpido guarda não espera cinco minutos por ele. Portanto peço que multe aquele guarda pelo bem público. Caso contrário eu farei uma grande reclamação! aos jornais.”

Okhil Chandra Sen escreveu esta carta ao escritório de Sahibganj da ferrovia em 1909.
Ela está a mostra no Railway Museum (Museu Ferroviário) em Nova Delhi.

Adivinhe a importância histórica desta carta????
Ela aparentemente levou à introdução de toilets nos trens indianos!!


Veja abaixo a carta original em inglês.

Tive que fazer uma versão ao traduzir pois o inglês é bastante ruim.

"I am arrive by passenger train Ahmedpur station and my belly is too much swelling with jackfruit. I am therefore went to privy. Just I doing the nuisance that guard making whistle blow for train to go off and I am running with 'lotah' in one hand and 'dhoti' in the next when I am fall over and expose all my shocking to man and female women on plateform. I am got leaved at Ahmedpur station. This too much bad, if passenger go to make dung that dam guard not wait train five minutes for him. I am therefore pray your honour to make big fine on that guard for public sake. Otherwise I am making big report! to papers."

Incredible India! (slogan oficial do governo indiano)


Om Shanti

25 junho 2008

Noticias



Namastê

Em 1857 Joseph Cayetty inventou o papel higiênico que era vendido as escondidas nas farmácias pois as pessoas sentiam-se envergonhadas ao comprar. Papel higiênico macio apareceu em 1932 e o papel higiênico colorido só em 1957, mas não na Índia :(

Aqui na Índia como você sabe, uma minoria de pessoas usa papel higiênico e o ‘toilet’ são os trilhos dos trens ou o capinzal. Por isso mesmo é deveras interessante que tenhamos aqui um museu de toilets!!!! Isso é que é uma terra de contrates!!

Quando vier a Delhi não deixe de visitar o SULABH MUSEUM OF TOILETS que fica na Sulabh Bhawan, Mahavir Enclave, Palam Dabri Marg. Aberto de segunda à sábado das 10h00 as 17h00.
***
A senhora Besi Devi de 90 anos de idade, da vila Bhetinalla que fica a 100 km de Shimla, casou-se com Pratap Singh de 50 anos de idade.

O fato dela ser viuva e de ser 40 anos mais velha que o marido é que casou espanto pois isso ainda é um grande tabu por aqui.


***
As donas de casa indianas estão topando tudo por dinheiro.

Elas estão posando nuas em escolas de pintura, alugando a barriga para casais sem filhos, sendo voluntárias para testes clínicos etc.

Posar nua aqui em Delhi paga o equivalente a 100 Reais por 4 horas sem se movimentar.
Alugar o útero para parir filhos de outras pessoas é mais lucrativo, paga cerca de 8 mil reais.

Fazer artesanato é coisa para as mulheres do interior, as das cidades grandes estão descobrindo outras fontes lucrativas de dinheiro. A Índia é espiritualizada eh passado. Aqui agora quem fala mais alto eh o poder do dinheiro!!




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20 junho 2008

Toilet Feminino


Namaskar

Voce ja sabe que a roupa tradicional das mulheres indianas eh o sari. Assim sendo, nada mais justo do que colocar na placa indicativa do toilet feminino um desenho de uma mulher vestida de Sari!! :)

C
lique no botao abaixo para assistir ao video.

Incredible India!

Om Shanti





Foto: Placa de toilet ocidental, onde a mulher esta de vestido e NAO de sari hehehehehe

19 fevereiro 2008

Ibira na India - Parte 3


Quando acordei na minha primeira manha de vida realmente indiana tive novas experiencias muito interessantes e que me comprometi a experimentar.

A comecar, logo que acordamos os macaquinhos (sao tipo o Rhesus, pra quem conhece) estavam nas arvores atras da casa. Meu amigo disse pra irmos falar bom dia pra eles e alimenta-los com umas frutinhas secas. Assim fizemos e logo eles foram embora. Depois soube que todas as manhas eles vem fazer a visita. Enfim, enquanto la estavamos alimentando os macaquinhos, a mae do meu amigo nos chamou pra tomarmos o "cha". Pensei: "Oba, que legal, eles tomam cha no cafe da manha". Porem, quando vi a mae do meu amigo preparando o cha vi que as coisas eram meio diferentes. O cha em si sao umas folhas de cha preto colocadas no leite, junto de gengibre e cardamomo. Nada de cha com agua como eu pensava ate entao. Mas beleza, achei o cha uma delicia, repeti e ainda comi as bolachinhas que tipicamente acompanham os chas na India - e tanto melhor se elas forem mergulhadas no cha.

Em seguida fomos a casa da vizinha e repeti o cha e as bolachinhas uma vez mais. Meu cafe da manha reforcado estava bom, pensava eu. Mas eis que minha amiga brasileira que estava conosco disse: "Ibira, isso ainda nao eh o cafe da manha, voce sabe, ne?". Nao era o cafe da manha?? Virge maria.... e de fato, em seguida voltamos pra casa e la estava o cafe da manha do dia: Wara Pao. Wara eh tipo um bolinho de batata condimentado, do tamanho de uma coxinha, que eh comido com o Pao, um pao (com o acento til, por favor, que nao tem nesse teclado) redondo. E nao pensem que o negocio eh pequeno nao. Ainda repeti por insistencia da mae do meu amigo. Nossa senhora, se eu soubesse que o cha fosse so entrada nao teria nem comido as bolachinhas. Mas valeu a experiencia, como sempre.

Pior voces vao achar a experiencia seguinte a que me submeti e segui fazendo assim nos dias todos subsequentes. Devo dizer que ainda nao tinha feito o "numero dois" na India ate entao. Estava apertado, realmente, e aquela seria a hora. Meu amigo ja tinha me apresentado o banheiro (um buraco no chao com base de porcelana), o baldinho, a agua e o sabonete. Lembrei que eu tinha o papel higienico na mala. Mas de repente pensei que eu seria hipocrita demais em usar o papel higienico se eu mesmo estava pedindo ao meu amigo que me oferecesse a verdadeira vida indiana, o real cotidiano deles. Entao por que nao baldinho com agua apos fazer as coisas no buraco?? Pois foi o que fiz e achei a coisa mais simples e limpa. A gente poe a mao naturalmente em coisa muito suja por ai, porque nao em nos mesmos e depois simplesmente lavar bem lavado na agua com sabao? Essa minha experiencia indiana que eu jamais esperava vivenciar na vida foi mais um sucesso.

Bom, imediatamente em seguida a isso veio a outra importante experiencia do banho indiano. Pra quem nao sabe nao ha chuveiro nas casas da India, apenas torneira com agua, um balde grande e um baldinho menorzinho. Por sorte na casa do meu amigo tinha agua quente a gas tambem. Ah, e so pra acrescentar e voces entenderem, o lugar do "toilete", ou seja, o buraco no chao, eh separado do lugar do banho; sao portas separadas. Bom, e la fui eu tomar banho de baldinho. A experiencia foi de novo bem legal. Na verdade nada demais, mas nao deixou de ser uma experiencia nova pra um tipico paulistano. O que achei mais legal eh saber como da pra tomar um bom banho com pouca agua. Basta molhar o corpo primeiro, depois ensaboar-se e depois enxaguar-se; nem um balde inteiro eh necessario.

Acho que nesse momento encerram-se as minhas "primeiras experiencias" mais importantes, porque praticamente tudo o que aqui coloquei como tendo feito pela primeira vez segui fazendo nos dias subsequentes e tudo ficou normal pra mim. So pra repetir tudo: comer sentado no chao e com as maos, dormir em colchonete, fazer coco no buraco e limpar com a mao (ah sim, esqueci de dizer que fiz isso com a mao esquerda, como diz a regra), tomar banho de baldinho e tomar cha indiano de entrada ao acordar, o que nao eh cafe da manha. E sim, comida apimentada e condimentada sempre.

Bom, nesse meu primeiro dia realmente indiano o meu amigo tambem nos levou no templo da vila. O templo eh dedicado ao Lorde Parshurama (que deu nome a vila, Parshuram), que eh uma das encarnacoes de Vishnu. A lenda diz que Parshurama vivia ali e ele que fundou o templo, mas ninguem sabe de quando eh exatamente o templo. Foi o primeiro templo que visitei na India. Ele eh pequeno mas muito bonito, na tipica arquitetura indiana, com alguns milenios de vida, talvez. Tambem tive a oportunidade de ver a vila melhor, ja que antes estava noite e nao pude ver direito. Eles nao sao tao pobres assim ali, ja que, por causa do templo, ha um relativo fluxo de turistas que vao pra la e o povo ganha um dinheirinho vendendo bujigangas. Mas o turismo la eh de indianos, nao de estrangeiros, entao devo dizer que eu era um ET na vila. Eu e minha amiga.

Fico por aqui, sem camundongos e indianos me enganando. No proximo relato contarei um pouco mais sobre a vila e a regiao do entorno.

07 novembro 2007

Adaptacao - Parte Final

Continuação de ontem:

Muitos lugares já possuem atualmente “western toilet” ou seja, privada onde se senta, mas a maioria ainda é Indian toilet”, privada no chão onde temos que nos agachar. Para gordinhos como eu é um sacrifício pois a barriga atrapalha muito.

É fundamental carregar SEMPRE papel higiênico pois dificilmente você cruza com um rolo por aqui. Uma opção é dispensar o papel e aprender a limpar a bunda diretamente com a mão esquerda e uma caneca d’água, que se encontra facilmente em todos os toilets hehehehe, eu tô fora, credo!!

Os que optam por se adaptar à caneca d’água em vez do papel higiênico, devem carregar na bolsa um sabonete, pois após limpar a bunda com mão, dificilmente se encontra sabonete para lavar a mão, coisas de Índia.....

A pessoa deve tomar cuidado constante quanto a qualidade da água que vai beber para evitar graves diarréias e outras doenças. A pessoa deve pedir sempre água mineral lacrada, que deve ser aberta na sua frente ou carregar água de casa consigo. De preferencia abra você mesmo a garrafa d’água pois muitos garçons fingem abrir uma garrafa nova para você mas na verdade te dão água da torneira para beber.
O melhor filtro de água aqui chama-se Aquagard fabricado pela Eureka Forbes, quem for morar aqui vale a pena comprar um pois ate mesmo as águas minerais são de qualidade duvidosa.

Apesar do calor intenso é desaconselhável que as mulheres usem blusas sem mangas, saias, shorts, bermudas, tops, decotes profundos, transparências e qualquer outra roupa que não cubra a maior parte do corpo. Os homens indianos tem um desrespeito ENORME por todas as estrangeiras e consideram somente a mulher indiana como virtuosa, as outras todas são putas na visão deles.

A mentalidade masculina indiana ainda está tão atrasada quanto o país (reflexo um do outro), e não vale a pena se arriscar desnecessariamente, pois o número de estupros anda aumentando muito por aqui e deixou de ser uma especialidade da capital - Delhi e já se alastra por outras cidades.

Visto a grande diversidade de doenças tropicais aqui existentes é importante que as pessoas se imunizem contra a maior quantidade de doenças possíveis antes de vir para cá, resumindo, todos devem tomar vacinas.
O governo indiano exige somente a vacina de Febre Amarela, mas você deve tomar no mínimo a de Tétano e de Tuberculose, o que tem de tuberculoso aqui não eh brincadeira, se ate a Indira Gandhi teve tuberculose imagine nós........

Saiba que tudo custa bem menos do que sempre te pedem, seja por um produto ou por uma corrida de taxi. Uma das partes importantes de se adaptar a Índia é aprender a negociar. TUDO aqui deve ser barganhado e pechinchado ao extremo. É super cansativo, mas se a pessoa não fizer isto vai perder muito dinheiro. Negociar o preço de uma corrida de taxi ou autoriquixa é o pior, pois eles dificilmente usam o táximetro e literalmente te enganam e roubam o mais que podem.

Livrar-se dos inúmeros pedintes é outra tarefa a ser enfrentada diariamente, não tem jeito, o país possui uma grande população de miseráveis. Além deles temos que nos adaptar também a lidar com os “touts”, trapaceiros profissionais. Geralmente homens (ainda não vi nenhuma mulher) que te levam à lojas, agências de turismo, hotéis etc. de onde eles recebem comissão e onde você acaba gastando muito mais $$$$
Comerciantes pentelhos te chamando e pedindo com insistência para você comprar a mercadoria deles também eh muito chato de se lidar.
Você também deve estar preparado para agüentar os peidos, arrotos, curiosidade extrema, Efeito E.T., gente querendo tocar na sua pele e cabelo, querendo tirar foto sua, transito caótico, buzinas, vacas e touros pelas ruas, lixo, sujeira, cuspe etc....

As coisas mais difíceis da minha adaptação foram o clima infernal do verão, foi ter que morar na casa da mãe do meu esposo com toda a família dele, comida e a falta de água e luz.

E é escrevendo sobre a comida com que eu concluo esta rápida visão geral em termos de adaptação à Índia para quem planeja vir para cá principalmente para morar.

1. A comida feita sob precárias condições de higiene sempre me causou grandes diarréias, indi(a)gestão e infeções intestinais com febre e uma profunda e indescritível dor abdominal. Os antidiarreicos, antibióticos, anti-ácidos, e analgésicos se tornaram meus melhores amigos aqui.

2. Sou grata a multinacional que fabrica o Fernegan, com o qual não consigo mais viver. Fenergan sempre me salva das reações alérgicas que tenho à certos tipos de alimentos. Sendo uma pessoa alérgica, a cozinha indiana com certeza não é a mais indicada para meu caso. Carregada com pimenta vermelha, verde e preta só mesmo Fenergan para me salvar!

3. A comida aqui é muito cara para quem ganha em Rúpias como meu marido, mas se você vier para cá ganhando em dólar, sem problemas Um vidro de 250 gr de azeitonas custa 120 Rúpias, um pacote de queijo ralado de 200 gr custa 300 Rúpias e assim por diante.

4. Muitos produtos e alimentos não é fácil de se encontrar ou simplesmente não tem aqui. Os brasileiros que vem me visitar sempre tem a delicadeza de me perguntar se preciso de alguma coisa e infelizmente sou obrigada a dizer “sim”. Almas boas, gentis e generosas já mataram meus desejos de comer, pão de queijo, miojo de camarão, bacalhau, Bis, sonho de valsa, cachaça, salame, e tantas outras coisas até mesmo o emplastro Salompas para minha bursite já me trouxeram, assim como Novalgina, pois aqui nem isso tem.
Por isto é que sempre digo: “Brasileiro é tudo de bom”. Opa, os Portugueses também!!!! O que tenho ganho de presentinhos deles eh uma verdadeira benção para mim que moro nesta terra tão inóspita. Na verdade o que eh bom eh que ainda existe pessoas amigas e atenciosas!!!!

É uma tristeza ver o desespero das brasileiras que aqui moram perguntando umas as outras quem está vindo do Brasil para poder pedir Zerocal, guaraná, farinha de mandioca, palmito etc. A lista é infinita....

Adaptar-se a esta falta de produtos é muito difícil. Você as vezes quer fazer uma receita mas não pode pois não tem os ingredientes necessários. É muito frustrante!!! Coisas que eram tão comum no Brasil, que se encontrava em qualquer lugar aqui são uma preciosidade!!!

Tudo isto e muito mais faz parte do processo de adaptação para quem vem morar na Índia.

Incredible India! (slogan do governo indiano)


Om Shanti e Ahimsa


Copyright - A reprodução é livre, desde que a autora Sandra, e o blog INDI(A)GESTÃO sejam devidamente citados e o link corretamente fornecidos. www.indiagestao.blogspot.in



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28 agosto 2007

Vera em Puttaparthi - Parte 1



Namaste

Hoje temos o relato da Vera que gentilmente atendeu minha solicitação e esta compartilhando conosco sua experiência aqui na Índia. Ela NAO veio fazer turismo “mochilao” e conhecer 10 cidades diferentes em 15 dias. Seu objetivo foi visitar exclusivamente Puttaparthi, onde fica o ashram de Sai Baba.

Leia seu relato abaixo:

A viagem de avião se deu de maneira tranqüila.

Quando embarcamos em Paris para Bangalore já comecei a sentir um friozinho na barriga, pois nossa próxima parada seria realmente a Índia!

Ao chegarmos, eu achei o aeroporto muito interessante. Na verdade parecia uma rodoviária melhorada. Muitos avisos escritos de maneira meio tosca, em papel e colados na parede.

O velhinho do Raio-X olhando as malas meio que desinteressadamente.

Nossa chegada aconteceu no dia 22/07 às 00:30. Dali fomos para um hotel para seguir viagem para Puttaparthi somente na manhã do dia 22.

O hotel era muito bonito, bem padrão Ocidental. O detalhe que mais chamou atenção foi me deparar com um balde e uma caneca de plástico dentro do box. Indianos tomam banho de balde? A caneca é para limpar a mão após fazer o número 2? (Sim Vera, indianos tomam banho de balde e a caneca eh para usar no banho assim como para lavar o anus apos fazer o numero 2).

Bem, na tarde do dia 22 (pq o motorista só chegou à tarde) fomos a Puttaparthi.

Essa história do táxi marcar de vir pela manhã e só chegar à tarde na verdade merece uma explicação.

Já havíamos deixado reservado o táxi antes de sairmos do Brasil. O motorista ficaria nos esperando no aeroporto com nossos nomes numa plaquinha. Ele nos levaria ao hotel em Bangalore e, na manhã seguinte, nos levaria à Puttaparthi. Tudo isso pela quantia módica de 1400 Rupias.

Bem, ao pegarmos nossas malas no aeroporto em Bangalore, fomos procurar o motorista e nada de encontrá-lo! Não havia ninguém no aeroporto segurando plaquinhas com nossos nomes!

Bem, resolvemos pegar um táxi do aeroporto mesmo e irmos para o hotel, torcendo para que no dia seguinte o motorista se lembrasse de nos pegar e fazer o resto da viagem.

Ao sairmos do aeroporto, já com um táxi arrumado, vimos que na calçada havia várias pessoas segurando plaquinhas com nomes, etc. Ou seja, nosso motorista deveria estar ali, na calçada do aeroporto, do lado de fora, nos esperando! Nesse momento já havíamos até pagado nosso novo táxi e ficamos muito desconcertados, mas resolvemos ir pro hotel mesmo assim. Conclusão, o motorista achou que a gente não tivesse chegado, voltou para Puttaparthi sozinho e nós tivemos que arrumar outro táxi na manhã seguinte.

Este novo táxi nos custou a fortuna de 4300 Rupias! Até argumentamos que estava caro, mas o gerente do hotel disse que os táxis estavam em falta por causa de uma convenção, bla, bla, e só tinha esse mesmo, que nos pegaria só à tarde!

Bem, o motorista chegou, nos ajeitamos no carro e rumamos para Puttaparthi. O motorista se chamava Kumar e era muito simpático. Contou sobre o novo aeroporto de Bangalore que ficará pronto em 6 meses, falou sobre o idioma do local, de como os carros de um estado tem que fazer quando entram em outro estado (tipo pagar um pedágio para usar a estrada do estado, segundo eu entendi). No caminho vimos muitas obras em estradas, pessoas arrancando árvores, e reparei que os trabalhadores não usam nenhuma roupa especial, sapatos, luvas, etc para meter a mão na massa.

Todos vestiam doti ou sári, e calçavam sandálias de dedos. Alguns estavam descalços.

Dava a impressão de ser um trabalho bem toscão e não o reparo de uma estrada, ou a sua duplicação. Como aqui no Brasil estou acostumada a ver o pessoal todo uniformizado, de capacete, estrada sinalizando obras, etc, achei bem diferente essa abordagem indiana.

Até as mulheres trabalhavam com seus sáris, carregando fardos imensos de gravetos.....até crianças estavam trabalhando. Comentei com o Kumar que, apesar de ser domingo, havia muitas pessoas trabalhando. Ele disse que essas pessoas não tinham trabalho regular e que trabalhavam o dia que fosse necessário e que como a remuneração aos domingos era maior que nos dias da semana, elas encaravam o serviço pesado numa boa.

Bem, continuando a viagem, reparamos que todos os carros, ônibus, caminhões, motocicletas, bicicletas, etc, buzinam o tempo todo. A Sandra já havia falado sobre isso, mas é algo muito peculiar....Por quê se buzina tanto? E não buzinam como aqui no Brasil, pra xingar, reclamar (pelo menos eu não vi), buzinam pq gostam. Nosso carro passava do lado de um caminhão e buzinava. Imediatamente o caminhão buzinava de volta. Nós ríamos muito disso e nosso motorista achava graça do nosso espanto e ria também.

Outra coisa muito estranha que aconteceu: Kumar, o motorista, a uma certa altura da viagem, resolve parar para almoçar! Disse que tinha saído muito cedo de casa, sem tomar café, e que até aquela hora, umas 3 da tarde, mais ou menos, ainda não tinha comido nada.

Parou num lugar que parecia uma lanchonete e foi almoçar. Disse que não ia demorar e perguntou se a gente queria comer alguma coisa.

Obviamente que não queríamos comer nada ali, pois o local não inspirava muita higiene.

Tiramos algumas fotos lá de dentro do carro mesmo e depois de uns 15 minutinhos retorna o Kumar e continuamos a viagem. (Eh normal parar para comer. Os motoristas islâmicos também param para rezar em determinados horários).

Nessa breve paradinha eu reparei como existem cachorros abandonados na Índia! Muitos! E o mais engraçado é que existe uma “raça” bem comum, um tipo com pelo meio amarelado, magrelo. Eu vi esse tipo de cachorro aos montes......

Finalmente chegamos em Puttaparthi. Encontramos nosso hotel e nos instalamos.

O hotel era muito modesto, mas para o local o padrão era alto nível.

Realmente o hotel era bem espaçoso. Nosso quarto era enorme! Tinha até uma pseudo-cozinha.

Tinha também ar condicionado, ventilador de teto, frigobar. Pelo que pude perceber, era um luxo.

As pessoas do hotel eram muito simpáticas e nos receberam muito bem. Até demais.

Entraram umas cinco pessoas para nos mostrar o quarto. Cada uma queria mostrar uma coisa, uma senhora ficava alisando a cama, outro mostrava o banheiro, outro o frigobar.

Daniel (meu marido) ficou tão espantando com essa recepção e com o tamanho do quarto que achou que já tinha uma família dormindo ali e que teríamos que dividir o quarto com eles. Ele quase teve um ataque, pois o motivo de ficarmos num hotel e não no ashram de Sai Baba foi justamente por não querer dividir quarto com estranhos. Apelidamos essa galera toda de bell-people.

Nos instalamos no quarto, forramos a cama com nosso próprio lençol, verificamos o banheiro e, mais uma vez, demos de cara com um baldão, um baldinho e uma caneca no banheiro.

Reparamos também que neste banheiro havia algo parecido com uma torneira no local onde abríamos a água do chuveiro. No final das contas essa torneira e esse balde foram úteis. Utilizamos para lavar algumas roupas.

Fotos: Balde no banheiro, que eh usado para tomar banho, mas Vera usou para lavar roupa.

Vista frontal do local onde o motorista Kumar parou para almocar.

Aguarde continuacao...

30 maio 2007

Autobiografia de Gandhi - Parte 7



30/05/2007

Continuando com a autobiografia de Gandhi....

Em sua autobiografia Gandhi descreve com detalhes o movimento conhecido como SATYAGRAHA que teve início na África do Sul.

Segundo ele a Satyagraha não foi pré concebida mas sim espontânea. “Satyagraha had not been a preconceived plan. It came on spontaneously.”

Na guerra do Bôer na África do Sul, Gandhi organizou uma corporação de voluntários e participou ativamente. Após a guerra resolveu retornar a Índia.

Gandhi queria que os indianos superassem sua compulsão por jóias e se recusou a dar as jóias para a esposa, que havia ganho de presente. Kasturba ficou muito enfurecida e lhe disse que ele estava tornando os filhos em sadhus. “You who are trying to make sadhus of my boys… ” Posteriormente Gandhi vendeu todas as jóias de sua esposa e a proibiu de usar jóias.

Gandhi retornou a Índia e em 1901 participou pela primeira vez de uma reunião do Congresso (partido político que existe até hoje e ao qual pertence o atual Primeiro Ministro indiano).

Gandhi se implicou tanto com o mau cheiro e sujeira das latrinas durante a reunião do Congresso em Calcutá, que ele mesmo resolveu limpa-las. Outra coisa que Gandhi observou é que os políticos do partido Congressista não utilizavam as latrinas durante a noite e mijavam e cagavam em qualquer lugar inclusive nos arredores do dormitório e o cheiro era insuportável.

***

No capítulo UM MÊS COM GOKHALE-II, Gandhi apesar de hindu, ficou chocado com o que viu no templo de Kali em Calcutá e descreve no livro o seguinte “I saw a stream of sheep going to be sacrificed to Kali..... We were greeted by rivers of blood.... I felt that the cruel custom ought to be stopped….the life of a lamb is no less precious than that of a human being.” Gandhi não suportava crueldade contra animais e para ele o valor da vida era o mesmo tanto para um humano quanto para um animal pois ambos são criações divinas. O costume hindu de sacrificar cordeiros, bodes etc. desagradava muito Gandhi que achava tudo desnecessário e primitivo.

Pois é caro leitor, na Índia a vaca é sagrada mas as ovelhas, cabras, carneiros, bodes, galinhas, etc. entram na faca sem dó nem piedade!!!!

Eu mesma já estive no templo de Kali em Calcutá e não gostei. O sacerdote hindu que estava atuando como guia turístico do templo me mostrou a pedra do altar de sacrifício, mas disse que pararam com os sacrifícios há mais de 10 anos. O lugar é tétrico, tem uma energia estranha e como Gandhi disso prefiro não lembrar embora não consiga esquecer. “I have never forgotten that sight.”

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Gandhi resolve conhecer a Índia e fazer uma longa viagem pelo pais. Ele passou muitos anos fora, na Inglaterra e na África do Sul e não conseguia mais entender e se enquadrar no arcaico modo de vida indiano.

Ele resolveu que viajaria de 3 classe e descobriu que era horrível, as pessoas jogam lixo no chão do trem, fumam, cospem, falam em voz alta e usam palavras de baixo calão.

Este capítulo chama-se BENARES e Gandhi mais uma vez se decepciona em sua viagem a Benaras, a cidade mais sagrada de todas, a mais famosa e segundo Gandhi suja e barulhenta. Benaras é conhecida atualmente pelo nome de Veranasi.

Os indianos adoram mudar os nomes das ruas, cidades etc. Os nomes mudam mas as péssimas condições de vida continuam....

Gandhi resolve ir morar em Mumbai mas novos problemas aparecem na África do Sul e ele resolve voltar para lá mais uma vez.

Já na África do Sul Gandhi declara “During my first sojourn in South África it was Christian influence that had kept alive in me the religious sense. Now it was theosophical influence.” Durante minha primeira temporada na África do Sul foi a influencia cristã que manteve meu senso religioso vivo. Agora foi a influencia teosofica.

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No capítulo RESULTADO DE INTROSPEÇÃO Gandhi declara ter fé no Gita e tentou decorar um ou dois versos deste todos os dias.

Ele termina este capítulo concluindo “what a terrible responsability it is to be a parent”. Que responsabilidade terrível é ser pai.

Ele gostava dos filhos, mas a verdade é que estando na vida pública, ter que cuidar de crianças, atrapalhava. Depois que ele entrou para a vida pública, percebi em sua narrativa que preferiria não ter tido filhos (pois seria uma preocupação a menos).

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Gandhi fez experimentos na área da saúde com tratamentos de lama e água. Ele também seguia o tratamento Kuhne.

Quando seu filho Manilal de 10 anos adoeceu o médico receitou uma dieta com ovos e canja mas Gandhi sendo vegetariano não permitiu que o filho comesse estes alimentos.

Quando ele mesmo (Gandhi) adoeceu, ele começou a tomar leite de cabra para se recuperar.

Os indianos tomam toneladas de leite todos os dias durante a vida toda. Na Índia o leite da vaca não é para os bezerros mas sim para os “bezerros de 2 pernas”.

Observe como Gandhi passa longos períodos bebendo leite e depois pára, depois volta a beber e pára..... A verdade é que racionalmente falando Gandhi admite no livro que leite de vaca foi feito para os filhos das vacas (bezerros) e o leite humano para os filhos dos humanos. Leite é para a fase em que somos bebês e não é um alimento apropriado para adultos, mas mesmo assim, ele não consegue resistir e admite que gosta muito de tomar leite.

“I was a cruelly-kind husband. I regard myself as her teacher, and so harassed her out of my blind love for her.” Aqui Gandhi admite que era cruel para com a esposa pois se via como seu professor e a perseguia com seu amor cego.

Ele obrigava a esposa a limpar não somente as fezes (latrina) da família como também de outras pessoas que moravam na casa.

Tem uma cena no filme GANDHI a este respeito. A latrina na verdade é um buraco no chão que quando enche, deve ser esvaziado, ou seja, retira-se a bosta velha e fétida e joga-se fora, esvazia-se o buraco, para poder utilizar novamente. Outro tipo de latrina é como se fosse uma cadeira com um pinico no meio, quando o pinico enche, joga-se fora as fezes e urina e recoloca-se o pinico no lugar (no buraco no meio da cadeira).

Gandhi mudou depois de uma certa idade e parou de abusar psicologicamente da esposa, mas foram anos de sofrimento e abuso emocional que Kasturba agüentou. Hoje ela é nome de rua aqui em Delhi e este é mais um exemplo de que Gandhi foi uma metamorfose ambulante.

FOTOS: Gandhi com o uniforme do Indian Ambulance Corps que ele mesmo formou para participar da guerra do Boer na Africa do Sul; e com sua santa esposa Kasturba, sofredora silenciosa das loucuras do marido excentrico.

Aguarde continuação...

Om Shanti

04 setembro 2006

Museu do Toilet


Namastê = Nâmaskar

Em 1857 Joseph Cayetty inventou o papel higiênico que era vendido as escondidas nas farmácias pois as pessoas sentiam-se envergonhadas ao comprar. Papel higiênico macio apareceu em 1932 e o papel colorido só em 1957, mas não na Índia, claro!

Aqui na Índia como você já sabe, uma minoria de pessoas usa papel higiênico e o ‘toilet’ são os trilhos dos trens ou o capim. Por isso mesmo é deveras interessante que tenhamos aqui um museu de toilets!!!! Isso é que é uma terra de contrates!

Quando vier a Delhi não deixe de visitar o SULABH MUSEUM OF TOILETS que fica na Sulabh Bhawan, Mahavir Enclave, Palam Dabri Marg. Aberto de segunda à sábado das 10h00 as 17h00.

***
A senhora Besi Devi de 90 anos de idade, da vila Bhetinalla que fica a 100 km de Shimla, casou-se com Pratap Singh de 50 anos de idade.
O fato dela ser viuva e de ser 40 anos mais velha que o marido é que casou espanto pois isso ainda é um grande tabu aqui. Viuvas no geral não se casam novamente após a morte do marido. Nem Sonia Gandhi que é italiana de nascença ousou quebrar esta tradição-tabu.

***
As donas de casa indianas estão topando tudo por dinheiro.
Elas estão posando nuas em escolas de pintura, alugando a barriga para casais sem filhos, sendo voluntárias para testes clínicos etc.
Posar nua aqui em Delhi paga o equivalente a 100 Reais por 4 horas sem se movimentar.
Alugar o útero para parir filhos de outras pessoas é mais lucrativo, paga cerca de 8 mil reais.
Fazer artesanato é coisa para as mulheres do interior, as das cidades grandes estão descobrindo outras fontes lucrativas de dinheiro. E você ainda acha que a Índia é espiritualizada????? ACORDA!!!!!!!! Aqui o povo é capitalista ao extremo!!!!!

***

Estou decepcionada com certas pessoas sem criatividade que descaradamente lêem o blog e copiam certas matérias e as põem em seus próprios blogs e comunidades do Orkut sem mencionar a fonte, como se fossem elas que tivessem escrito!!!

Eu sei que o Indi(a)gestão e o (In)diarréia são fontes de inspiração para jornalistas, estudantes e blogueiros, mas por favor gente, tudo tem limite!!

Incredible India! (slogan do governo indiano)

OM Shanti

23 março 2006

Adaptação - Continuação


Continuação de ontem

Muitos lugares já possuem atualmente “western toilet” ou seja, privada onde se senta, mas a maioria ainda é “Indian toilet”, privada no chão onde temos que nos agachar.

É fundamental carregar SEMPRE papel higiênico pois dificilmente você cruza com um. Uma opção é dispensar o papel e aprender a limpar a bunda diretamente com a mão esquerda e uma caneca d’água, que se encontra facilmente em todos os toilets hehehehe, eu tô fora!

Os que optam por se adaptar à caneca d’água em vez do papel higiênico, devem carregar na bolsa um sabonete, pois após limpar a bunda com mão, dificilmente se encontra sabonete para lavar a mão.

A pessoa deve tomar cuidado constante quanto a qualidade da água que vai beber para evitar graves diarréias e outras doenças. A pessoa deve pedir sempre água mineral lacrada, que deve ser aberta na sua frente ou carregar água de casa consigo. O melhor filtro de água aqui chama-se Aquagard fabricado pela Eureka.

Apesar do calor intenso é desaconselhável que as mulheres usem blusas sem mangas, saias, shorts, bermudas, tops, decotes profundos, transparências e qualquer outra roupa que não cubra a maior parte do corpo. Os homens indianos tem um desrespeito ENORME por todas as estrangeiras e consideram somente a mulher indiana como virtuosa, as outras todas são putas na visão deles.

A mentalidade masculina indiana ainda está tão atrasada quanto o país (reflexo um do outro?), e não vale a pena se arriscar desnecessariamente, pois o número de estupros anda aumentando muito por aqui e deixou de ser uma especialidade da capital e já se alastra por outras cidades.


Visto a grande diversidade de doenças tropicais aqui existentes é importante que as pessoas se imunizem contra a maior quantidade de doenças possíveis antes de vir para cá, resumindo, todos devem tomar vacinas.

Saiba que tudo custa bem menos do que sempre te pedem, seja por um produto ou por uma corrida de taxi. Uma das partes importantes de se adaptar a Índia é aprender a negociar. TUDO aqui deve ser barganhado e pechinchado ao extremo. É super cansativo, mas se a pessoa não fizer isto vai perder muito dinheiro. Negociar o preço de uma corrida de taxi é o pior, pois eles dificilmente usam o táximetro e literalmente te enganam e roubam o mais que podem.

Livrar-se dos inúmeros pedintes é outra tarefa a ser enfrentada diariamente, não tem jeito, o país possui uma grande população de miseráveis. Além deles temos que nos adaptar também a lidar com os “touts”, trapaceiros profissionais. Geralmente homens (ainda não vi nenhuma mulher) que te levam à lojas, agências de turismo, hotéis etc. de onde eles recebem comissão e onde você acaba gastando muito mais.

As três coisas mais difíceis da minha adaptação foram o clima infernal do verão, foi ter que morar na casa da sogra com toda a família dele e a comida extremamente apimentada e oleosa.

E é escrevendo sobre a comida com que eu concluo esta rápida visão geral em termos de adaptação à Índia para quem planeja vir para cá para morar.

1. A comida feita sob precárias condições de higiene sempre me causou grandes diarréias, indi(a)gestão e infeções intestinais com febre e uma profunda e indescritível dor. Os antidiarreicos, antibióticos, anti-ácidos, e analgésicos se tornaram meus melhores amigos aqui.
2. Sou grata a multinacional que fabrica o Fernegan, com o qual não consigo mais viver. Fenergan sempre me salva das reações alérgicas que tenho à certos tipos de alimentos. Sendo uma pessoa alérgica, a cozinha indiana com certeza não é a mais indicada para meu caso. Carregada com pimenta vermelha, verde e preta só mesmo Fenergan para me salvar!
3. A comida aqui é muito cara pra quem ganha em Rúpias, mas se você vier pra cá ganhando em dólar, sem problemas Um vidro de 250 gr de azeitonas custa 90 Rúpias, um pacote de queijo ralado de 200 gr custa 200 Rúpias e assim por diante.
4. Muitos produtos e alimentos não é fácil de se encontrar ou simplesmente não tem. Os brasileiros que vem me visitar sempre tem a delicadeza de me perguntar se preciso de alguma coisa e infelizmente sou obrigada a dizer “sim”. Almas boas, gentis e generosas já mataram meus desejos de comer, pão de queijo, miojo de camarão, bacalhau, Bis, sonho de valsa, cachaça, salame, e tantas outras coisas até mesmo o emplastro Salompas pra minha bursite já me trouxeram!! :-) Por isto é que sempre digo: “Brasileiro é tudo de bom”!!! :-)

É uma tristeza ver o desespero das brasileiras que aqui moram perguntando umas as outras quem está vindo do Brasil para poder pedir Zerocal, guaraná, farinha de mandioca, palmito etc. A lista é infinita....

Adaptar-se a esta falta de produtos é o mais difícil. Você as vezes quer fazer uma receita mas não pode pois não tem os ingredientes necessários. É muito frustrante!!! Coisas que eram tão comum no Brasil, que se encontrava em qualquer lugar aqui são uma preciosidade!!!

Tudo isto e muito mais faz parte do processo de adaptação para quem vem morar na Índia ...


Incredible India!

Om Shanti

08 janeiro 2006

Ocidentalização


08/01/2006

Nâmaskar

Os indianos que moram em cidades e que são de classe média (para cima) começam a se ocidentalizar. Agora um dos símbolos de status socio-econômico é possuir um cão de raça.

O interessante é que na Índia uma parte da população é vegetariana. E o que acontece então com o símbolo peludo de status???

Em alguns casos, queira ou não o quatro patas também é vegetariano! Abobrinha e papaia verde é a alimentação do canino que mora no andar de cima de onde moro. Tenho muita pena dele. Magro, está sempre com fome. Quando me vê fica todo feliz pois sempre dou-lhe pão, bolacha e restos de comida dos meus gatos.

Acostumados a terem somente vacas e cabritos de estimação, será que os indianos pensam que os cães também são vegetarianos? Só sei que ainda é muito melhor ser uma vaca (animal) na Índia!

Como todos já sabem, a privada indiana é no chão.
Agora os novos prédios comerciais em Delhi possuem somente privadas “européias”, ou seja, as de sentar. Assim como é difícil para nós ocidentais fazermos ... agachados (ainda mais eu gorda e com essa barriga que me empurra pra trás cuja tendência é cair de bunda dentro da coisa), também é difícil para eles fazerem ... sentados. Eles se empuleram e se equilibram em cima das finas bordas dos sanitários “europeus” e mandam ver... Já pensou o malabarismo??!!

Outra coisa interessante da ocidentalização da classe média urbana indiana é a estória do bolo. Bolo nunca fez parte das celebrações indianas. Bolo de aniversário, casamento, etc até alguns anos atrás não eram comuns.

Quando em 2003 o sobrinho do meu esposo fez 1 ano de idade, nós oferecemos a ele de presente um lindo bolo de aniversário de chocolate no formato de um ursinho; até aí tudo bem, o que me espantou foi que primeiro comeram o bolo todo e só depois é que serviram o jantar.

Culturalmente estou acostumada com a ordem inversa. Sempre foi uma emoção esperar pela ordem de partir o bolo, dessa vez a emoção foi ver a ansiedade indiana em comer o bolo. Bolo (ainda mais em Kolkata) ainda é uma coisa pouco comum. Valeu a pena ver o garoto rindo e se lambuzando, feliz com o bolo. Em 1 ano de vida, foi a primeira vez que ele provava a gostosura fofa de chocolate com cobertura e recheio. Depois de cada dentada ele ria e batia palmas enquanto a cara ia ficando marrom de chocolate.

Mas o segredo é que na verdade ele não era o único a se deliciar, muitos dos adultos ao seu redor também estavam saboreando um bolo de aniversário pela primeira vez. E eu saboreava a tudo isso!

Resposta: Luís, com 3 semanas da pra ver muita coisa na Índia, mas precisa ter muito pique e energia. Sugiro que visite o Triângulo Dourado, ou seja, as cidades de Delhi, Agra e Jaipur. Me diga se vc prefere ver quantidade (muitas coisas num dia só) ou qualidade (poucas coisas com calma). Me passe teu e-mail que te respondo em detalhes, ok. Delhi só é perigosa para mulheres sozinhas devido ao alto grau de estupros. Delhi é a capital dos estupros.

Incredible India!

Om Shanti

26 novembro 2005

Dalit


Nâmaskar

O grupo de hip hop Flipsyde está em Delhi para dar um show. Os rapazes indianos adolescentes e na faixa dos 20 anos estão aderindo a música hip hop.

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Em Mumbai dois homens foram sentenciados a pena de morte por enforcamento. É muito raro sentneça de morte dupla como essa que ocorreu ontem.

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123 pessoa morreram e dezenas de outras estão feridas quando dois ônibus lotados foram levados pelas águas da inundação no estado de Tamil Nadu no sul da India.

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Os jovens indianos querem ter o direito de beber bebida alcólica aos 18 anos. Eles argumentam que se podem votar com 18, dirigir, casar etc, também podem beber. A lei aqui permite somente pessoas acima de 25 anos beberem bebida alcólica.

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Um garoto de 11 anos de idade, estudante da 6º série estuprou o bebê da vizinha; uma bebezinha de 11 meses.

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37% da população urbana da India não possui toilets. Dos felizardos que possuem toilet, somente 28% estão conectados ao serviço de esgoto público. E como fica o resto? Os que não tem, fazem no mato, na rua, na linha de trem, em qualquer lugar. Os que tem mas que não está conectado ao esgoto público contrata um Dalit (intocavel) para limpar.

Dalits são carregadores e limpadores de fezes humanas. As toilets sem conexão ao esgoto tem que ter suas caixas de coleta de fezes esvaziadas a cada semana. O Dalit vem, (sem luva, sem botas, sem proteção alguma), retira as fezes acumuladas e leva até um matagal, rio, lago etc por perto e joga fora. Esse é seu trabalho – carregador de bosta humana. Passam o dia carregando e mexendo na merda. O duro é quando o grande balde cheio de merda que eles equilibram na cabeça, entorna e ai é aquele banho!

Se quiser lugar limpo, banheiro desinfetado, vá pra Europa, pros Estados Unidos ou pro Canadá. Se for pra vir cheio de preconceito e pra falar mau, então não venha para a India. Tem mais de 200 paises no mundo atualmente, escolha outro!
Incredible India!

Om Shanti