27 de março de 2007

Ramayana



Nâmaskar

Hoje é dia de Rama (ou Ram); quando os hindu lêem o Ramayana por 24 horas ininterruptas. Assim sendo, e eu mesma já tendo lido o Ramayana em versão resumida, resolvi discorrer hoje sobre este grande e antiquíssimo épico sânscrito indiano atribuído ao profeta Valmiki

Ramayana significa “viagem de Rama” e está dividido em sete Kandas (cantos) com um total de 24 mil versos. Agora você entende porque eu li a versão resumida de somente 12 pequenos volumes :-)

Este épico não é somente uma grandiosa obra literária como também faz parte das escrituras sagradas do hinduismo, pois contém os ensinamentos dos antigos sábios hindus e os apresenta através de alegorias na narrativa e a intercalação do filosófico e o devocional. Estima-se que a versão atual tenha sido escrita por volta de 300 anos A.C.

O Ramayana se tornou popular no sudeste asiático e se manifestou em texto, arquitetura e performance, particularmente na Indonésia, Tailândia, Camboja, Laos, Malásia, Myanmar, Filipinas e Vietnã.

Rama é uma das reencarnações do deus Vishnu, um dos três deuses da tríade hindu (Brahma, Vishnu e Shiva), tríade esta que deu origem a tríade cristã (Pai, Filho e Espirito Santo). Sita, esposa de Rama, é um reencarnação da deusa Lakshmi.

O Ramayana retrata toda as manobras políticas da época e a luta pelo poder. Há muitos ensinamentos nas entrelinhas desta obra quanto a cultura indiana e sua forma e filosofia de vida.

No Ramayana o príncipe Rama do principado de Ayodhya tem sua esposa Sita raptada pelo terrível demônio Ravana enquanto eles estão no exílio na floresta. Rama passa a procurar sua esposa incessantemente e recebe ajuda dos macacos cujo chefe principal é Hanuman. Hanuman descobre que sita, a esposa de Rama foi levada para a ilha de Lanka (atual Sri Lanka, ao sul da Índia).

Como não poderia deixar de ser, o Ramayana mostra e deixa claro o machismo dos homens indianos. Imagine você, que finalmente após tantas lutas e batalhas até encontrar e salvar Sita do cárcere onde Ravana a confinou, seu marido Rama a recebe com frieza dizendo que ela não poderia mais ser a sua esposa, depois de ter habitado a casa de Ravana e ter certamente transado com ele.

Sita diz ser inocente e que enquanto esteve presa nada aconteceu. Rama pede a ela para provar sua inocência e ordena que a sua pira funerária fosse construída, já que ela iria preferir morrer com fogo a viver desprezada por seu marido (esta prática hindu de queimar mulheres vivas chama-se Sati).

Rama viu Sita entrar nas chamas sem nenhum temor pois era realmente inocente. Agni, o deus do fogo, apareceu, recebendo Sita ilesa nos seus braços. A sua inocência foi então publicamente provada pois ela saiu ilesa do fogo, e assim, ela foi aceita novamente por Rama, cujo comportamento ela logo perdoou como uma boa e submissa esposa indiana.

Como este evento se passou na floresta, poucas pessoas, só as pessoas dos vilarejos próximos, testemunharam a inocência de Sita na literal prova de fogo (de onde surgiu tal expressão). Ao voltar para o principado de Ayodhya, as pessoas de lá começaram a fofocar dizendo que a tal estória da prova do fogo era balela e que Rama era corno manso. Irritado, Rama pede a Sita que faça novamente a prova de fogo para as pessoas de Ayodhya. Sita sente-se ofendida e profundamente magoada com o marido pois este dá mais importância ao que os outros dizem do que ao que ele mesmo presenciou com seus próprios olhos. Assim, sita pede a deusa terra que a carregue em seu colo. A terra começa a tremer e um grande buraco abre-se no solo onde sita vai submergindo lentamente para nunca mais voltar.

Naturalmente que sendo feminista assumida esta parte do Ramayana mexeu muito comigo, mas não se deixe levar por minha opinião, eu sou muito feminista, e leia o Ramayana para absorver todos os ensinamentos que este grande e maravilhoso épico tem a oferecer.

O mais interessante do Ramayana é que seu escritor, o poeta Valmiki se inclui e participa da narrativa, fato que achei deveras peculiar.

O Ramayana pertence ao Treta Yuga, uma das quatro eras da cronologia hindu.

A rota da viagem de Rama até o sul da Índia, é a cada ano, percorrida por peregrinos devotos. O poema não é um mero monumento literário, mas sim uma parte do Hinduismo. O Ramayana é tido em tal reverência que o mero ato de o ler ou ouvir liberta as pessoas de seus pecados e confere todos os desejos ao leitor ou ouvinte, segundo os hindus.

Como é o caso com muitos épicos orais, múltiplas versões do Ramayana sobrevivem. O Ramayana relatado no norte da Índia difere em aspectos importantes daquele preservado no sul da Índia e no resto do sudeste asiático. Há uma extensa tradição de narração oral baseada no Ramayana na Tailândia, Camboja, Malásia, Laos, Vietnã, e Indonésia.

Existem diversas versões regionais do Ramayana escritas por vários autores na Índia. Alguns deles diferem significantemente um do outro. Muitas outras culturas asiáticas adaptaram o Ramayana, resultando em outros épicos “nacionais”.

Entre as ruínas do império Vijayanagara próximo a Hampi, está uma caverna conhecida como Caverna de Sugriva. A caverna é marcada por desenhos coloridos. Rama conheceu Hanuman aí. O lugar também é o lar do famoso templo Hazararama (Templo dos mil Ramas).

Rama Setu, uma ponte feita de baixios, que se acredita ter sido construída por Vanar Sena (exército de macacos, comandado por Hanuman) entre Índia e Sri Lanka pode ser vista em imagem da NASA. Esta ponte foi construída para que se pudesse chegar ao Sri Lanka e resgatar Sita, a esposa de Rama aprisionada.

Para baixar a série de TV Ramayan acesse o site: (em inglês) http://www.imserba.com/forum/showthread.php?t=69031

O famoso Mahatma Gandhi era devoto de Rama e morreu com seu nome em seus lábios.

Os devotos do guru Ramakrishna devem saber que o nome Ramakrishna é formado por Rama + Krishna, ou seja, as duas últimas encarnações do deus Vishnu.

Incredible Índia! (slogan do governo indiano)

OM Shanti