29 de novembro de 2007

Uma revolução na Índia: a expansão econômica gera mobilidade social


Paul Beckett, Krishna Pokharel e Eric Bellman,
the Wall Street Journal,
de Nova Déli e Mumbai
28/11/2007










"Meu filho teria seguido meus passos dez anos atrás",
diz Sanjaya Sharma, de 39 anos. Ele trabalha, como
seu pai trabalhou, num crematório às margens do
Rio Yamuna, em Nova Déli, onde piras funerárias
abertas ficam sobre cem vigas de concreto. O trabalho
de Sharma é garantir que os corpos estejam
totalmente cremados e, se os filhos do defunto
não estiverem disponíveis, furar crânios com uma
vara num ritual sagrado hindu. Um dos trabalhos
mais humildes da sociedade indiana
paga a Sharma 200 rupias, ou cerca
de US$ 5, por dia.

Agora, o pai de cinco filhos diz: "Não quero que meus filhos façam o
que eu faço. Quero que entrem para o mundo dos negócios, se
eduquem, tenham uma profissão respeitável, aprendam
computação e ganhem seu sustento." Sharma e sua mulher
estimulam a filha mais velha, Khushboo, de 14 anos, a ter boas
notas na escola. Khushboo afirma que quer "ter um bom emprego
no setor privado em Bombaim ou na América", usando o nome
antigo da cidade de Mumbai.

Essa nova sensação de possibilidade entre os indianos, muitos
dos quais nas classes mais baixas, é uma das mais profundas
conseqüências sociais do grande despertar econômico deste
país de 1,1 bilhão de habitantes.

O crescimento econômico tem sido, em média, de 8,6% ao ano
nos últimos quatro anos, uma taxa que, se sustentada, dobraria
a renda média em dez anos. Empresas indianas estão comprando
rivais ocidentais. Levas de profissionais indianos, por sua vez,
estão voltando do estrangeiro por enxergar aqui mais chances
de sucesso empreendedor. Indianos mais pobres estão
mudando de vilarejos para cidades em busca de novos
empregos e vida melhor.

Dados demográficos sugerem que o boom econômico da Índia vai continuar. Cerca de um terço da população do país tem menos
de 15 anos. Nos próximos cinco anos, a Índia será responsável
por quase 25% do aumento da população em idade de trabalho
no mundo, segundo um relatório de outubro do Banco Mundial.
A população da China, em comparação, está envelhecendo depressa: prevê-se que sua população em idade de trabalho vá cair de 67% do
total em 2000 para 57% em 2050, segundo outro estudo do Banco Mundial, divulgado em setembro.

A Organização para a Cooperação o Desenvolvimento Econômico
declarou recentemente que a Índia se tornou em 2006 a terceira
maior economia do mundo, atrás dos Estados Unidos e da China,
com base na paridade do poder de compra, que ajusta as taxas
de câmbio para equalizar o custo de produtos em diferentes países.

A recente ebulição da Índia contrasta com os trágicos aspectos
deste país tão antigo. Muitos de seus habitantes rurais, que
representam cerca de 70% da população, ainda vivem sob
uma pobreza brutal. Subnutrição, mortalidade infantil e
outras doenças são comuns, especialmente no campo,
porque vários governantes deixaram de investir em saúde
e muitos fundos públicos e de organizações assistenciais
destinados aos pobres são desviados pela corrupção.

E não é a primeira vez que a Índia sente esse tipo de otimismo.
Quando o país se tornou independente, seus líderes acreditavam
que a nação poderia garantir para si um papel único como uma
democracia secular e tolerante, especialmente se a mão firme
do Estado estivesse no timão da economia. Desde então, a
estabilidade da Índia tem sobrevivido à turbulência que
freqüentemente assola o vizinho Paquistão, que se tornou
independente no mesmo ano. Mas o desempenho econômico
da Índia nas décadas após a independência foi tão ruim que
se tornou conhecido pejorativamente como a "taxa hindu
de crescimento".

A Índia também já teve fases de rápido crescimento econômico
antes. Foram três só nos anos 90, mas o boom acabou quando
veio a crise financeira da Ásia.

Mas há pouco que se compare com o que está acontecendo em
grande parte do país hoje - mudanças que estão alterando a
maneira como as pessoas vivem e suas aspirações. Empresas
de turismo doméstico estão batendo recordes de reservas.
Um anúncio da IFB Industries Ltd., uma fabricante de
máquinas de lavar, secadoras e microondas, mostra uma
jovem sorridente olhando para uma planilha em seu
laptop. "Preocupada com o trabalho da casa?",
pergunta o anúncio. "Liberte-se com IFB."

As oportunidades abertas para jovens indianos são vastas
agora em comparação com poucos anos atrás, e vão
muito além de informática e call centers. Novos setores
inteiros, livres do controle estatal, oferecem uma novo
e mais amplo leque de opções.

"Na minha comunidade, você só podia ser engenheiro ou médico",
diz Sunil Ji Bhat, de 22 anos, um membro do Kashmiri Pandit,
grupo de Brahmins de Caxemira, uma localidade predominantemente
muçulmana. Sob o antigo, mas ainda influente, sistema de castas,
os Brahmins estão no topo. As castas de guerreiros, mercadores e
operários ficam para baixo. "Agora, novas coisas estão
aparecendo: seguros, jornalismo, administração de hotéis, e
os jovens são muito atraídos para esses novos campos."

*

Para mim este artigo esta otimista demais. Eh a famosa propaganda indiana que tenta vender a você ocidental uma imagem da Índia que na realidade NAO existe; assim como ocorreu na década de 60, 70, 80 e 90 quando te venderam a imagem de uma Índia espiritualizada que também não existe.

Naquela época "esqueceram" de te contar que a Índia espiritualizada mata os fetos e os bebes femininos, mata as viuvas de fome ou de sati, pratica sacrifícios humanos e animais, permite o casamento infantil e de crianças com adultos etc....

Agora estão se esquecendo de te contar que a economia esta baseada na FOME e na EXPLORACAO infantil e de adultos que trabalham como escravos por somente 1 prato de comida e 200 rupias por mês (10 Reais)

Um pai sonhar em um futuro melhor para seu filho nao eh crime, mas isso tornar-se realidade eh bem diferente....

Foto: Mulher dalit varrendo fezes de esgoto a ceu aberto.