4 de abril de 2006

Water



Nâmaskar

Hoje vou contar o enredo do excelente filme WATER, escrito e dirigido pela fantástica cineasta indiana Deepa Mehta. Esse filme é de 2005 e os atores principais são John Abraham e Lisa Ray, ambos muito bonitos e talentosos.

O filme chama-se WATER, traduzindo - Água. E faz parte da série Fire, Earth, Water (Fogo, Terra, Água). O DVD possui legenda em inglês e francês, pois foi lançado no Canadá.

O filme começa com a seguinte citação:
“Uma viúva deve sofrer prolongadamente até sua morte, auto-contida e casta. Uma esposa virtuosa que se mantém casta quando seu marido morre vai para o céu. Uma mulher que é infiel a seu marido renasce no ventre de um chacal”.
As Leis de Manu
Capítulo 5 versículos 156-161
Dharamshastras (Textos Sagrados Hindus)

A estória é de uma menina que casada com um homem muito mais velho fica viúva aos 7 anos de idade. O filme se passa em 1938, época em que Mohandas Gandhi tenta introduzir na Índia idéias de liberdade, igualdade, fim do sistema de castas e da discriminação.

O filme mostra ainda os seguintes aspectos culturais:
- Cremação de corpos a céu aberto a beira do rio Ganges em Veranasi (na realidade o filme teve que ser feito no Sri Lanka pois Deepa Mehta e sua equipe foram expulsos de Veranasi, tiveram suas câmaras e materiais de filmagem destruídos e foram ameaçados de morte).
- O ritual de cortar o cabelo da viuva e raspar-lhe a cabeça careca.
- Vestir somente roupas brancas depois da viuvez.

Naturalmente, ao mostrar fatos reais como a condição subumana de vida das viúvas, Deepa Mehta mais uma vez, coloca o dedo na ferida da hipócrita sociedade indiana; e por isso mesmo ela não é mais bem-vinda por aqui.

A Índia não quer ver revelada sua realidade desumana e brutal e tenta de todos os modos mostrar ao ocidente uma imagem de desenvolvimento espiritual que na realidade não existe.

O filme é doce, a fotografia é linda e as músicas são belas e suaves, com certeza não justifica a enorme onda de ameaças que Deepa Mehta sofreu.

Pensei que o filme fosse ser intenso e contundente, mas Deepa Mehta ‘pegou leve’ e nem abordou questões mais sérias como a gravidez de viúvas que transavam com os sacerdotes hindus em troca de um prato de comida.

“Há 34 milhões de viuvas na India segundo o Censo de 2001, muitas continuam a viver sob condições subhumanas, como prescrito 2000 anos atrás nos textos sagrados de Manu.” Com esta frase, o filme termina.

OM Shanti