17 de fevereiro de 2008

Ibira na India - Parte 2




Em primeiro lugar queria pedir desculpas pela demora em mandar um segundo relato, mas nos ultimos dias foi impossivel utilizar a internet. No meu ultimo relato eu havia dito que apos o susto de Mumbai eu pude ter dias maravilhosos na India. Isso de fato eh verdade. Quando encontrei com minha amiga no aeroporto em Mumbai depois de um dia de India assustador pra mim, no's fomos a uma estacao de trem onde partiriamos a uma cidade 300km ao sul de Mumbai, onde um amigo indiano online que eu nunca tinha visto a cara estaria me esperando. A viagem de trem, apesar de ter sido a maior parte diurna, foi na "sleeper class", ja que duraria 7 horas. Esse tipo de vagao, embora relativamente confortavel para os padroes indianos, possui apenas estruturas para deitar, onde cada "nicho" possui tres andares de "cama" de cada lado.

Bom, eu nao dormi, mas pude ficar relaxado. No mesmo nicho que estava eu e minha amiga sentou uma familia cujo pai falava ingles e ele pode nos ajudar a saber em que estacao deveriamos descer, exatamente. Para estrangeiros nos trens indianos, sentar com pessoas confiaveis pode significar realmente uma grande ajuda, ja que em muitos casos eles nao medem esforcos para realmente ajudar.

As sete da noite chegamos em Chiplun, ja estava noite e a plataforma estava escura. Pensei: "Meu Deus, como meu amigo vai me reconhecer nessa escuridao??". No entanto, nem um minuto depois, escutei: "Hey, Mr. Tree" (meu nome, no Tupi-Guarani, pode ser traduzido para "arvore" e meu amigo sabia disso). Era ele, meu amigo online que eu nunca tinha visto a cara me encontrando na escuridao - ele ja tinha visto a minha em foto.

Da estacao em Chiplun pegamos um riquixa (meu primeiro) para a vila em que ele mora, chamada Parshuram, onde ficariamos na casa dele. Ao chegarmos na vila a mae dele ja nos esperava do lado de fora, junto com os vizinhos dos dois lados. Nos receberam com um enorme sorriso de boas vindas e deixamos as malas. Meu amigo nos levou pra dar uma volta na vila enquanto a janta ficava pronta e, por sorte, estava havendo um evento na escola publica da vila muito interessante. Ele me contou que a vila eh muito pequena e que as pessoas sao muito pobres, alem de ter muito mais gente morando nas areas mais afastadas - e sao principalmente eles que tem seus filhos estudando nessa escola publica. Para os outros com um pouco mais de dinheiro existe ali na vila tambem uma escola particular excelente, que foi onde meu amigo estudou. Bom, nessa escola publica estava havendo um encontro que so acontece uma vez por ano, onde as criancas dancam e cantam temas tradicionais, inclusive com as roupas tradicionais, o que eh motivo de muita emocao para os pais dessas criancas. O que mais me impressionou, no entanto, foi como o palco estava bem montado e bonito, com panos coloridos e cortina que subia e descia, embora a estrutura em si fosse no estilo indiano - barras de madeira amarradas com cordas.

Voltamos pra casa e pela primeira vez tive que tirar o sapato ao entrar em casa indiana - isso eh regra. Em seguida, fomos a cozinha e cade a mesa? Sentamos no chao. Imediatamente chegaram os pratos de inox - outra regra indiana - com a comida indiana que eu tinha pedido que fosse feita sem se preocuparem com a pimenta. E cade os talheres? Nao, nao, come-se com a mao. Direita, por favor. Eu havia pedido ao meu amigo que nada fosse feito de diferente so porque eu estava la, pois eu queria experimentar TUDO o que eles faziam normalmente, absolutamente tudo. Queria experimentar a vida indiana, o cotidiano. Digo que minha primeira janta plenamente indiana foi absolutamente um sucesso, considerando os fatores pimenta e comer com a mao.

Encerro esse meu longo relato com minha primeira noite tambem realmente indiana. Os comodos das casas na India, via de regra, nao tem exatamente as mesmas funcoes que no ocidente. A sala tem cama, o quarto tem cama e a cozinha tem cama. Eu e meu amigo dormimos na cozinha - no chao (em colchonetes, claro). Quando eu estava quase dormindo ouvi uns barulhos na cozinha. Meu amigo disse: "Eh o camundongo, voce nao tem medo nao, ne?". E eu, querendo viver tal qual eles e procurando sempre relaxar quando via que eles estavam plenamente relaxados disse: "Nao". No dia seguinte tive mais algumas primeiras experiencias tipicamente indianas, mas deixo para o proximo relato.