26 junho 2007
02 junho 2007
Autobiografia de Gandhi - Parte 9
02/06/2007
Continuando com a autobiografia de Gandhi....
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No capítulo ALFABETIZAÇÃO, Gandhi confessa que não sabia Tamil e Urdu suficientemente bem, mas que atuou como professor na comunidade Phoenix ensinando as crianças o pouco que sabia. Ensinou também Gujarati, Hindi e um pouco de Sânscrito.
Certa vez um aluno mal-educado, mentiroso e desobediente levou Gandhi ao desespero, que apanhou uma régua e deu uma reguada no garoto. “I picked up a ruler lying at hand and delivered a blow on his arm.” Em seguida, ao ver o garoto chorar, Gandhi se arrependeu e nunca mais bateu em seus alunos. (Onde fica a Ahimsa???) Eu lecionava mas nunca bati em aluno nenhum, muito menos dar um reguada, ainda mais que naquela época as réguas eram de madeira.
Neste capítulo ele também diz que bateu uma única vez em um de seus filhos, mas não diz em qual deles ou o motivo.
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No capítulo ENCONTRO COM GOKHALE Gandhi conta que o movimento Satyagraha terminou em 1914 na África do Sul. Ele recebeu instruções de Gokhale para retornar a Índia via Londres e assim ele o fez em julho de 1914.
Durante a viagem Gandhi implicou com seu amigo Sr. Kallenbach pois este possuía um binóculos de que gostava muito. Gandhi achava que o binóculos era uma possessão material que não combinava com o ideal de simplicidade adotado por ele, assim sendo, Gandhi pegou o binóculos do companheiro e jogou-o ao mar durante a viagem de navio de retorno a Londres.
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O capítulo MINHA PARTICIPAÇÃO NA GUERRA refere-se a participação de Gandhi na 1 Guerra Mundial.
Gandhi era fiel a Inglaterra e não achava oportuno trai-la em um momento de necessidade como este. Seus amigos viam a guerra como uma oportunidade para tentar a independência da Índia, mas Gandhi discordava e acreditava que os indianos deveriam ajudar a Inglaterra na guerra.
Gandhi se voluntariou para participar no serviço de ambulância e primeiros socorros. Assim, Gandhi participou de 3 guerras, 2 na África do Sul (Boer e Zulu) e na 1 Guerra Mundial em Londres.
No capítulo DILEMA ESPIRITUAL Gandhi tenta convencer os amigos de que sua participação nas guerras não ia contra os preceitos da não-violência (Ahimsa), mas seus amigos discordavam. Porém quando Gandhi descobriu que não seria o líder da corporação de voluntários indianos que ele mesmo formou para participar da guerra, revoltou-se e criou uma pequena Satyagraha. Gandhi havia organizado tudo e juntado 80 voluntários indianos, mas acabou ficando acamado. (Freud explica. Para quem estudou psicanálise, este livro é um prato cheio).
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No capítulo TRATAMENTO DA PLEURITE, Gandhi apesar de estar com pleurite recusou-se a tomar leite para se recuperar. Finalmente Gandhi se recupera e retorna a Índia após ter ficado 10 anos fora.
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Já na Índia, Gandhi quis ter um ashram em Gujarat, sua terra natal, nos moldes da fazenda Phoenix (comunidade alternativa auto-suficiente) que havia criado na África do Sul. Como ele não possuía nenhuma verba para isso, seu amigo Gokhale comprou o ashram e arcou com todas as despesas para ele.
Enquanto isso, as pessoas da fazenda Phoenix ficaram provisoriamente em Shantiniketan. O interessante é que Gandhi conta que fez experimentos na escola do “poeta” porém não o chama pelo nome – Tagore. (Veja foto)
Gandhi era partidário da filosofia do trabalho e adorava por as pessoas para trabalharem executando diversas tarefas. Ele fez isto também na escola de Tagore em Shantiniketan.
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Este capítulo, PASSAGEIRO DE TERCEIRA CLASSE é interessante pois Gandhi fez questão de viajar de trem na 3 classe com sua esposa e um dos filhos e reclama da falta de fila e organização para comprar as passagens.
Todos sabem que na terceira classe o bicho pega, ainda mais na Índia, mas Gandhi prefere reclamar.
Por fim, o filho conseguiu lugar no vagão superlotado da terceira classe mas Gandhi e a esposa preferiram entrar numa classe melhor. O fiscal os pegou pois é comum pessoas com passagens de classes inferiores quererem entrar nas classes melhores do trem; e Gandhi teve que pagar a diferença do preço da passagem.
Gandhi não poupa críticas sobre os indianos e desabafa dizendo “But the rudeness, dirty habits, selfishness and ignorance of the passengers themselves are no less to blame. The pity is that they often do not realize that they are behaving ill, dirtily or selfishly. They believe that everything they do is in the natural way.” A verdade é que infelizmente de 1927 até hoje, 2007, pouca coisa mudou no rude comportamento dos indianos que continuam sem noções básicas de higiene e limpeza; e muito menos de formação de fila. A Índia vive no passado.
Não só de trem, mas também de navio, Gandhi passou a viajar de terceira classe. Ele não chegou a fazer um voto oficial de pobreza, mas passou a viver de modo simples desde a criação da Satyagraha.
É muito interessante ir lendo e ir acompanhando a modificação interior e exterior de Gandhi. Sim, exterior também pois ele descreve suas vestimentas. Desde a época da Inglaterra onde andava bem alinhado e gastava dinheiro com roupas boas e cartola, até praticamente andar semi-desnudo e careca na Índia. Lembre-se que na África do Sul ele foi expulso do trem por querer andar na primeira classe!!! Como já disse antes, ele mudou muito mesmo.
Gandhi tinha por hábito fazer cortesia com o chapéu alheio e no capítulo KUMBHA MELA ele oferece-se para cuidar das latrinas porém põem o filho Manganlal para executar o serviço sujo. “The offer was naturally made by me, but was Manganlal Gandhi who had to execute it.” Esta questão da limpeza das latrinas era uma coisa muito importante para ele.
Há uma cena no filme Gandhi onde ele tem uma briga com a esposa pois ela recusa-se a limpar as latrinas.
Ainda neste capítulo da Kumbha Mela, Gandhi fica horrorizado com a exploração da fé das pessoas e conta como ficou assombrado ao descobrir que a vaca de 5 pernas na verdade era falsa e que os indianos simplesmente cortam a perna de um bezerro vivo e costuram no ombro de uma vaca normal. Para ele isso era uma tamanha crueldade para com os animais. “The result of this double cruelty was exploited to fleece the ignorant of their money.”
FOTOS: Gandhi com o poeta Tagore e Gandhi desembarcando de um trem.
Aguarde continuação…
14 fevereiro 2007
Bengalês (Bengali)

Nâmaskar
Excertos do livro “Autobiografia de um Iogue” por Paramanhansa Yogananda, sobre sua língua natal – o Bengalês (Bengali)
“Entre a confusão interna de idiomas, habituei-me, pouco a pouco, a ouvir as sílabas bengalis de meu povo”.
Ainda nesse mesmo capítulo, como nota de roda pé, temos a explicação:
“Babu (senhor) é aposto aos nomes em Bengalis”.
Mais adiante, encontramos:
... “Ela me ajudava no estudo de minha primeira cartilha em Bengali ...”
Capítulo 12 - Anos no Eremitério de Meu Mestre
“Sri Yuktéswar falava fluentemente inglês, francês, bengali e hindi; seu sânscrito era satisfatório”.
Capítulo 23 – Recebo Meu Diploma Universitário
“Aconteceu um incidente significativo por ocasião de meu exame em língua Bengali”.
“Nossos jovens bengalis, em geral, passam facilmente no exame de bengali ...”
“A letra e a assinatura de Láhiri Mahásaya, em língua Bengali, ...”
Bengali é a língua-mãe de muitos dos grandes gurus indianos como, por exemplo meu guruji Paramahansa Yogananda, Lahiri Mahasaya, Yukteswar Giri, Ramakrisha Paramahansa, Swami Vivekananda, Ananda Moyi Ma, Rishi Aurobindo e outros menos conhecidos no ocidente.
Paramahansa Yogananda, assim como todos os bengaleses e indianos em geral, era fascinado pelas obras de Tagore, e dedicou o capítulo 29 de “Autobiografia de um Iogue”, a falar sobre esse quase “herói nacional”.
Eu fui visitar o museu, onde estava em exibição a estatueta do prêmio Nobel que Tagore recebeu. O museu fica dentro do complexo universitário criado por Tagore, e onde estudou a falecida primeira ministra Indira Gandhi; mas infelizmente, não cheguei a vê-lo. Tive um mal-estar e desfaleci já dentro do museu. Fui levada ao pequeno posto de saúde que fica dentro do campus universitário e nunca mais voltei ao museu. Dois anos atrás o Nobel de Tagore foi roubado e até hoje não foi recuperado.
Bengali ou bengalês, é uma língua descendente direta do sânscrito, enriquecida por palavras do inglês e do português! Os povos que dominaram a Índia por muitos anos influenciaram essa língua.
Bengali, para sua surpresa, é a terceira língua mais falada no mundo!!! Isso se deve ao fato de não ser somente falada na Índia, mas também de ser a língua oficial do país vizinho, Bangladesh.
Incredible India! (slogan oficial do governo indiano)
OM Shanti
15 janeiro 2006
Tagore

15/01/2006
Nâmaskar
RESPOSTA:
A resposta do Desafio 2006 valendo uma cartela (simples) de Bindi é: Rabindranath Tagore, Bangladesh. Essa resposta não estava no blog não. Coloquei essa pergunta pois é um fato curioso. Dos mais de 200 países que existem no mundo atualmente, somente 2 países possuem a mesma pessoa como autor de seus hinos nacionais. Rabindranath Tagore, o grande poeta indiano de origem bengalesa que ganhou o prêmio Nobel de literatura, é a única pessoa do mundo a ser autor dos hinos nacionais de dois países diferentes! Os países são Índia e Bangladesh.
O atual país de Bangladesh fazia parte da Índia até 1947, assim como o atual Paquistão. Era tudo uma coisa só. Ao receber a independência da Inglaterra em 15 de agosto de 1947, os muçulmanos liderados pelo senhor Jinnah, quiseram formar um país só pra eles, e a Índia foi dividida em Hindustão e Paquistão.
Bangladesh não queria pertencer nem a um nem ao outro e lutou por sua própria independência. Antes da independência, Bangladesh chamava-se East Pakistão ( Pakistão do Leste) e era/é vizinha do estado de West Bengal (Bengala do Oeste), onde temos os famosos tigres de bengala. Não se assuste não, é verdade. Os tigres de bengala são indianos e NãO africanos como muitos pensam. Coincidentemente, meu esposo é de West Bengal, portanto, é bengalês, mas é mansinho como minha gatinha, não é feroz como os tigres não rssssss.
Bangladesh, tendo sido parte integrante da Índia por inúmeros anos, fala bengalês. Se vc for lá algum dia, vc não vai ver diferença entre Índia e Bangladesh; eles se vestem igual, se comportam igual etc. Portanto Tagore, sendo bengalês da época anterior a separação é considerado pelos bangladeshes bengalês e pelos indianos, um indiano bengalês. Foi assim que esse grande poeta e talentoso artista acabou tendo a honra de ser o autor do hino nacional de 2 países diferentes, Índia e Bangladesh!
Para quem ainda não conhece nenhuma obra de Tagore, deixo aqui minha recomendação para que vocês leiam pelo menos o famoso poema Gitanjali. Ou leiam o capítulo do livro Autobiografia de um Iogue de Paramahansa Yogananda dedicado a esse excelente artista e poeta.
A vencedora do quinto e último dia do Desafio 2006 foi Angélica. PARABÉNS!!!!!!
Atenção: Aos domingos não estarei mais escrevendo sobre os intrigantes aspectos culturais da Índia. Não fique triste, não me xingue; vc vai encontra-los nas postagens durante a semana. Domingo é o único dia que o maridão está em casa, e tenho que dar mais atenção à ele; afinal, ele é a unica razão pra que eu more neste fim de mundo.
Tenha um lindo domingo!