31 de maio de 2007

RESPOSTAS



Nâmaskar

Interrompendo as postagens sobre a Autobiografia de Gandhi pois hoje é dia de Respostas.

Vou começar primeiramente mandando beijos e muito carinho para os seguintes leitores:

Lakshimi (virou leitora assídua), Karen Yamauchi (e seus comentários divertidos), Júlio (beijos da fessora pois vc é muito participativo e sempre manda links bacanas), VerônicaS (agora são duas!), Elci, (já tem cadeira cativa no Indiagestão), Angela, Valmir (leitores de carteirinha), Camila, Tatiana, Rose, Pedro. Beijocas com sabor de ahimsa para todos vocês!!

Tatiana: Gostei de sua sugestão de termos no Indiagestão a biografia da Madre Teresa; a idéia está anotada, embora antes eu prefiro escrever sobre Indira Gandhi, a única Primeira Ministra indiana (mulher) da história da Índia.

Vivian; Vc leu TUDO, desde 2005 da Vaca Estuprada!!!!!! Parabéns!!! Fico feliz e emocionada com seu carinho e dedicação para com o blog Indiagestão. Vc me fez lembrar de um comentário que alguém fez já faz tempo dizendo que o Indiagestão “é viciante” hehehehehe, acho que vc está ficando viciada ;)

Continue lendo pois o blog terá cada vez mais notícias informações e novidades! Obrigada e um beijo especial pra vc!! (iiiiiiii vai ter muito leitor com ciúmes hehehehehehe).

Lakshimi: Vc quer saber por que os indianos estão invadindo o Orkut das brasileiras hehehehehehe muito boa pergunta!

Bom, a resposta mais simples é porque os brasileiros são a maioria absoluta no Orkut e em segundo lugar vem os indianos em termos quantitativos.

As mulheres brasileiras são lindas, simpáticas, educadas, inteligentes, depiladas, cheirosas, limpas etc. que homem vai resistir a tantas qualidades???

Indianos ADORAM ocidentais, especialmente as de pele clara. Eles não gostam das indianas por elas serem escuras. Indianos são muito preconceituosos quanto a cor da pele.

Indianos são loucos para ir ao Brasil pois morrem de tesão ao ver as brasileiras de biquíni nas praias lindas que temos no nosso Brasilzão.

Indianos pensam que todas as brasileiras são “dadas” visto que vêem as mulheres nuas sambando nas ruas durante o Carnaval.

Casando com uma brasileira, o indiano terá acesso não somente ao Brasil mas também aos países da América Latina e da Europa. Sem contar que o Real vale 20 vezes mais do que a Rúpia indiana.

Em fim, é só lucro pra eles, sem nenhuma perda!!!

Júlio: Meu aluno querido, aquele vídeo do prédio caindo é coisa de louco. O que cai de prédio aqui na Índia é de deixar o Naj Narras (é assim que se escreve?) com inveja!!!!

Pedro: É isso mesmo, como Raul Seixas cantava, Gandhi preferia ser uma metamorfose ambulante, ou seja, em constante processo de mudança. Esta é uma característica básica das grandes personalidades e Gandhi com suas mudanças me faz lembrar Sigmund Freud. Assim como Gandhi, Freud também não tinha medo de abandonar idéias e conceitos que simplesmente já não servia mais e ficaram ultrapassados. É só mesmo tendo coragem para mudar que se acaba por crescer e deslumbrar novos horizontes. Gostei muito do seu comentário. Vc conseguiu perceber a minha intenção verdadeira por trás deste projeto.

NOTÍCIA: No dia 21 eu postei sobre o mais recente serial killer de Delhi, lembra?

O maluco que é do estado de Bihar (um dos mais pobres, violentos e com maior índice de analfabetismo da Índia), foi preso. O assassino em série confessou ter matado 7 pessoas desde 2005. Anterior a isso, ele já havia sido preso por assassinato mas como as provas do crime eram inconclusivas, ele foi solto.

Eu gostaria que soubesse que jornalismo na Índia é uma coisa muito sangrenta, tanto na imprensa escrita quanto na televisiva. Aqui se põem na primeira página fotos de pessoas mortas, destroçadas etc. Veja por exemplo esta foto que saiu no jornal do bebezinho encontrado morto na lixeira. TODOS os jornais são assim. Eu leio o jornal que é considerado o melhor, mas mesmo assim ele pega pesado. Eu NUNCA entro em detalhes quando escrevo uma notícia, para te poupar, mas aqui a coisa é feia!!!!! Não é nem imprensa marrom, é imprensa vermelha, vermelha de sangue. Quanto mais desgraça melhor.

Não se preocupe que eu vou continuar dando uma "limpada" nas notícias e não vou colocar este tipo de foto no Indiagestão. Nosso blog não precisa de sensacionalismo, já há muito tempo somos o melhor blog em português sobre a India, segundo o Google e o Sapo (de Portugal).

***

Fico MUITO feliz que você esteja gostando do resumo da Autobiografia de Gandhi.

É um livro surpreendente não é mesmo? Eu também me surpreendi com o grau de honestidade de Gandhi e por isso resolvi compartilhar com você. Como a Angela escreveu “ele era um grandissíssimo de um ser humano normal”. E como uma outra leitora escreveu “É bom saber que ele era um ser humano como nós, e se ele alcançou a espiritualidade nós também temos chances”.

A verdade é que o Gandhi da Autobiografia era um “outro” Gandhi do que o Gandhi que conhecemos. O Gandhi idoso com seus óculos redondinhos é um Gandhi que por esforço próprio conseguiu crescer e melhorar como ser humano. O Gandhi da Autobigrafia é um Gandhi em busca de melhorias. A Autobiografia de Gandhi mostra justamente seu processo de crescimento. De torturador da esposa a seu amigo e admirador, etc. Aguarde os próximos capítulos e vc vai entender melhor o que estou te dizendo.

FOTO: Bebezinho encontrado na lixeira. Sem comentários!! Tem coisas que estão além da minha parca compreensão.

Om Shanti

30 de maio de 2007

Autobiografia de Gandhi - Parte 7



30/05/2007

Continuando com a autobiografia de Gandhi....

Em sua autobiografia Gandhi descreve com detalhes o movimento conhecido como SATYAGRAHA que teve início na África do Sul.

Segundo ele a Satyagraha não foi pré concebida mas sim espontânea. “Satyagraha had not been a preconceived plan. It came on spontaneously.”

Na guerra do Bôer na África do Sul, Gandhi organizou uma corporação de voluntários e participou ativamente. Após a guerra resolveu retornar a Índia.

Gandhi queria que os indianos superassem sua compulsão por jóias e se recusou a dar as jóias para a esposa, que havia ganho de presente. Kasturba ficou muito enfurecida e lhe disse que ele estava tornando os filhos em sadhus. “You who are trying to make sadhus of my boys… ” Posteriormente Gandhi vendeu todas as jóias de sua esposa e a proibiu de usar jóias.

Gandhi retornou a Índia e em 1901 participou pela primeira vez de uma reunião do Congresso (partido político que existe até hoje e ao qual pertence o atual Primeiro Ministro indiano).

Gandhi se implicou tanto com o mau cheiro e sujeira das latrinas durante a reunião do Congresso em Calcutá, que ele mesmo resolveu limpa-las. Outra coisa que Gandhi observou é que os políticos do partido Congressista não utilizavam as latrinas durante a noite e mijavam e cagavam em qualquer lugar inclusive nos arredores do dormitório e o cheiro era insuportável.

***

No capítulo UM MÊS COM GOKHALE-II, Gandhi apesar de hindu, ficou chocado com o que viu no templo de Kali em Calcutá e descreve no livro o seguinte “I saw a stream of sheep going to be sacrificed to Kali..... We were greeted by rivers of blood.... I felt that the cruel custom ought to be stopped….the life of a lamb is no less precious than that of a human being.” Gandhi não suportava crueldade contra animais e para ele o valor da vida era o mesmo tanto para um humano quanto para um animal pois ambos são criações divinas. O costume hindu de sacrificar cordeiros, bodes etc. desagradava muito Gandhi que achava tudo desnecessário e primitivo.

Pois é caro leitor, na Índia a vaca é sagrada mas as ovelhas, cabras, carneiros, bodes, galinhas, etc. entram na faca sem dó nem piedade!!!!

Eu mesma já estive no templo de Kali em Calcutá e não gostei. O sacerdote hindu que estava atuando como guia turístico do templo me mostrou a pedra do altar de sacrifício, mas disse que pararam com os sacrifícios há mais de 10 anos. O lugar é tétrico, tem uma energia estranha e como Gandhi disso prefiro não lembrar embora não consiga esquecer. “I have never forgotten that sight.”

***

Gandhi resolve conhecer a Índia e fazer uma longa viagem pelo pais. Ele passou muitos anos fora, na Inglaterra e na África do Sul e não conseguia mais entender e se enquadrar no arcaico modo de vida indiano.

Ele resolveu que viajaria de 3 classe e descobriu que era horrível, as pessoas jogam lixo no chão do trem, fumam, cospem, falam em voz alta e usam palavras de baixo calão.

Este capítulo chama-se BENARES e Gandhi mais uma vez se decepciona em sua viagem a Benaras, a cidade mais sagrada de todas, a mais famosa e segundo Gandhi suja e barulhenta. Benaras é conhecida atualmente pelo nome de Veranasi.

Os indianos adoram mudar os nomes das ruas, cidades etc. Os nomes mudam mas as péssimas condições de vida continuam....

Gandhi resolve ir morar em Mumbai mas novos problemas aparecem na África do Sul e ele resolve voltar para lá mais uma vez.

Já na África do Sul Gandhi declara “During my first sojourn in South África it was Christian influence that had kept alive in me the religious sense. Now it was theosophical influence.” Durante minha primeira temporada na África do Sul foi a influencia cristã que manteve meu senso religioso vivo. Agora foi a influencia teosofica.

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No capítulo RESULTADO DE INTROSPEÇÃO Gandhi declara ter fé no Gita e tentou decorar um ou dois versos deste todos os dias.

Ele termina este capítulo concluindo “what a terrible responsability it is to be a parent”. Que responsabilidade terrível é ser pai.

Ele gostava dos filhos, mas a verdade é que estando na vida pública, ter que cuidar de crianças, atrapalhava. Depois que ele entrou para a vida pública, percebi em sua narrativa que preferiria não ter tido filhos (pois seria uma preocupação a menos).

***

Gandhi fez experimentos na área da saúde com tratamentos de lama e água. Ele também seguia o tratamento Kuhne.

Quando seu filho Manilal de 10 anos adoeceu o médico receitou uma dieta com ovos e canja mas Gandhi sendo vegetariano não permitiu que o filho comesse estes alimentos.

Quando ele mesmo (Gandhi) adoeceu, ele começou a tomar leite de cabra para se recuperar.

Os indianos tomam toneladas de leite todos os dias durante a vida toda. Na Índia o leite da vaca não é para os bezerros mas sim para os “bezerros de 2 pernas”.

Observe como Gandhi passa longos períodos bebendo leite e depois pára, depois volta a beber e pára..... A verdade é que racionalmente falando Gandhi admite no livro que leite de vaca foi feito para os filhos das vacas (bezerros) e o leite humano para os filhos dos humanos. Leite é para a fase em que somos bebês e não é um alimento apropriado para adultos, mas mesmo assim, ele não consegue resistir e admite que gosta muito de tomar leite.

“I was a cruelly-kind husband. I regard myself as her teacher, and so harassed her out of my blind love for her.” Aqui Gandhi admite que era cruel para com a esposa pois se via como seu professor e a perseguia com seu amor cego.

Ele obrigava a esposa a limpar não somente as fezes (latrina) da família como também de outras pessoas que moravam na casa.

Tem uma cena no filme GANDHI a este respeito. A latrina na verdade é um buraco no chão que quando enche, deve ser esvaziado, ou seja, retira-se a bosta velha e fétida e joga-se fora, esvazia-se o buraco, para poder utilizar novamente. Outro tipo de latrina é como se fosse uma cadeira com um pinico no meio, quando o pinico enche, joga-se fora as fezes e urina e recoloca-se o pinico no lugar (no buraco no meio da cadeira).

Gandhi mudou depois de uma certa idade e parou de abusar psicologicamente da esposa, mas foram anos de sofrimento e abuso emocional que Kasturba agüentou. Hoje ela é nome de rua aqui em Delhi e este é mais um exemplo de que Gandhi foi uma metamorfose ambulante.

FOTOS: Gandhi com o uniforme do Indian Ambulance Corps que ele mesmo formou para participar da guerra do Boer na Africa do Sul; e com sua santa esposa Kasturba, sofredora silenciosa das loucuras do marido excentrico.

Aguarde continuação...

Om Shanti

29 de maio de 2007

Autobiografia de Gandhi - Parte 6



29/05/2007

Continuando com a autobiografia de Gandhi....

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No capítulo NA ÍNDIA, Gandhi deixa claro que explorou o trabalho infantil em forma de voluntariado. Isso também foi uma coisa que me surpreendeu, mas se pararmos para pensar que há 80 anos atrás o conceito de trabalho infantil nem existia, creio que fica tudo em paz. Além do que, o trabalho era somente de distribuir panfletos e não de quebrar pedra ou tecer grossos tapetes como hoje em dia.

Gandhi escreveu um panfleto e distribuiu a toda a imprensa e inúmeras outras pessoas, contando sobre os maus tratos e a péssima situação dos indianos na África do Sul. Ele queria que os indianos da Índia soubessem o que se passava na África do Sul e ajudassem a pressionar o governo britânico para que houvesse melhorias nas condições destes indianos que imigraram para lá.

Enquanto isso uma praga começou em Mumbai e Gandhi ofereceu-se para trabalhar no departamento sanitário. Um grupo de inspeção foi montado e o que descobriram foi que os pobres que usavam latrinas públicas não se opuseram a inspeção e seguiram os conselhos de melhoria na higiene das latrinas, mas os ricos se recusavam a ter suas latrinas inspecionadas e a latrina deles era mais suja, escura, fedorenta e cheia de fezes e vermes. “... the latrines of the rich were more unclean. They were dark and stinking and reeking with filth and worms.”

A inspeção na Haveli Vaishnava (templo religioso) foi um choque para Gandhi pois ele esperava que um lugar sagrado mantivesse boas condições de higiene e limpeza, porém não foi isso que encontrou. “It pained me to see so much uncleanliness about a place of worship.” Lhe doía ver tanta falta de limpeza em um lugar sagrado.

Só porque Gandhi era uma pessoa limpa e com padrões de higiene e limpeza ingleses, ele pensava que o restante dos indianos também o fossem. Infelizmente ao retornar para a Índia ele descobriu que a realidade indiana era e ainda é extremamente diferente.

Enquanto estava na Índia, Gandhi participou de comícios públicos, mas não conseguiu falar em público e tremia muito.

Gandhi acabou retornando a África do Sul, só que desta vez, levou a esposa, dois filhos e um sobrinho.

***

Gandhi forçou a família a usar talheres para comer, a vestirem roupas ocidentais e a usarem sapatos e meias.

Para quem ainda não sabe os indianos comem somente com a mão direita sem o auxilio de nenhum talher; colocam longos tecidos enrolados ao corpo como vestimenta (sari e doti) e andavam descalços.

Neste capítulo O COMEÇO DA TEMPESTADE Gandhi explica a essência do casamento hindu.

“A Hindu wife regards implicit obedience to her husband as the highest religion. A Hindu husband regards himself as lord and master of his wife who must ever dance attendance upon him.” Uma esposa hindu deve obediência implícita a seu marido e o considera como a mais alta religião (com respeito e adoração). O marido hindu se considera dono e proprietário da esposa que deve sempre ser-lhe subserviente.

Era assim mesmo há 80 anos atrás, agora a situação começa lentamente a melhorar para as mulheres e algumas até ousam se divorciarem hoje em dia!!

***

No capítulo EDUCAÇÃO DAS CRIANÇAS mais uma surpresa. Embora Gandhi tenha estudado e inclusive se formado em Direito em Londres, ele não permitiu aos filhos e ao sobrinho irem a escola!!

Gandhi declara em mais de uma ocasião em sua autobiografia que os filhos se ressentiram com ele por não ter-lhes dado a oportunidade de estudar e ter uma educação formal. Mas ele não se importou com isso pois achava que estava certo ao manter os filhos longe da escola e dar-lhes liberdade. “... a choice has to be made between liberty and learning...”

Além dos 2 filhos que levou consigo para a África do Sul, Gandhi teve mais dois lá na África. Sua libido continuava em alta e não conseguia ficar sem sexo.

Gandhi servia de enfermeiro voluntário em um hospital e na falta de médico e parteira acabou por fazer o parto de seu quarto filho e cuidou do bebê enquanto sua mulher se recuperava de mais um parto.

“... procriation and the consequent care of children were inconsistent with public service.” Após ter entrado na vida pública, Gandhi percebeu que a procriação e os cuidados para com os filhos eram inconsistentes. Uma pessoa de vida pública como ele não tem o tempo necessário para ficar com a família e dar-lhes atenção, assim sendo, em 1906, aos 37 anos de idade, ele resolveu fazer voto de castidade, e informou a esposa a respeito somente na hora do voto solene.

Após isto Gandhi começou a pregar que as pessoas deveriam ter relações sexuais só para perpetuar a espécie humana e não pelo prazer físico. Achei isto hipócrita da parte dele após ele mesmo ter escrito e deixado bem claro diversas vezes no livro que sofria de tesão extremo e não consegui se controlar, trepando inclusive enquanto seu pai morria no quarto ao lado e a esposa estava grávida. Em fim, mais uma das mudanças de Gandhi que podemos observar na leitura de sua autobiografia.

Foi só após o voto de brahmacharya (castidade) que Gandhi começou lentamente a se modificar. Para ele brahmacharya compreendia não somente reter o impulso sexual mas também o paladar. A comida deveria ser limitada, simples, sem tempero e se possível crua. O alimento ideal para ele era frutas frescas e castanhas (castanha de caju, amêndoa, noz etc.). “One should eat not in order to please the palate, but just to keep the body going.” A pessoa não deve comer pelo paladar mas sim para manter o corpo.

Vemos aqui outra mudança de Gandhi, pois quando estava estudando Direito na Inglaterra ele reclamava que a comida era insípida. “…the dishes that I could eat were tasteless and insipid”.

Outro aspecto importante para Gandhi era o jejum. Além de tentar controlar os sentidos Gandhi tentava controlar seus pensamentos, palavras e atos, mas muitas vezes não conseguia.

Ele desenvolveu o gosto pela auto-ajuda e simplicidade. Livrou-se do lavador de roupa e começou a lavar a própria roupa e a cortar o próprio cabelo.

OBSERVE NO FILME GANDHI, QUE ELE VAI MUDANDO SEU PENTEADO. COMEÇA COM CABELO, PASSA PARA UM CORTE MOICANO E TERMINA CARECA.

Gandhi não gostava de fazer seus experimentos em alimentação, saúde e castidade sozinho e sempre conseguia influenciar alguém (parentes e amigos) para acompanha-lo.

FOTO: Gandhi aos 31 anos na África do Sul e Gandhi posando de advogado

FILME: http://youtube.com/watch?v=Lcc9dJhZyCE&mode=related&search=

Continua amanhã...

Om Shanti

28 de maio de 2007

Autobiografia de Gandhi - Parte 5



28/05/2007

Continuando com a autobiografia de Gandhi....

Apareceu uma oportunidade para Gandhi ir trabalhar na África do Sul e ele foi “I wanted somehow to leave India” os indianos que moram fora da Índia por uns tempos tem dificuldades para se adaptar as precárias condições deste país e no geral não querem mais retornar. Isto eu já sei faz tempo, é assim até hoje; o que eu não sabia é que já era assim naquela época (1893). Quem toma gosto pela civilização e higiene não quer voltar a ser primitivo novamente. Só eu fiz o caminho contrario hahahahahaha tomei gosto pela sujeira. São tantos indianos fora daqui que o governo criou até um termo para eles “NRI” ou seja, “Non Resident Indians”. Não é de se criticar o fato dos indianos quererem sair da imundice e procurar uma vida melhor.

Neste 1 ano desde que voltou da Inglaterra, Gandhi fez mais um filho com a esposa. Sua libido continuava em alta, mas mesmo assim, mais uma vez ele deixou a mulher com um bebê recém nascido para trás e embarcou para a África do Sul.

Fico imaginando quantos filhos ele teria tido se tivesse morado com a esposa todos estes anos, ao invés de ir para a Inglaterra e África do Sul????????

Neste capítulo CHEGADA A NATAL, Gandhi conta ainda que conseguiu se segurar e não transar com uma prostituta negra do navio que o conduzia a África. Conta também como ficou surpreso com o tamanho das frutas e legumes africanos pois na Índia os legumes e frutas são mirrados assim como o povo.

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Gandhi não confessa sua ignorância em relação a África do Sul, mas deixa isso claro nas entrelinhas. Ele não utiliza a palavra Apartheid mas fala da discriminação que os indianos sofriam. Todo e qualquer indiano era chamado de “coolie” na África do Sul naquela época. “Coolie” significa carregador.

Neste capítulo, ALGUMAS EXPERIÊNCIAS, Gandhi conta que entrou no fórum africano usando turbante. Foi barrado pois era proibido usar turbante dentro do fórum. Gandhi protestou e fez um rebuliço e acabou conquistando o direito de usar turbante. Orgulhoso, ele declara “My turban stayed with me practically until the end of my stay in South Africa”. Ele usou o turbante praticamente até o fim de sua primeira estada na África do Sul.

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A CAMINHO DE PRETORIA é o capítulo que conta como Gandhi foi expulso do trem pois estava viajando na primeira classe que era reservada somente para os brancos. Eu não vou contar mais nada porque tem isso no filme Gandhi que eu pedi para você assistir no início desta nossa narrativa da autobiografia de Gandhi.

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CONTATOS CRISTÃOS é o capítulo onde Gandhi diz ter lido muitos livros cristãos e ter participado das orações e missas dominicais durante sua estada na África do Sul.

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Gandhi entrou em contato com os outros indianos que moravam na África do Sul e achou seus hábitos insalubres e disse-lhes que precisavam ser mais limpos e higiênicos. Disse também que deveriam aprender inglês.

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“I became disgusted with the profession.” Gandhi se decepcionou com a profissão de advogado. Ele queria ser honesto, não mentir, não distorcer palavras e descobriu que era difícil sobreviver sendo um advogado honesto. Gandhi conta então, a história de diversos casos que defendeu.

Gandhi confessa que confiava facilmente nas pessoas e se iludia quanto a seus caráter. Não sabia analisar o íntimo das pessoas e por isso mesmo foi muitas vezes surrupiado e pego de surpresa.

Durante os 3 primeiros anos na África do Sul aprendeu 2 línguas do sul da Índia, Tamil e Telegu.

FOTOS: Gandhi aos 26 anos de idade e Kasturba com os filhos.

FILME: O fim de semana passou e você não alugou o filme Gandhi para assistir. Que tristeza!! Eu me esforço, faço minha parte, mas você não faz a sua. Quem sabe se você vir este trailer você se convença e finalmente assista a este filme vencedor de 9 Oscars.

http://youtube.com/watch?v=mVwCeGxTN-A&mode=related&search=

Continua amanhã.....

Om Shanti

27 de maio de 2007

Gandhi (part 1)

Assista a introdução do filme Gandhi, vencedor de 9 Oscars.

26 de maio de 2007

Autobiografia de Gandhi - Parte 4


Continuando com a autobiografia de Gandhi....

No capítulo MUDANCAS, Gandhi decide fazer economia e começa a caminhar para ir e voltar da faculdade. Segundo ele, o hábito de fazer longas caminhadas preveniu que ficasse doente. “...this habit of long walks kept me practically free from illness…”

Ele começou a fazer também uma série de experimentos em sua dieta. Por vezes bebia leite, por vezes não bebia, por vezes alimentava-se somente de frutas, castanhas e azeite de oliva.

A timidez e o nervoso de falar em público continuavam...

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CONHECENDO RELIGIÕES é um capítulo onde Gandhi conta suas descobertas em Teosofia e Cristianismo.

Gandhi conheceu 2 irmãos teosofistas que o convidaram para ler o Gita. Gandhi sentiu-se envergonhado por nunca antes ter lido o livro sagrado hindu e aceitou o convite. Os irmãos o levaram para conhecer Madame Blavatsky e Anne Besant que acabara de se converter para a Teosofia.

O livro de Madame Blavatsky “Key to Theosophy” foi que levou Gandhi a ler livros sobre hinduismo (sua própria religião).

Gandhi leu também a bíblia e gostou muito do Novo Testamento, mas achou o Velho Testamento detestável.

Gandhi passou a ter preconceito para com o ateísmo “...my prejudice against atheism.” e o fato de Anne Besant ter se convertido de ateísta para teosofista fortaleceu a aversão que tinha pelos ateus. Ele leu o livro de Besant “How I Became a Theosophist.”

É interessante observar que no início de sua autobiografia Gandhi confessa que tinha uma tendência ao ateísmo. “...incline somewhat towards atheism.” Mas após pouco tempo na Inglaterra e entrando em contato com a teosofia e o cristianismo ele muda completamente de opinião e passa a ter preconceitos contra os ateus.

Como diria Raul Seixas, “Eu prefiro ser, esta metamorfose ambulante...” É bom mudar, crescer, evoluir. Com certeza a aproximação de Gandhi à religiosidade lhe fez bem.

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No capítulo PERDIDO temos que na faculdade, Gandhi leu a Lei Romana em latim, isso mesmo, ele aprendeu latim.

Gandhi terminou a faculdade e prestou o exame da “OAB” inglesa (Bar). Passou no exame e se registrou para advogar. No dia seguinte embarcou no navio de volta para Índia.

Gandhi leu todos os livros indicados durante seu curso de direito na Inglaterra, tinha toda a teoria em sua cabeça, mas não sabia como por em prática e se sentiu muito perdido.

Outro problema foi que ele não sabia nada das leis hindus e islâmicas (na Inglaterra aprendeu somente leis inglesas). Gandhi foi falar então sobre seu problema com Dadabhai que lhe sugeriu primeiro ler livros sobre história da Índia, assim como livros sobre fisiognomia (conhecer a pessoa por seu rosto).

Aqui na Índia até hoje (2007) temos leis diferentes para hindus e para islâmicos. Por exemplo, leis de casamento são 3. A lei hindu, a islâmica e a especial (SPECIAL MARRIAGE ACT), a única válida para ocidentais que se casam com indianos. Digo isto pois conheço um indiano espertinho que casou-se com uma brasileira pela lei hindu que de nada vale para os estrangeiros. E não adianta falar que se converteu para o islamismo ou hinduismo, estrangeiro tem que casar pela lei especial e ponto final. FIQUE ESPERTA!!!!!!!

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No capítulo COMO EU COMECEI A VIDA Gandhi confessa abertamente maus tratos psicológicos para com sua esposa. Ele reconhece que era mau e a torturava mentalmente.

England had not cured me of jealousy.” A Inglaterra não o havia curado de seu ciúmes doentio e ele continuava detestando o fato dela ser analfabeta e a usava somente para fins sexuais.

Nossa, fiquei chocada neste capítulo, pois ele chegou até a mandar a mulher embora, de volta a casa dos pais dela por uns tempos só para tortura-la mentalmente. Quando li isto fiquei indignada!! Se Gandhi fazia isso, um homem de casta alta, rico e estudado, imagine os outros?????

Gandhi muda-se para Mumbai e contrata um cozinheiro que apesar de ser brâmane era muito sujo. Gandhi diz que o cozinheiro só jogava água no corpo mas no fundo não se lavava (como é o costume até hoje) e suas roupas eram encardidas. A falta de higiene dos indianos incomodava MUITO Gandhi e ele menciona isso repetidas vezes no livro.

FOTO: Gandhi já no fim do curso de Direito.

FILME: Gandhi fala sobre Deus (em inglês) http://youtube.com/watch?v=e5sZKU4OdP0

Continua na segunda-feira....

Om Shanti

25 de maio de 2007

Autobiografia de Gandhi - Parte 3


Continuando com a autobiografia de Gandhi....

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No capítulo sobre RELIGIÃO Gandhi diz que nasceu em uma família Vaishnava (adoradores de Vishnu) e que sua mãe ia todos os dias ao haveli.

Gandhi leu o épico Ramayana e ouvia trechos do Gita sendo recitado. Ia a templos de Rama e Shiva e conversava sobre religião com os amigos muçulmanos, jainistas e parsis. Somente o cristianismo não fazia parte de sua vida nesta época.

Embora ele fizesse tudo isto, ele confessa que tinha uma tendência ao ateísmo. “...incline somewhat towards atheism.”

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PREPARAÇÃO PARA A INGLATERRA, neste capítulo Gandhi diz que gostaria de ter estudado medicina, mas por ser de família Vaishnava a dissecação de corpos de pessoas mortas estava fora de cogitação e seu irmão mais velho queria que ele fosse advogado.

Sua mãe recusava-se terminantemente a deixa-lo ir estudar fora da Índia e só permitiu após te-lo feito prometer e fazer votos de que não iria beber nada alcóolico, comer carne ou envolver-se com mulheres. Gandhi fez os votos solenes frente a um monge jainista.

Gandhi deixou para trás a esposa e um bebê de poucos meses. Aos 18 anos de idade partiu para Mumbai de onde iria pegar o navio para a Inglaterra.

Antes de embarcar para a Inglaterra, hindus ortodoxos disseram que eram contra a ida dele “Our religion forbids voyages abroad.” pois a religião proibia viagens para o exterior, mas ele foi assim mesmo.

Durante a viagem de navio Gandhi quase não falou com ninguém pois tinha vergonha do seu péssimo inglês e não comia no refeitório junto com as outras pessoas pois não sabia usar talheres. Ele fazia suas refeições escondido em sua cabine.

Até hoje os indianos não usam talheres para comer, comem somente com a mão direita e possuem forte sotaque ao falar inglês. Pouco mudou nestes últimos 80 anos.

***

No capítulo LONDRES, Gandhi conta sua primeira experiência em etiqueta ocidental. Um amigo, Dr. Mehta, o ensinou a não mexer nas coisas (objetos) dos outros, a não falar em voz alta, a não fazer perguntas pessoais (que são comuns na Índia), e a não chamar aos homens de “Sir” (que também é comum na Índia até hoje).

Gandhi achou tudo estranho na Inglaterra, costumes, hábitos, modo de vestir e comportar-se mas o pior foi manter o voto de vegetarianismo pois ele achava os legumes insípidos. “…the dishes that I could eat were tasteless and insipid”.

Para você que acompanha o blog, deve lembrar-se do depoimento do Dr. Santosh quanto a culinária brasileira e sua falta de sabor. A verdade é que os indianos não gostam de comida ocidental pois não tem temperos e pimenta suficiente para seu paladar. Os ocidentais por sua vez não conseguem comer comida indiana devido ao excesso de massala e pimenta. Diferenças culturais-digustativas.

Foi em Londres que Gandhi comprou seu primeiro livro sobre vegetarianismo. O autor era Salt e o livro chamava-se “Plea for Vegetarianism”. Segundo Gandhi, ele tornou-se um verdadeiro vegetariano na Inglaterra, devido a este livro e outros que leu; pois até então ele mantinha o voto de vegetarianismo pois havia prometido a sua mãe, mas não era uma escolha sua que vinha de seu coração. Após ler este livro ele fez a escolha de ser vegetariano de coração, e não porque havia prometido a alguém ou feito voto solene.

Na Índia, Gandhi nunca leu jornal, mas em Londres ele começou a ler jornal regulamente. (Todos os indianos atualmente lêem jornal. Eu também).

Neste capítulo Gandhi conta sobre a vergonha de falar para os ingleses que apesar de ter somente 18 anos de idade e estar estudando, já era casado há 5 anos e pai de família.

Gandhi informa que os outros jovens indianos omitam o fato e arrumavam namoradas inglesas, pois todos tinham vergonha em falar sobre o casamento infantil e também queriam “aproveitar” enquanto estivessem na Inglaterra.

(Já é sabida e notória a preferência indiana por “carne branca”, nos 2 sentidos).

***

No capítulo BRINCANDO DE CAVALHEIRO INGLÊS, Gandhi confessa ter comprado roupas inglesas caras e elegantes, inclusive uma cartola e pediu a seu irmão mais velho que lhe enviasse uma corrente de ouro dupla de relógio. Ele também se dedicou a aprender a arte de dar nó em gravata (coisa que indianos não usam e portanto não sabem dar nó).

Ficava pelo menos 10 minutos na frente do espelho se admirando, penteando o cabelo e ajeitando a gravata.

Para tornar-se um perfeito cavalheiro inglês, Gandhi também investiu em aulas de dança de salão, francês, oratória e violino.

Gandhi acabou sentindo-se culpado em usar o dinheiro que seu irmão lhe enviava, com as aulas; assim, as aulas duraram somente 3 meses mas o gosto pelas roupas finas permaneceu por anos, segundo ele.

FOTO: Gandhi aos 21 anos, estudante de Direito na Inglaterra.

FILME: Esta é a primeira entrevista de vídeo gravada com SOM de Mahatma Gandhi. (em inglês)

Clique: http://youtube.com/watch?v=8EiRgvyVfHY

Continua amanhã...

Om Shanti

24 de maio de 2007

Autobiografia de Gandhi - Parte 2



Continuando com a autobiografia de Gandhi....

No capítulo BRINCANDO DE MARIDO confesso que Gandhi me surpreendeu e creio que também irá te surpreender.

Ele afirma ter sido um tirano para com sua esposa e extremamente ciumento. Ela não podia ir a lugar algum sem sua permissão e essa atitude ignorante por parte dele fez com que tivessem inúmeras discussões. Ele confessa que seu ciúmes era doentio e descabido pois Kasturba era boa e fiel. Ele afirma que a atormentava mentalmente.

Gandhi detestava o fato da esposa ser analfabeta (não sabia ler e escrever pois nunca foi a escola). Ele queria ensina-la a noite, após voltar do colegial (Gandhi continuou os estudos mesmo após o casamento), mas seu desejo sexual era imenso e ele não conseguia se conter, transando com ela até altas horas da madrugada, assim, não sobrava-lhe tempo para ensina-la a ler e escrever.

***

No capítulo sobre o COLEGIAL Gandhi afirma que não gostava de ginástica (educação física) e que tinha uma péssima caligrafia.

Antes, e mesmo depois do casamento Gandhi só consegui dormir com a luz acesa pois tinha medo de ladrões, fantasmas e cobras “I was a coward”, eu era um covarde, afirma ele “Darkness was a terror to me” O escuro era um terror para ele.

Gandhi assim como toda sua família era vegetariano, mas o seguinte verso o fez mudar de idéia:

Behold the mighty Englishman

He rules the Indian small,

Because being a meat-eater

He is five cubits tall.

Os ingleses que naquela época dominavam a Índia. Eles eram altos e fortes pois comiam carne, pensou Gandhi, segundo o verso acima; e os indianos baixos e franzinos por serem vegetarianos. Assim sendo, Gandhi concluiu que se todos os indianos começassem a comer carne, ficariam fortes e poderiam expulsar os ingleses da Índia.

Gandhi passou a comer carne e por 1 ano comeu carne de bode escondido de sua família. Nesta mesma época acompanhou um amigo seu ao puteiro local, mas disse não ter tido coragem de transar e culpou o amigo pela má influência.

***

Se você se surpreendeu com tudo isso, veja o que o capítulo ROUBO tem a dizer.

Gandhi roubava dinheiro regularmente do empregado doméstico que trabalhava em sua casa para comprar cigarros. Isso mesmo, Gandhi quando adolescente, fumava e era ladrão.

Ele chegou a roubar um bracelete de ouro de seu irmão mais velho (que também comia carne escondido da família) para pagar-lhe uma dívida.

Segundo Gandhi a submissão aos mais velhos o levou a pensar em suicídio. A falta de liberdade e independência é enorme entre as famílias indianas até hoje. Isso o deixava deveras contrariado e pensando em se matar.

***

O capítulo A MORTE DE MEU PAI E MINHA VERGONHA DUPLA, descreve como Kaba (pai de Gandhi) estava enfermo, no leito de morte.

Gandhi chegava da escola e todas as noites cuidava de seu pai, trocava os curativos e fazia-lhe massagem nas pernas. Apesar de ter somente 16 anos, Gandhi que casou-se aos 13 anos, já havia engravidado a esposa. Segundo ele, enquanto massageava e cuidava do pai, a única coisa que lhe vinha a mente era transar com a mulher, mesmo esta estando grávida.

Uma noite, assim que acabou de cuidar do pai, foi direto para seu quarto, acordou a esposa grávida que já dormia profundamente e começou a transar com ela como de costume. Após cerca de somente 6 minutos no bem-bom, batem na porta de seu quarto para avisar que seu pai acabava de falecer. Gandhi sentiu-se envergonhado por não conseguir controlar seu impulso sexual mesmo sabendo que seu pai estava a beira da morte e sua esposa grávida.

Para piorar o estado de culpa de Gandhi, o bebê após nascer, viveu somente 4 dias, morrendo em seguida, o que o fez sentir como se fosse um castigo divino por sua falta de controle.

Gandhi se descreve como “...a lustful, though faithful husband”. Um marido tesudo porém fiel.

Gandhi deixa claro diversas vezes em sua autobiografia, seu excesso de libido e falta de autocontrole. Isto foi uma coisa que o perturbou durante anos. Ele queria ser menos libidinoso mas simplesmente não conseguia.

FOTOS: Gandhi adolescente e Gandhi com Kasturba (esposa).


FILME: Clique e assista a primeira parte do excelente filme Gandhi (em inglês)

http://youtube.com/watch?v=jnByy_r2ZKk&mode=related&search=

Continua amanhã...

Om Shanti

23 de maio de 2007

Autobiografia de Gandhi - Parte 1



Namaskar

Eu sempre gostei de ir direto a fonte ou pelo menos o mais próximo desta possível, assim sendo, resolvi que já era chegada a hora de ler a autobiografia escrita por Mohondas K. Gandhi, ou Mahatma Gandhi como era mais conhecido. Nada melhor do que conhecer a pessoa segundo suas próprias palavras.

Te convido para “ler” junto comigo e me acompanhar nesta descoberta sobre a vida deste homem tão importante para a história da independência da Índia. Antes porém, te peço um favor, vá a uma locadora e alugue o DVD GANDHI. Assista ao filme prestando muita atenção em tudo, com certeza este filme irá te ajudar a entender melhor esta figura humana tão peculiar que foi Mohondas Karamchand Gandhi.

Eu confesso que já gostava de Gandhi, e após ler sua autobiografia, passei a admirá-lo ainda mais. Ele, como eu, acredita na verdade e isso fica muito claro em sua autobiografia do princípio ao fim. Omitir, SIM, mentir, NÃO.

Gandhi escreveu sua autobiografia em sua língua nativa, Gujarati. Sua autobiografia foi publicada em 2 volumes, o primeiro em 1927 e o segundo em 1929. Nós vamos ler a tradução em inglês feita diretamente do original em 1940 pelo senhor Mahadev Desai.

O livro chama-se UMA AUTOBIOGRAFIA OU A ESTÓRIA DE MINHAS EXPERIÊNCIAS COM A VERDADE.

Foi devido a pedidos de amigos que Gandhi concordou em escrever sua autobiografia. Ele na verdade não considerou a obra como uma autobiografia mas sim como a estória de seus inúmeros experimentos com a verdade. Uma coisa é certa, embora Gandhi tenha omitido algumas coisas, ele não mentiu em nada do que escreveu e o livro é totalmente honesto, sincero e VERDADEIRO. Ele inclusive não se poupou e fez pertinentes autocríticas.

***

Gandhi menciona já na primeira página da Introdução, seu hábito de observar 1 dia de silêncio. Gandhi praticava o silêncio durante 1 dia por semana. Neste dia, ele não falava com ninguém e se comunicava somente através da escrita por meio de bilhetes. Era um dia de interiorização, um dia para se auto analisar e para comungar com Deus. “...silence is part of the spiritual discipline of a votary of truth.” O silêncio é parte da disciplina espiritual de um devoto da verdade.

Na segunda página ele deixa claro que não gostava nem um pouco do título de Mahatma (Grande alma) que haviam lhe dado e que na verdade este título lhe doía “... the title has deeply pained me...”

O grande objetivo de sua vida era encontrar com Deus face a face e alcançar a auto-realização. What I want to chive is self-realization, to attain Moksha.

Moksha significa o fim do ciclo de morte e reencarnação, ou seja, ele buscava a Salvação em linguagem cristã.

Gandhi acreditava fervorosamente que Deus é Verdade, verdade absoluta. “I worship God as Truth only…Absolute Truth”.

E Gandhi termina a Introdução do livro dizendo que não vai esconder as feias verdades que precisam ser ditas. Portanto se você não gostar de alguma parte da autobiografia de Gandhi, não fique bravo comigo, reclame para Gandhi, pois foi ele quem escreveu o livro!!

***

No capítulo, NASCIMENTO E PAIS, ele explica ser da casta Bania que originalmente eram vendedores de alimentos mas que nas 3 últimas gerações eles se tornaram Primeiro Ministros de estados.

Seu pai era conhecido como Kaba Gandhi e foi primeiro Ministro de Porbandar, Rajkot e Vankaner (antigos estados feudais). Kaba Gandhi casou-se 4 vezes e sua última esposa, cujo nome era Putlibai teve 4 filhos, 1 menina e 3 meninos, sendo que o caçula era Mohondas K. Gandhi (o “nosso” Gandhi).

Gandhi nasceu em Porbandar no estado de Gujarat no dia 2 de outubro de 1869.

Durante a infância Gandhi diz ter sido muito tímido e evitava a companhia das pessoas. Seus livros, e as lições de casa da escola eram suas únicas companhias.

Certa vez assistiu a uma peca de teatro chamada Harishchandra que o influenciou muito em suas crenças e convicções e a qual jamais esqueceu.

***

No capítulo CASAMENTO INFANTIL Gandhi deixa claro seu horror e a raiva que sentia por seu pai te-lo obrigado a casar-se com apenas 13 anos de idade enquanto ainda estava estudando.

Kaba Gandhi, resolveu fazer um casamento “em massa” para os filhos, ou seja, casou Gandhi de 13 anos de idade, um primo de 14 anos e o segundo irmão de Gandhi de 15 anos de idade (o irmão mais velho já havia casado antes), todos de uma só vez para economizar. (E isso que os Gandhis não eram pobres).

O que realmente magoou Gandhi foi o fato de não ter sido informado sobre seu próprio casamento. Ninguém lhe avisou que iria se casar. Seu pai, Kaba Gandhi, tomou a decisão e pronto! Foi só quando começaram os preparativos para o casamento que Gandhi descobriu que ele iria se casar. “... I should severely criticize my father for having married me as a child.” Gandhi criticou seu pai por seu casamento infantil, assim como criticou toda a sociedade indiana por esta prática tradicional. O casamento infantil faz parte da cultura indiana e sobre o qual já escrevi repetidas vezes neste blog.

FOTOS: Capa da autobiografia e Gandhi quando criança

FILME: Gandhi - Part 1 (Início do filme Gandhi) o melhor filme sobre Gandhi que já assisti

Clique: http://youtube.com/watch?v=jnByy_r2ZKk

Continua amanhã....


22 de maio de 2007

Cinema Indiano - Parte Final


Namastê

O cinema como religião – Parte Final

Os mistérios da relação passional dos indianos com seu cinema, que atrai diariamente cerca de 15 milhões de pessoas, e fez com que nenhum outro país tenha exacerbado tanto a extrema porosidade entre a vida real e o cinema

Peregrinação cinemtográfica

Os indianos não vão ao cinema para viver uma relação com a realidade; eles vão como se cumprissem um ritual, para se comunicar de maneira eficaz com o divino

Como observa Bhaskar Ghose em um texto intitulado "Imaginário e Ícones ", "alguns filmes abordaram temas como a pureza, a injustiça ou até a discriminação por casta e tiveram grande sucesso. Mas esse sucesso não parece se dever à análise das condições sociais ou das relações humanas, mas à utilização dessas condições sociais com o intuito de despertar o interesse do público. Achhut Kanya ("O Intocável", de Franz Osten, 1936) não questiona o sistema de castas, mas vale-se do apelo emocional que ele representa. Do Bigha Zameen ("Dois hectares de terra", de Bimal Roy, 1953) recorre à pobreza e à injustiça de maneira idêntica (…). Esses filmes não suscitam nem introspecção nem resposta a perguntas constrangedoras – apenas exigem do espectador que participe do drama e do patético que eles apresentam".
Poderíamos levar o raciocínio ainda mais longe e afirmar que a suposta neutralidade dos filmes indianos (valer-se do "apelo emocional" da pobreza, da fome e de outras chagas sociais) não passa de uma fachada e que eles constituem, pelo contrário, o vetor mais eficaz do status quo social.
A heroína de Mother Índia (de Mehboob Khan, 1957) é martirizada durante toda a vida pelo mesmo agiota, sem esboçar o mínimo gesto de revolta contra o homem que fez com que ela perdesse suas terras, suas jóias e seu marido. Em uma das últimas cenas, ela mata o próprio filho, que tentara assassinar o facínora – pois a honra da família deve ser salva a qualquer preço. "No Ocidente, o cinema popular é puro divertimento, enquanto que, na Índia, é impossível dissociá-lo da religião", ressalta Olivier Bossé, Professor do Institut National des Langues et Civilisations Orientales (Inalco), de Paris: "Os indianos não vão ao cinema para viver uma relação com a realidade; eles vão como se cumprissem um ritual, para se comunicar de maneira eficaz com o divino. É como uma peregrinação. A eficácia suprema do filme consiste em reafirmar a ordem do mundo. O que importa, por conseguinte, não é a luta do Bem contra o Mal, mas que cada um faça o seu dever". Reflexão endossada pelo pesquisador Emmanuel Grimaud : "No filme Prem Granth (O Livro do Amor, de Rajiv H. Kapoor, 1996), a heroína é estuprada ao cabo de 20 minutos. Este evento, que ocorre antes de ela encontrar o herói (o único legitimamente autorizado a tocá-la) foi rejeitado pelo público, que se retirou do cinema".

Roteiros para o dia-a-dia

A eficácia suprema do filme consiste em reafirmar a ordem do mundo. O que importa, por conseguinte, não é a luta do Bem contra o Mal, mas que cada um faça o seu dever

Assim, ao assistir a um filme, o espectador efetua os seus próprios cortes, compondo uma montagem pessoal que lhe permite encontrar respostas a seus problemas, dilemas e conflitos. Desta forma, cria para si uma reserva de roteiros nos quais busca inspiração para enfrentar as situações do dia-a-dia. Este contágio entre vida pessoal e cinema não se limita aos roteiros, mas abrange igualmente figurinos, cenários e, naturalmente, os próprios atores. A título de ilustração, Emmanuel Grimaud conta a história de Lakhan, pequeno vendedor de chá, admirador fanático do ator indiano Salman: "O fato de Salman ter sido preso por estar caçando ilegalmente em uma reserva suscitou uma reação por parte de Lakhan, que decidiu privar-se de cinema. Foi a maneira que encontrou de passar por uma provação com elementos cinematográficos e, assim, estabelecer uma correspondência com o que Salman estava vivendo". De forma mais prosaica, não é raro ouvir um grupo de estudantes falar do herói de um filme com a familiaridade que se costuma usar para falar de um colega de escola.
Nenhum outro país exacerbou tanto quanto a Índia esta extrema porosidade entre a vida real e o cinema. Comprovação: no Estado de Tamil Nadu, onde vida política e show business se confundem, o grande astro M. G. Ramachandran tornou-se Primeiro Ministro. Depois de sua morte, em 1987, sua viúva tentou suceder-lhe, mas foi derrotada pela jovem amante do finado, a atriz Jayalalitha que, desde então, reina em Tamil Nadu.
FOTO: Salman Khan
AVISO:
Amanhã, quarta-feira, começa o resumo detalhado da autobiografia escrita por Gandhi enquanto estava na cadeia.
464 página resumidas em somente 24 porém com riqueza de detalhes e citações em inglês retiradas diretamente do livro.
Um projeto ao qual estou dedicando bastante tempo, atenção e carinho.
Entre no blog Indiagestão amanhã, quarta-feira dia 23 e comece a acompanhar a autobiografia de Gandhi passo a passo. www.indiagestao.blogspot.in
Divulgue a seus familiares e amigos pois esta é uma oportunidade nunca vista antes em blog algum!!!!
Prestigie e divulgue.
Conto com vc e sua amizade.
Incredible India! (slogan do governo indiano)
Om Shanti

21 de maio de 2007

Terrorismo - Sikh - Serial Killer


Namastê
Nestes últimos 3 dias a mídia Indiana já tem do que falar e não tem mais mencionado o Richard Gere e nem a Elizabeth Hurley, afinal coisas sérias estão acontecendo por aqui.
Na sexta-feira passada (dia 18) uma bomba explodiu em Hyderabad na mesquita Mecca próxima ao famoso Charminar. 13 pessoas morreram e 58 ficaram feridas.
A bomba explodiu bem durante as orações dos muçulmanos e a mesquita de 400 anos de idade estava lotada com cerca de 5 mil homens e meninos (mulheres e meninas não entram). Mais tarde a polícia encontrou outras 3 bombas.
A policia que estava tentando entrar na mesquita enquanto o povo saia correndo apavorado, foi atacada pelos islâmicos pois estes estavam com os nervos a flor da pele e culparam os policiais por não patrulharem devidamente o local. Os policiais para se defenderem tiveram que atirar e acabaram matando 3 pessoas.
A bomba era muito sofisticada e foi acionada por controle remoto através de um celular. A policia desconfia que tenha sido o grupo SIMI (Student’s Islamic Movement of India) que praticou este atentado terrorista.
Essa coisa de muçulmano ficar atacando muçulmano não me entra na cabeça. E por falar em atacar os da mesma religião, a pancadaria foi violenta nos estados de Punjab e Haryana entre os Sikhs.
***
Existem 2 facções de Sikhs que nunca se deram bem e sempre se socaram e esfaquearam, mas desta vez a coisa foi pior pois agora além das adagas e espadas, eles estão usando armas de fogo para se matarem entre si.
O líder da facção sikh Dera Sacha Sauda teve a infeliz idéia de aparecer em público vestido de Guru Gobind Singh, os outros sikhs acharam muita falta de respeito e presunção e a porrada correu solta. A coisa toda piorou quando um dos cinco alto designatários sikhs ofereceu seu peso em prata para quem lhe trouxesse a cabeça degolada de Rahim Singh.
A coisa está tão séria que o Primeiro Ministro indiano que também é sikh resolveu convocar uma reunião de emergência e despachou 30 companhias para policiar o Punjab e Haryana e tentar prevenir novos conflitos.
Eu particularmente tenho muita simpatia pelos sikhs, mas quando eles apelam pra ignorância, eu não aprovo não!!
***
E como se isso tudo já não bastasse, agora temos mais um “serial killer” (assassino e série) solto, foragido e atuante aqui em Delhi.
O fulano já matou 4 vítimas e todas as vezes as degolou, enfiou em um saco e jogou os corpos sem cabeça em frente a penitenciária de segurança máxima de Delhi. Desta última vez, ele ainda deixou um bilhete desafiando a polícia. O problema é que como as vítimas não tem cabeça, até agora nenhuma foi identificada e a polícia nem sabe por onde começar a procurar o assassino.
Nos últimos 6 meses este já é o terceiro serial killer que aparece por aqui. Os dois primeiros já foram presos em fevereiro deste ano. Eu nem contei pra você sobre isso para não te assustar, visto que alguns leitores do Indiagestão são sensíveis a este tipo de notícia. Mas como este último serial killer vai ser difícil de prender pois como as vítimas não tem cabeça fica difícil saber de onde são, eu resolvi avisar pois estou sabendo de 3 brasileiras que estão vindo para cá em junho e não quero que fiquem andando a noite por Delhi pois é perigoso SIM!!
AVISO:
Na quarta-feira, dia 23 de maio, começa o resumo detalhado da autobiografia escrita por Gandhi enquanto estava na cadeia.
464 página resumidas em somente 24 porém com riqueza de detalhes e citações em inglês retiradas diretamente do livro.
Um projeto ao qual estou dedicando bastante tempo, atenção e carinho.
Entre no blog Indiagestão, quarta-feira dia 23 e comece a acompanhar a autobiografia de Gandhi passo a passo. www.indiagestao.blogspot.in
Divulgue a seus familiares e amigos pois esta é uma oportunidade nunca vista antes em blog algum!!!!
Prestigie e divulgue.
Conto com você e sua amizade.
Om Shanti